O blog 2112 foi formado com intenção de divulgar as bandas clássicas de rock, prog, hard, jazz, punk, pop, heavy, reggae, eletrônico, country, folk, funk, blues, alternativo, ou seja o rock verdadeiro que embalou e ainda embala toda uma geração de aficcionados. Vários sons... uma só tribo!



domingo, 16 de setembro de 2018

Entrevista Banda Prognoise


O Blog 2112 vive procurando novidades fora do eixo Rio-São Paulo e numa dessas paradinhas na net dei de cara com a galera do Prognoise. A banda é de Rondônia e faz um prog maravilhoso e que prova que o Brasil emite ondas sonoras de todos os lados e merece ser captado por seus ouvidos. Se liga, cara!!

2112. O rock progressivo nestes últimos anos deu uma reviravolta de 360 graus deixando o underground para retomar o seu lugar de direito. Como surgiu o Prognoise?

Zeno. A banda surgiu em 2012. Veio da ideia de fazer música autoral com a estética do que conhecemos como rock progressivo.  

2112. O progressivo é um dos ramos mais democráticos e criativos do rock’n’roll justamente por agregar em sua rica musicalidade vários tipos de sons. Vocês também ouvem vários tipos de sons?

Alessandro. Eu acho sinceramente que seria impossível, prá mim, tocar rock progressivo sem ouvir várias coisas.  É dessa diversidade que surge a vontade de misturar ritmos, compassos, estilos que compõem o progressivo.  Como você mesmo coloca sobre o quão democrático é o rock progressivo (e a música em geral), há momentos para se ouvir de tudo – ou quase tudo.  Um bom exemplo disso é o que acabou surgindo em nossa nova música, Incandescente.  O que ouvimos, de uma forma ou de outra, acaba transparecendo em nossa música.

Zeno. Escuto muito rock e MPB. Gosto de jazz e música clássica. Recentemente tenho curtido muito música pop dos anos 80. Considero me musicalmente muito eclético.


2112. Eu sempre acreditei que é na mistura de influências que se cria uma nova música. Um músico com sérios objetivos só rompe fronteiras quando vence os próprios preconceitos...

Alessandro. Infelizmente existe uma linha tênue entre o que é preconceito e o que é critério. Indo além, entre isso e o que é, simplesmente, gosto musical.  Vivemos uma multipolarização na política, na questão de gêneros e em vários pontos da sociedade em geral em que não se pode mais dizer que não gostamos de algo, que já somos criticados e taxados de anti isso, anti aquilo.  Um músico com sérios objetivos precisa se livrar do preconceito, mas tanto quanto isso, precisa definir bem seus critérios e se conhecer ao ponto de conseguir definir bem em seu trabalho quais serão suas influências – e isso, tirando a cópia grosseira – é involuntário. 

2112. Quando ouço bandas como King Crimson, Led Zeppelin, Traffic, Jimi Hendrix, Jethro Tull... é que se vê até onde um músico pode chegar em termos de níveis de criatividade...

Zeno. De modo geral sinto que as melhores coisas foram criadas nos anos 60 e 70 e que atualmente vivemos a experiência de reviver antigas ideias em novos contextos. Parece que serve prá tudo que nos cerca. Na música, a criatividade hoje parece ser a capacidade de reinventar aquilo que já existe.  

2112. Existe uma lenda sobre a gravação da música “Achilles Last Stand” do álbum Presence do Led Zeppelin que Jimmy Page queria um efeito orquestral. O cara simplesmente entrou em estúdio e gravou várias afinações nas guitarras e depois mixou todas elas conseguindo enfim o efeito desejado. Isso é uma coisa pouco usual... é coisa de gênio! Na opinião de vocês como está o cenário musical hoje?

Zeno. Tem a ver com o que eu disse na questão anterior. Sinto que não há mais a mesma originalidade, mas ainda há criatividade na reinvenção. Vale dizer também que as melhores coisas da música hoje não estão na grande mídia.

2112. Quais bandas mais influenciam o som de vocês?

Alessandro. Conheci King Crimson a partir do Zeno.  Sensacional.  Eu sou fã incondicional do Rush.  Adoro ligar o computador e colocar as “trocentas” músicas do Jethro Tull para tocar, enquanto trabalho em casa.  É completamente desnecessário dizer que também tem o Floyd, Deep Purple, Genesis, Casa das Máquinas, Som Nosso de Cada Dia, Violeta de Outono, entre tantos outros....

Zeno. Pro som que fazemos, penso que Pink Floyd, King Crimson e Jethro Tull estão entre as maiores influências. Isso como banda, mas tem as influências individuais. Nesse quesito, além dessas citadas, tenho uma influência forte de Queen e Beatles.

