2112. A sua carreira começou no Aerometal e durou cerca de um ano. Como foi essa experiência e quem fazia parte da banda?
Nilton. Na verdade o Aerometal foi a segunda banda, a primeira durou bem menos, mas considero como o início, era meio autoral e meio cover porque não tínhamos repertório próprio suficiente. Fizemos um show, mas só conseguimos tocar duas músicas porque o som queimou e paramos por aí rsrs. O Aerometal também foi legal, um “salto”, tudo era novidade ainda mais naquela época. Fizemos vários shows inclusive no Lira Paulistana que era um lugar conceituado na época. O Aerometal era formado pelo Vado (guitarra), Anderson “Aranha” (bateria), Marco “Lobão” (baixo) e eu nos vocais.
2112. Logo vocês gravam Limiar da Manhã que foi incluída na coletânea São Power. Como surgiu o convite?
Nilton. O convite veio do Antonio Celso Barbiere, ele estava selecionando bandas para gravar o São Power e nos convidou. Ele foi gravado num dos shows no Lira Paulistana promovido por ele.
2112. A repercussão foi boa?
Nilton. Foi boa, sim. Foi lançado em LP pelo Chicão da Devil’s Records e graças a essa gravação o Aerometal ainda é lembrado hoje em dia.
2112. Existe outras gravações da banda ou esse é o único registro de vocês? E como foi a experiência em estúdio?
Nilton. Pois é, infelizmente não chegamos a gravar nenhuma demo ou registro ao vivo além da participação no São Power, não tivemos esse cuidado e também não fizemos nenhum registro em estúdio.
2112. O que te levou a sair da banda e entrar para o Santuário?
Nilton. Não teve um motivo específico, apenas não houve continuidade. Nessa época recebi convite do Destroyer, banda recém-criada pelo Luiz Teixeira e outros membros do Avenger mas acabou não acontecendo.
2112. A Santuário ao contrário das bandas da época que usavam muito couro e adereços metálicos optou por usar vestimentas inspirada no estilo bárbaro medieval. Isso de uma certa maneira fez todo um diferencial, não é?
Nilton. Quando eu entrei o visual já não era nesse estilo bárbaro medieval, era algo mais atual para aquela época. Eu segui o padrão que eles adotaram.
2112. Qual era a reação do público nos shows naquele período?
Nilton. Muito boa, sempre tocávamos para um bom público, isso não era preocupação naquela época.
2112. Em 1986 você participou do histórico show no Plaza de Toros, Medellín para um público de 8.000 pessoas. Como surgiu o convite?
Nilton. Eu estava sem banda na época e fiz amizade com eles numa série de shows que fizeram com o Jaguar no Teatro João Caetano em São Paulo. O Micka fazia os vocais por causa de uma doença do seu irmão Júlio, mas ele não estava querendo fazer as duas funções, daí me ofereci algumas vezes e me chamaram para um teste que acabou dando certo.
2112. Vocês fizeram também aparições em programas de rádios e tvs?
Nilton. Sim, fizemos várias entrevistas em rádios e tocamos em shows beneficentes tipo Teleton na TV e espaços públicos, além de shows em casas locais. Foi bem legal.
2112. Em 2022 o selo Classic Metal lançou um ousado box quádruplo "Santuário - 1982-1987" contendo um vasto e histórico material da banda. O que você achou desse lançamento?
Nilton. Achei ótimo. É um reconhecimento pelo conjunto da obra. Fico feliz por fazer parte desse material, dei um depoimento para o DVD contando causos da Colômbia e estou numa gravação ao vivo no Rainbow Bar em 1986 cantando “A Voz”, me sinto parte disso também, mesmo que tendo uma participação pequena. Para mim foi muito importante.
2112. Apesar do sucesso dos shows a banda nunca gravou um álbum mas havia projetos nesse sentido? O que aconteceu de fato para a banda nunca ter gravado nada além das duas faixas no SP Metal?
Nilton. Gravar um LP era uma coisa complicada naquela época devido aos altos custos com estúdio, prensagem, etc. Não sei te dizer exatamente, porque não era membro efetivo da banda, pena que não conseguiram.
2112. O que o levou a sair da banda?
Nilton. Quando entrei para a banda eu tinha noção de que seria algo temporário porque o posto era do Júlio e quando ele se recuperasse, retornaria, coisa que infelizmente acabou não acontecendo. Na volta ao Brasil fiz mais um show na Praça do Rock e terminei minha passagem no Santuário.
2112. Em 1986 você é convocado para a nova formação do Centúrias junto a Ricardo Ravache (baixo, ex-Harppia), Marcos Patriota (guitarra, ex-Harppia) e Paulão Thomaz (bateria) o único membro remanescente da formação original e logo é lançado o álbum Ninja. Foi tudo muito rápido, não?
