O blog 2112 foi formado com intenção de divulgar as bandas clássicas de rock, prog, hard, jazz, punk, pop, heavy, reggae, eletrônico, country, folk, funk, blues, alternativo, ou seja o rock verdadeiro que embalou e ainda embala toda uma geração de aficcionados. Vários sons... uma só tribo!



sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Entrevista Roger Troyjo (Terreno Baldio)

 

2112. Em 2019 o Terreno Baldio pegou a todos nós de surpresa com o lançamento do single Indignação após tantos anos sem gravar. Porque um single e não um álbum?

Roger. Na ocasião, como a banda tinha uma formação completa novamente, a prioridade se voltou para as apresentações. A música nova foi uma junção de temas trazidos pelo Lazzarini e pelo Mozart que já estavam praticamente prontos. Foram feitas poucas alterações na letra inicial e decidiu-se que seria interessante lançar a música, para divulgar que a banda estava na ativa.

2112. Indignação deixou um fio de esperança para quem esperava por um lançamento de um novo álbum o que acabou não acontecendo. O que de fato aconteceu? 

Roger. A intenção, de fato, era lançar um álbum novo completo, inclusive com o acréscimo da música nova, de um tema instrumental e da canção “Velho Espelho”, que foi composta nos anos 70 e apresentada frequentemente nos shows, mas nunca havia sido gravada em estúdio. Novamente, em função da COVID, os planos foram adiados. Em 2022, quando ainda não tinham surgido variações do vírus, houve uma flexibilização das restrições e foi dada prioridade para fazermos shows que estavam pré-agendados em SESCs pelo interior de SP. Depois da pandemia, surgiu a oportunidade do relançamento dos dois primeiros discos, em edições especiais em vinil. Rolaram alguns problemas de saúde com alguns integrantes também, que fizeram os planos para o disco novo ficarem em suspenso, mas não foram abandonados totalmente.

2112. ... mas existem novas composições? Vocês tem projetos de lançar um novo álbum?

Roger. Existem temas para novas composições. Mas, por enquanto não há previsão para um novo álbum.

2112. Qual a mensagem que vocês queriam passar com Indignação?

Roger. Apesar dos créditos, a letra já foi apresentada pronta. Apenas foram substituídas algumas palavras.

2112. Roger, você teve a dificil tarefa de substituir o lendário João Kurk, amado pelos fãs da banda e do rock progressivo. Como aconteceu o convite?

Roger. Em 1997, o João foi o produtor artístico do primeiro álbum da Nave, um trabalho autoral do qual eu faço parte também. Nos tornamos amigos desde então. Em 2017, o Terreno já havia voltado. Mas, a agenda de shows do João estava bem cheia e algumas datas que pintavam para o Terreno tinham de ser adiadas ou canceladas pela indisponibilidade do João. Então, o Terreno decidiu buscar outro vocalista que pudesse substituí-lo eventualmente, apenas para os shows que ele não pudesse fazer. O João e o Cássio Polleto (tínhamos trabalhado juntos no tributo ao Gentle Giant), me indicaram. Combinamos de fazer uma audição com a banda e eles me aceitaram. A nota (muito) triste, foi que, justamente no dia em que eu fui substituir o João pela primeira vez, ele veio a falecer. Na tarde daquele dia, nos falamos pelo telefone. A última frase que eu ouvi do João, foi: “Divirta-se, menininho!” (Ele costumava chamar assim alguns amigos).

2112. ... em algum momento durante os shows você se sentiu inseguro? E qual foi a reação da platéia durante os shows?

Roger. Em todos! Cantar com o Terreno Baldio é uma imensa honra e uma imensa responsabilidade. Não tem como não sentir um frio na barriga. Mas, a beleza, a qualidade e o caráter ‘viajante’ das músicas fazem a gente ‘embarcar’ e as coisas vão fluindo. Me senti muito bem recebido pelo público. Acho que curtiram bastante a possibilidade da continuidade da banda. Interagiram bastante durante e depois dos shows. 

2112. Vocês se encontram periodicamente para ensaios, compor, fazer shows ou planejar projetos relacionados a banda?

Roger. Os encontros têm sido mais espaçados, mas continuamos em contato.

2112. Lendas Brasileiras foi relançado em formato vinil mas não em cd. Você sabe informar se existe essa possibilidade?

Roger. Existe, sim. Mas, por enquanto não há previsão.