2112. O advento do punk rock trouxe o básico de volta o que de uma certa maneira jogou o progressivo numa rota suicida. Várias foram as bandas que abriram mão de sua genialidade em favor de um som mais comercial. Vocês como fãs/músicos concordam com esse tipo de atitude ou eles tomaram a decisão mais acertada naquele momento?

Alessandro. Essa escolha entre o tradicional e o comercial sempre deve ser encarada como algo absolutamente pessoal.  Não cabe a nós julgar quem fez a escolha A ou B.  Só quem está diante de uma necessidade de escolha sabe exatamente suas razões.  No fundo, a música é uma arte que tem espaço para todos; o rock, um dos estilos mais democráticos de todos, como já dito anteriormente apresentou, ao longo dos anos toda essa possibilidade, para quem quis e quer aproveitar, e se permite utilizar de todas as formas possíveis...   é essa diversidade e multipotencialidade que faz do rock o estilo rico que é. 

Zeno. O rock não precisa ter amarras. Qualquer radicalismo é perigoso, então tudo pode ser compreendido, inclusive a ideia de fazer músicas mais “pop”. Se for espontâneo, então tá valendo. Quem não gostar tem todo o direito de não consumir. Digo tudo isso hoje após anos já mais maduro quanto ao tema. Nos meus 20 anos eu não suportava escutar Genesis na fase pop por exemplo. Hoje eu curto sem problema, apesar de saber que no meu conceito de estética musical, Genesis da fase pop é sempre infinitamente inferior ao Genesis da fase Prog.  Mas às vezes a mente pede algo menos complexo pra se distrair.

2112. Eu vejo os anos 80 como a década mais nociva musicalmente falando se levarmos em conta que 80% da sua produção soa descartável e datado. Achei o Neoprog com algumas poucas restrições um verdadeiro tiro no escuro...

Alessandro. Essa pergunta tem tudo a ver com a anterior.  No fundo, a produção daquela época serviu para traçar um parâmetro e poder crescer com isso.  No final das contas, o que é ruim sempre some, enquanto que o que é bom sempre fica.

Zeno. Tenho curtido muito Marillion ultimamente. Gosto de várias coisas do Prog dos anos 80 e não gosto de outras.

2112. Sei que o movimento tentou do seu jeito manter a chama acesa mas muitas bandas apenas soavam como meros clones dos gigantes dos anos 70. Confesso que não gostei muito, e vocês?

Alessandro. Há de se definir o que é influência e o que é cópia.  Isso existe em todos os estilos, não só do rock, como em outras linhas musicais. Quem ouve nossa música percebe influências, mas tomamos o cuidado de não sermos cópias.  Esperamos que as pessoas percebam isso em nosso trabalho

Zeno. Como disse antes ... gosto de algumas bandas e não de outras. Citei Maríllion, mas gosto de IQ também. Já não curto muito Collage por exemplo.

2112. A banda já lançou um EP Esquizoide e está em vias de lançar o segundo. Como é o processo de composição de vocês? Todos colaboram?

Alessandro. O principal compositor da banda é o Zeno Germano. Geralmente, ele chega com o “esqueleto” da música.  A partir daí, existe uma abertura e uma colaboração, principalmente nos arranjos, onde todos participam.  Começamos a trabalhar na música e vamos todos colaborando, trazendo suas influências, ideias... tentamos, testamos, erramos, e por aí vai, até chegarmos ao que achamos um trabalho pronto.  Quando percebemos, temos 12, 14, 16 minutos de música.

2112. Fale um pouco sobre as gravações de Esquizoide? Foi a primeira experiência em estúdio de vocês?

Zeno. Na época, fizemos nosso melhor. Foi divertido.

2112. Alguma curiosidade de estúdio?

Alessandro. O metrônomo é o terror do contratempo nos compassos quebrados...

Zeno. Concordo ( risos)

2112. O novo EP será lançado ainda este ano? Dá para adiantar alguma coisa? O que os fãs da banda podem esperar?

Alessandro. Com uma maturidade maior, atrelada a um trabalho de equipe também maior, fica notório que o disco é mais rico, musicalmente falando. No Solar temos nossa primeira composição em Inglês, que é justamente Hanging Garden.  Originalmente, ela era em português.  Na construção da música, percebemos algo em relação à métrica e resolvemos “testar” uma transcriação para o inglês, que apresentou essa metrificação mais acessível. Temos participações especialíssimas de alguns músicos da cidade, como o Hercílio Santana, que toca viola caipira, e a soprano cantora Mariana Gonçalves, que só enriquecem nosso trabalho.