Nilton. Antes de ir para a Colômbia me chamaram para remontar o Centúrias e topei, avisando que só poderia iniciar os trabalhos após voltar da viagem. Começamos os ensaios em dezembro de 1986 e em março de 1987 fizemos a estreia dessa nova formação com repertório mesclado de Centúrias e algumas do Harppia, já que o Patriota e o Ravache vieram de lá.
2112. Quando você entrou para a banda o material do Ninja já estava pronto?
Nilton. Teve um projeto em 1985 que reuniu o Marcos Patriota, Ricardo Ravache e o Jack Santiago que haviam saído do Harppia, mais o Roger Vilaplana e o Alceu que eram do Nostradamus, o Jack saiu e eu entrei, depois de um tempo eu saí e o Jack voltou, meses depois eles pararam por motivo que desconheço. Desse projeto saíram “Guerra e Paz”, “Animal”, “Senhores da Razão”, “Metal Comando” e a “Ninja” com outro arranjo. Depois com a nova formação do Centúrias fizemos “Fortes Olhos”, “Ninja” com o arranjo final, “Cidade Perdida”, mais a “Arde Como Fogo” que é uma música do passado do Centúrias, sem esquecer da “To Hell”.
2112. Os destaques foram Animal, Fortes Olhos e Senhores da Razão. Tocou bem nas rádios?
Nilton. Tocava mais nos programas das rádios especializadas da época ou quando éramos chamados pra entrevistas.
2112. O que levou a banda entrar em hibernação após o lançamento do álbum? O álbum não teve a repercussão que vocês esperavam ou foi assunto pessoal?
Nilton. Eu brinco que existe uma “maldição” no Centúrias que sempre que o Centúrias grava a banda se desfaz, acho que aconteceu o mesmo com essa formação, mas não rolou nada pessoal.
2112. Entre 2004 a 2008 o Centúrias fez vários comebacks para a alegria dos fãs mas não lançou nada. O que houve?
Nilton. Ali foram shows de revival mesmo, até gostaria de retomar a banda, mas não acabou acontecendo. Foram bons momentos.
2112. E 2012 a banda retorna em definitivo lançando o single Rompendo o Silêncio abriu shows para Steve Grimmet, Raven, Grim Reaper e Picture. Havia projeto de gravar um álbum após o single?
Nilton. Havia e já estávamos trabalhando nas músicas, mas tivemos mudanças na formação (como sempre) e acabou travando um pouco o processo.
2112. Esse ano completa treze anos que Rompendo o Silêncio foi lançado. O que os fãs podem esperar para esse ano?
Nilton. Não sei se para esse ano porque já cansei de dar uma data, mas acredite se quiser, temos um CD em produção, o processo está adiantado e espero fortemente concluir esse ano, mas como digo, estará pronto quando terminar rsrs. O material está bem legal.
2112. Diferente da época do lançamento dos álbuns SP Metal I e II quando o cenário fervilhava de bandas por todo o país em shows sempre lotados. Como você enxerga o cenário hoje?
Nilton. Infelizmente vejo a cena do Metal Tradicional meio esvaziada, não tenho muito o que dizer, só a lamentar e torcer por uma retomada, mas a cena Thrash continua com bom público, moro perto do Tendal da Lapa aqui em São Paulo e sempre que há eventos o lugar lota. É uma percepção que tenho, apenas. Mas como diz a letra da Sobreviver, música do single Rompendo o Silêncio: “A máquina não vai parar!”
2112. Com o advento das plataformas digitais, o distanciamento do público, a queda das vendas dos cds e de uma possível volta do vinil... vale a pena investir no lançamento de novos trabalhos?
Nilton. Acredito que sim, acho que o lançamento físico mesmo com tiragem reduzida ainda é importante, conjuntamente com lançamento nas plataformas digitais.
2112. Eu peguei uma época de mídias importantes como Rock Brigade, Roll, Metal, zines e mais zines, comentários em colunas de jornais, programas de tvs e rádios e hoje tudo parece estagnado. E digo não apenas para o metal mas para tudo que não faz o jogo da grande mídia. O que deu errado?
Nilton. Não sei te dizer, hoje em dia quase não existe mais mídia impressa do estilo, tudo virou digital e mesmo assim cada vez menos. Acho que é desinteresse mesmo ou o público está buscando informação em outras fontes.
2112. Agradeço a sua participação nas comemorações dos dez anos do 2112. O microfone é seu...
Nilton. Agradeço pela lembrança e por fazer parte desse aniversário de dez anos. Que venham muitos anos pela frente. Sucesso para todos do 2112! Grande abraço!
2112. Eu é que agradeço. O Centúrias é uma banda do coração.




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