2112. Você começou a ter aulas de canto aos quatorze anos. O que isso influenciou no seu jeito de cantar e que conselhos você daria aos que estão começando no ofício do canto?

Roger. Um dos primeiros ensinamentos que minha saudosa Professora Mariuccia Lourenção me passou, foi: “há três formas de cantar: cantar errado, cantar certo e cantar bonito (o que envolve o certo)”. Educar a voz é extremamente importante. Quando se diz que os(as) cantores(as) são ‘atletas da voz’, faz sentido. Se a intenção é transformar a voz em um instrumento musical, é preciso estudar e praticar. É preciso tonificar e trabalhar a elasticidade dos músculos do aparelho fonador. Isso faz com que a gente seja um pouco ‘luthier’ do próprio instrumento. Ter um(a) profissional capacitado(a) para apresentar as técnicas e acompanhar o desenvolvimento é extremamente importante. Todos nós já encontramos alguém com musicalidade que canta bem, mesmo que apenas intuitivamente. Mas, com o acompanhamento de um(a) profissional, isso sempre pode ser muito mais potencializado. No início, a evolução é rápida. Mas, é preciso ter paciência para não se esforçar demais no início e persistência para continuar evoluindo. Praticando e se apresentando. E outra coisa muito importante é ouvir os mais diversos estilos de (boa) música e o máximo de cantoras e cantores possível. Não perder a capacidade de se encantar com a música e de aprender.

2112. Acredito que conhecer a própria voz é muito importante levando em conta os vários vocalistas de renome que estão praticamente sem voz atualmente. A falta de informação é um desses fatores ou isso acontece naturalmente o passar do tempo?

Roger. Conhecer o aparelho fonador é extremamente importante para esse ofício! Também por isso, as orientações de profissionais são imprescindíveis e, no caso do canto popular, indicar equipamentos também. Mais uma vez, como um atleta, com bom condicionamento e sem forçar demais, é possível preservar a voz por bastante tempo. Infelizmente, muitos dos nossos ídolos, do rock dos anos 70, por exemplo, cantaram com pouca técnica durante a juventude e com equipamentos sem a tecnologia que veio depois e com bandas tocando no talo. Tinham que se esforçar muito para cantar e para se escutar e em turnês muito extensas. Muito desgaste em um período específico da carreira. Mas, educar e preservar a voz é um processo contínuo por toda vida.

2112. Me responde uma coisa: É verdade que o álcool e a água gelada prejudicam as cordas vocais ou isso é um mito?

Roger. O álcool, ao longo do tempo, pode prejudicar a hidratação natural do aparelho fonador, em especial das cordas vocais, e provocar ressecamento e lesões. É imprescindível para cantores(as) ter bastante atenção com a hidratação: “se for beber álcool e cantar, não deixe de tomar bastante água também!!” Sobre bebidas demasiadamente geladas, o problema é o choque térmico. Enquanto estamos cantando, todo nosso aparelho fonador está aquecido e flexível (como um atleta quando está em atividade). O contraste com a água gelada provoca a contração dos músculos e interfere na performance. É recomendável deixar o líquido muito gelado por algum tempo na boca, até aquecer um pouco, antes de engolir. Mas, nada é mais prejudicial do que o cigarro. O calor da fumaça e as toxinas dela ressecam as cordas vocais, causando irritação crônica, ardor, mucosidade constante rouquidão e o ‘envelhecimento’ das células. Elas ficam desprotegidas e o pigarrear arranha e fere as cordas causando lesões e, eventualmente, nódulos (chamados de ‘calos’). Elas também ficam mais pesadas e menos flexíveis. A voz fica mais grave e rouca, em especial, as vozes femininas. A fumaça diminui a capacidade pulmonar e afeta todos os órgãos do aparelho fonador, além de ser altamente cancerígeno e nocivo ao sistema nervoso.

2112. Você começou a cantar profissionalmente nas casas noturnas de São Paulo. Nesse período você já possuía alguma banda ou cantava aonde era convidado?

Roger. No início, cantei mais em apresentações nos conservatórios (Souza Lima e Marcelo Tupinambá) e nos festivais de colégios que eram bem frequentes. Dessas apresentações, se formaram algumas bandas que também se apresentaram em barzinhos. Daí, também surgiram as bandas de bailes que se apresentavam em clubes e buffets. Cantei também em corais (do CCSP e Tarde da USP). Durante o bacharelado e pouco depois, cantei em recitais com a minha Professora Mariuccia Lourenção. 