2112. O Festival Totem Prog apenas comprovou o que muitos fãs sempre souberam: ainda existe um público fiel que cultua suas bandas. O que vocês tem ouvido de bacana?

Zeno. Tenho curtido muito bandas de Prog brasileiras como Vitral e Caravela Escarlate.

Alessandro. Eu sempre ouço Rush! Eles fazem umas quebradas muito interessantes. Também sempre ouço Jethro! Vitral e Caravela são bandas que conheci agora e aprecio muito! Um trabalho muito rico e interessante!
2112. Vejo que o prog hoje está mais forte que nos últimos anos levando em conta a quantidade de bandas surgidas e os muitos festivais em torno do mundo, não é?

Alessandro. A tecnologia certamente tem sua parcela de contribuição nisso tudo.  O progressivo é um estilo musicalmente mais complexo.  Ficou muito mais “fácil” gravar e divulgar trabalhos em geral.  Sabemos que existem talentos espalhados no mundo inteiro e que não aparecem por falta de acesso, possibilidades etc.  o século XXI trouxe uma possibilidade gigante de produzir e mostrar os trabalhos.  Consequentemente, cada vez mais vai surgir coisa boa e ruim. Ao mesmo tempo que ficou mais fácil produzir, tudo ficou mais acessível, com interação global. 

2112. Falando de renascimento... como é a cena aí em Rondônia? Tem muitas bandas bacanas?

Alessandro. Fora do progressivo, tem algumas bandas legais, que estão na batalha tanto quanto a gente.  

2112. Acontecem muitos eventos por ai?

Alessandro. Infelizmente não. Este ano de 2018 foi bem interessante, pois criou-se o Boto Rock Festival, com quase 40 bandas, em 2 dias, produzido pela Fundação Cultural de Porto Velho, que nos deu a oportunidade de conhecer bandas interessantes e mostrar nosso trabalho para um número maior do que aqueles que já nos acompanham. Houve também, em Ji Paraná, no interior, o Rondon Rock Festival, com mais de 40 bandas em três dias. Fora isso, há alguns locais para tocar, mas eventos, propriamente ditos, somente de forma independente.

2112. Tem mais bandas progs além de vocês? Quem vocês destacariam?

Alessandro. Particularmente, não tenho conhecimento de outras bandas que façam rock Progressivo propriamente dito, embora haja alguns trabalhos instrumentais e experimentais, como a Tuer Lapin, que faz um som bem interessante aqui em Porto Velho.  No restante do estado, não conhecemos.  Na década de 90, já havia esse passeio pelo rock progressivo, com o Zeno e outros amigos nossos, com bandas como Fermata Aquarius de 1991 a 1993 e Perigeu de 1995 a 1997.

2112. Que conselhos vocês dão para quem está começando?

Alessandro. Tenho um certo receio sobre essa história de dar conselho para quem está começando.  Nós estamos começando!  O que nós tentamos fazer é, primeiramente, respeitar um ao outro, principalmente quando estamos compondo. Cada um é um mundo diferente, então todos temos que estar preparados para ouvir qualquer ideia que venha de qualquer um de nós, ao mesmo tempo em que temos que estar preparados para que nossas ideias sejam rejeitadas pela banda.  Afinal, o objetivo é fazer uma boa música.  Se você percebe que 3 ou 4 da banda argumentam contra uma ideia, isso pode significar que ela pode ser descartada.   Outro fator é o nosso foco, que não é ficar tocando em bares e locais fixos.   Nosso tempo é muito limitado, então tentamos aproveitar ao máximo para produzir.   Porém, essa resposta acaba retomando uma pergunta anterior, sobre os objetivos de cada banda, de cada músico...

Zeno. Estamos sempre começando... Mais uma coisa que penso ser importante transmitir: Quem faz rock precisa saber da história do estilo. Penso que isso é até mais importante do que ser um músico fenomenal.

2112. O microfone é de vocês...

Zeno. Queremos que as pessoas escutem nossa música e gostem. Basicamente isso! Obrigado Carlos, pela oportunidade!!!

Crédito das fotos: Chirlane Nobre

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Entrevista banda Centro da Terra



Enquanto as rádios e as gravadoras despejam toneladas e toneladas de lixo sonoro em seus ouvidos o underground mantém bandas maravilhosas como o Centro da Terra. Sua mistura de blues rock + MPB + psicodelismo gera uma sonzeira que fará as paredes do seu quarto tremer nas bases. Esta banda foi uma das grandes descobertas da minha vida rock’n’roll... e será também na sua!!

2112. Confesso que desde que ouvi o cd “Ao Vivo - Ritual Elétrico” fiquei fascinado com o trabalho desenvolvido por vocês. Parabéns pelo trabalho... é blues rock em altíssima voltagem!

Fred Pala. No Brasil atual as únicas forças que nos mantem ativos na música são os elogios e a paixão que temos, pois ganhos financeiros são mínimos.  

2112. Este álbum ao contrário do “Tarde no Quintal” é constituído apenas de releituras de grandes clássicos do blues e da MPB. O que levou vocês a optarem por este formato? E qual o critério usado por vocês na hora da escolha das músicas?  

Fred Pala. Existe também uma faixa blues de improviso. Esse disco foi um convite do jornalista Fernando Marques que nos convidou de supetão para gravarmos algumas de nossas influências e na época eram essas que estávamos tocando nas gigs.

2112. Achei incrível os arranjos para “Mal Secreto” de Jards Macalé, “You Don’t Know Me” do Caetano Veloso e “Nega” do Gilberto Gil. Acredito que eles ficariam orgulhosos de ouvir as releituras que vocês fizeram de suas obras visto que eles sempre estiveram abertos a todo tipo de experiências sonoras, não é?

Fred Pala. Gosto de pensar que sim, porem com exceção do Jards, acho que eles perderam suas essências com o passar dos anos e seus valores mudaram muito especialmente em relação a música.

2112. Gostei muito também de Voodoo Child Blues, Red House e Never In My Life do Mountain... peso, ousadia e muito feeling!

Fred Pala. Obrigado. Sempre tocamos com muito improviso e isso foi gravado tudo em um take só. Essas gravações foram bem complicadas pois não estávamos nos ouvindo bem, a bateria estava em outra sala, a comunicação visual estava bem difícil pois apesar do estúdio ser muito bom, não tinham o costume de gravar bandas ao vivo, muito menos de rock’n’roll e blues.

2112. E falando em releituras sempre imaginei como ficaria as composições do sambista Cartola vertidas para o blues. Acho sua poesia tão visceral quanto as do Robert Johnson... Sei que os radicais vão me crucificar mas o samba de raiz não deixa de ser uma extensão do blues, não é?

Fred Pala. O blues é o sofrimento o amor e a simplicidade em sua essência. Releituras são complicadas pois não devem tirar a “alma” da música, seria um desafio fazê-lo mas o Centro da Terra sempre buscou desafios.

2112. Essa é de praxe... Como a banda foi formada?

Fred Pala. Tive uma passagem pela Europa em 2010, tocando pelas ruas de 7 países em trabalho solo, esse tempo me trouxe uma confiança muito grande e a vontade de formar uma banda ritualística com suas raízes no blues. Ao regressar formei com meu irmão o Centro da Terra, que teve algumas formações até chegarmos ao Zeca, que é psicodélico por si só.

2112. Vocês usam com muita propriedade as influências do rock 60/70 para criar um paredão sonoro como a muito não se ouvia em terras brazuca. Além de Jimi Hendrix que outras bandas influenciam o trabalho de vocês?

Fred Pala. Somos pesquisadores sonoros, a cada dia escutamos novas bandas e sons experimentais que vão se acumulando em nossos inconscientes, isso traz a mistura que gostamos de chamar de Ritual Elétrico. Desde bandas japonesas como a Osamu Kitajima à musicistas do Gypsy Jazz como Django Reinhardt, mas nossas primeiras influências vieram do erudito e mais tardar as clássicas Howlin Wolf, Led Zeppelin, Jimi Hendrix...

2112. Vejo que temos algo em comum que é o amor pela música do Jimi Hendrix. O seu legado é eterno... A propósito vocês conhecem um bootleg chamado “Woke Up This Morning” em que Hendrix divide o palco com Buddy Miles, Johnny Winter, Jim Morrison entre outros músicos. O som é perfeito e vem em duas versões: mono e estéreo. É fabuloso ouvir Hendrix e Winter tocando juntos pelo puro prazer de tocar...

Fred Pala. Sim conheço muito bacana! Os dois eram muito amigos, tive a honra de assistir o Johnny Winter e lembro dele tocar Voodoo Child e dedicar carinhosamente ao Hendrix cheguei a me emocionar, showzaço!! Já li uma vez também que eles tinham tanto respeito um pelo outro que era um pouco complicado pois havia sempre uma espera à ver quem iria solar primeiro, um demasiado cuidado para não ser desrespeitoso (musicalmente falando).

2112. Incomoda quando alguém fica comparando vocês ao Experience do Jimi Hendrix?

Fred Pala. De modo algum, ser comparado com um gênio da música é sempre estimulante.