2112. Cantar na noite é um ótimo estágio para quem está começando, não é? O que você mais aprendeu nesse período e que te ajuda até os dias de hoje?

Roger. Cantar para o público é imprescindível, em diferentes situações, para ir adquirindo experiência, trabalhar a extroversão, a sensibilidade. Conhecer diferentes ambientes acústicos, recursos, equipamentos. Pôr em prática diferentes impostações vocais, em diferentes estilos e também trocar informações com colegas e gente mais experiente.

2112. Você cantava que tipo de repertório?

Roger. Nas primeiras bandas, era mais rock. Nos bailes, era bem variado: MPB, Jazz, Samba, Forró, Disco, Pop, etc. Na faculdade, estudei e cantei música dos períodos medieval e renascentista.

2112. Em 1988 você participou da montagem do musical Jesus Cristo Superstar no papel principal. Como foi a experiência de atuar e cantar?

Roger. Foi uma montagem organizada pelo Conservatório Frutuoso Viana, que teve três apresentações no Auditório da Biblioteca Municipal da Lapa. Não foi o musical inteiro, mas a apresentação de várias canções dele, encenadas como esquetes. Foi minha primeira experiência com microfone headset. As orientações do diretor (Nelson Gomes) foram muito importantes. Eu era (ainda sou) bastante introvertido e ele me ajudou muito na expressão e na desenvoltura, lições que ficaram para a vida inteira. Muitos anos depois, fiz uma gravação da canção ‘Gethsemani’ em um take corrido, na sobra de uma sessão de estúdio, que pode ser ouvida aqui: https://www.youtube.com/watch?v=hCY2yobwjsk&list=RDhCY2yobwjsk&start_radio=1

2112. Você é graduado em Técnicas Vocais e fez diversos recitais em conjunto com a professora Mariuccia Lourenção. Além de cantar você dá aulas de canto?

Roger. Depois da graduação, comecei a dar aulas de Técnicas Vocais no Conservatório da própria Faculdade Marcelo Tupinambá, participei de alguns workshops e dei aulas em outros conservatórios e particulares. Mas, com o aumento das atividades com a Psicologia, fui parando com as aulas.

2112. Quais são as maiores dificuldades dos iniciantes?

Roger. Em geral, os iniciantes que têm musicalidade se desenvolvem muito rapidamente quando têm os primeiros contatos com as Técnicas Vocais. As maiores dificuldades iniciais têm a ver com o estranhamento com as diferenças percebidas entre os locais onde praticam e onde têm aulas e a acústica e equipamentos que ainda não conheçam quando vão se apresentar. Adequar a impostação à acústica ou regular a equalização e volume são questões que a gente vai aprendendo com as experiências e com toques de colegas. Para que é mais introvertido(a), lidar com diferentes públicos, em diferentes situações, também pode ser uma dificuldade.

2112. Como todo mundo que sonha em viver de música você gravou diversos jingles para rádios e tvs, participou do Zeppelin Cover, bandas de bailes etc. E com toda essa experiência você nunca pensou em gravar um álbum solo?

Roger. Não muito. Para músicas autorais, gosto de compor com colegas e fazer parte de um conjunto. Álbum solo, só se fosse como interprete.

2112. Quem são suas maiores influências vocais?

Roger. Eu gosto mais das vozes femininas do que das masculinas. Femininas nacionais: Gal Costa, Zizi Pozzi, Clara Nunes, Elis Regina, Rita Lee.  Masculinas nacionais: Milton Nascimento, Djavan, Ney Matogrosso, Gilberto Gil. Femininas internacionais: Ella Fitzgerald, Kate Bush, Chaka Khan, Annie Haslan, Janis Joplin, Billie Holiday, Amy Winehouse. Masculinas internacionais: Jon Anderson, Al Jarreau, Nat King Cole, Michael Jackson, Bob Marley, Robert Plant, Marvin Gaye, Freddie Mercury.