2112. O país vive atualmente uma “desvalorização cultural” muito grande em todos os setores: literário, musical, educacional... Tá difícil lutar contra a maré?  

Fred Pala. rsss Dificílimo, são tantos passos de produção e preocupações financeiras que quase não temos tempo de realmente tocar.

2112. A internet no entanto criou um novo conceito de música colocando um ponto final em tudo que era convencional: mídia, gravadoras, estúdios... e abriu as portas para novas experimentações onde o músico é produtor, designer, divulgador, empresário... Isso de uma certa maneira assusta vocês?     

Fred Pala. Esse é o maior problema, pois o verdadeiro músico quer fazer música, ser musico e hoje em dia você tem que ser tudo menos músico se quer o sucesso ou reconhecimento.

2112. Particularmente eu ainda ouço bastante Cream, Jeff Beck Group, Jimi Hendrix, Beck, Bogart & Appice, Free/Bad Company, Led Zeppelin, Cream, Cactus... e não sinto a música atual tão ligada ao blues e ao rock’n’roll como nesta época. A atual cena do rock entusiasma vocês?

Fred Pala. Não rss, acho muito raro encontrar uma banda de rock’n’roll atual que tenha o feeling, a dedicação e o groove que me entusiasma, especialmente na melodia da voz. Às vezes aparecem algumas mas falta criatividade entre as faixas, até porque sempre exigiu-se por parte das corporações musicais um estilo bem definido para se fixar um público alvo.  
2112. A turma dos anos 60/70 sempre tiveram uma mente mais aberta quanto a influências e experimentações. Uma prova disso é o dvd No Quarter de Jimmy Page e Robert Plant que juntou a sua música orquestrações egípcias, indianas e música marroquina sem pedir permissão a ninguém. Vocês curtem esse tipo de experiências?

Fred Pala. Com certeza quanto mais experimentação melhor e o dificil é unir essas influências de um modo natural sem que se perca o feeling.

2112. ... Kashmir ficou ainda mais hipnótica!

Fred Pala. A música tradicional dessas regiões são por si só muito hipnóticas e isso também sempre me agradou, transcender pela música e através dela.

2112. Tarde no Quintal é constituído de oito faixas autorais o que dá mais credibilidade ao trabalho como um todo sem desmerecer o trabalho desenvolvido em Ritual Elétrico. Como é o processo de composição de vocês?

Fred Pala. Normalmente eu venho com a idéia básica da letra e harmonias, nos sentamos juntos e começam as discussões controladas. Rss O processo foi registrado no documentário feito pelo amigo Zé Tomaz e está online no YouTube Documentário: O Nascer do Som - Centro da Terra

2112. Os dois álbuns traz na capa a inscrição “ao vivo”. Vocês gravam tudo ao vivo no estúdio como faz Neil Young? Posteriormente vocês incluem ovedubs ou fica tudo como foi gravado?

Fred Pala. Esses dois discos são ao vivo sem edições posteriores. Do jeito que saiu está no disco, tanto que agora após quase 10 anos de banda que estamos lançando o primeiro disco de estúdio, que por sinal estamos muito satisfeitos com o resultado, recomendamos aos fãs da banda escutarem pois esse sim contém a “tela sonora” completa, com várias camadas de instrumentos e sons estranhos.

2112. O que vocês tem visto de interessante? Da nova geração gosto muito do Dudé & A Máfia, do Ari Frello, da StringBreaker etc que são ótimos exemplos de blues feito no Brasil...

Fred Pala. Da nova geração gostamos de Robin Trower... rss. Vemos algumas bandas muito boas na cena atual brasileira que dividem os palcos conosco em vários festivais pelo país. Podemos citar de momento o Davi Henn, Scarlett, Rinoceronte, Quarto Ácido, Quarto Astral, Cabeçote, Arcpélago, Estação da Luz, Big Blues, Lobo y Brujo entre muitas outras que não me lembro. A cena independente brasileira está muito mais criativa do que a do exterior.


2112. Vejo muitas bandas reclamarem da falta de locais para tocar, falta de mais eventos, falta de apoio do público...

Fred Pala. Em um país que a mídia cospe lixo diariamente na cara dos telespectadores, fica difícil para a massa pensar diferente e buscar cultura por si próprios.

2112. O microfone é de vocês...

Fred Pala. Faço questão de agradecer à você Carlos, pelo interesse na verdadeira cultura viva de nosso país, com perguntas relevantes, grande dedicação e apoio aos artistas que buscam a arte acima de tudo. Aos leitores deixo o agradecimento pelo interesse em nosso som e os convido a viajar conosco em nosso novo álbum duplo. Paz e amor!