2112. Você é do tipo de pessoa que ouve todos os tipos de música? Quais bandas e álbuns você curte mais?

Roger. Música Caribenha, Jazz, Forró, Funk (dos anos 70), Reggae, Samba, MPB, Clube da Esquina, Rock dos anos 60 e 70, etc

2112. Algum álbum de cabeceira?

Roger. Clube da Esquina 1 e 2 e ‘Going For the One’, do Yes. Gosto muito de coletâneas também, toda obra do Chico Buarque e do Gilberto Gil e de suas e seus interpretes, Earth Wind & Fire, Ella Fitzgerald, Clara Nunes, Mahavishnu Orchestra, Average White Band, etc...

2112. Você já participa de diversas bandas tributos como o Miltrens (dedicado ao Milton Nascimento), Yessongs, Rush Project, Estação do Groove, Nave, Alfândega, Genesis Live, além de atuar como freelancer. Como você da conta de tudo isso?

Roger. Os trabalhos têm diferentes demandas, alguns tocam com maior frequência, outros são mais esporádicos. Desses acima, alguns não estão mais ativos. Há outros na ativa também: a Synchronicity Band (tributo ao The Police), o Supertramps, O Half a Century (Tributo ao Rock Progressivo) e o Trio Andarilho (tributo a Zé Geraldo e Raul Seixas). Às vezes também vou como substituto para colegas quando ficam temporariamente indisponíveis por algum motivo de saúde ou outros trabalhos, etc.

2112. Falando no lendário Yes, em 2007 você foi contactado pela produção da banda para participar de uma das formações da banda. Você chegou a ensaiar com eles? Porque não deu certo?

Roger. É uma história longa: na época, quando o Jon Anderson teve alguns problemas de saúde, alguns dos outros integrantes do Yes começaram a cogitar uma nova formação. O Yes era produzido por uma agência chamada 21st Street Entertainment. O agente responsável pelo Yes (Jeff Warner) entrou em contato comigo. De início, ele não disse exatamente do que se tratava (isso demorou. Foram contatos por e-mail. O WhatsApp e o Facebook nem existiam ainda). Ele disse que ainda não estava autorizado pela agência para entrar em detalhes, mas que seria algo que poderia ser algo de ‘grande interesse’. Passou-se algum tempo, até que um amigo me chamou a atenção para uma nota que havia saído na revista argentina ‘Mellotron’ especializada em Rock Progressivo. A nota mencionava que, com a indisponibilidade do Jon Anderson, o Allan White e o Chris Squire estariam cogitando uma volta do Yes, com o Trevor Rabin na guitarra, o tecladista Ryo Okumoto (da banda Spock’s Beard) e o vocalista Roger Troyjo, da banda brasileira Yessongs, de tributo ao Yes. Quando vi essa notícia, procurei a confirmação com o Jeff Warner (que já tinha ficado algum tempo sem trazer novidades) e ele disse que se tratava disso mesmo. No entanto, ele me comunicou que esse era um plano dos integrantes, mas que, caso o Jon Anderson não estivesse mais no Yes, a agência considerava não seguir mais produzindo a banda. Passado mais algum tempo, o Jeff finalmente me confirmou que a banda e a agência não entraram em um acordo e, com isso, ele não seria mais o responsável. Ele disse que, caso o Yes quisesse levar adiante a ideia de uma nova formação, provavelmente um agente da nova produtora entraria em contato comigo, mas isso não aconteceu. Mais tarde, o Yes anunciou a volta do Steve Howe e inclusão do tecladista Oliver Wakeman (por indicação do pai, Rick Wakeman) e do vocalista canadense Benoit David, da banda de tributo ‘Close to the Edge’. Essa foi a formação que lançou o álbum ‘Fly From Here’, em 2011.

2112. Você participou do Festival da Música Brasilera da Rede Globo com a canção "A seu Tempo". Como foi essa experiência? O que mais o marcou?

Roger. Acho que esse foi um dos últimos festivais grandes da televisão, de músicas inéditas, transmitido ao vivo. Foi produzido pelo Serginho Groisman. Os colegas compositores, Maurício Nascimento e Márcio Porto e eu inscrevemos a música. Depois de algum tempo, recebi uma carta da Rede Globo informando que em uma primeira triagem de mais de 4.000 músicas inscritas, “A Seu Tempo” tinha sido escolhida entre as 36 finalistas e que uma nova triagem escolheria as 24 que iriam ser apresentadas na tv. Chegamos a ganhar um valor em dinheiro (não lembro mais quanto foi), mas não fomos escolhidos na última triagem. Mas, com o consentimento dos colegas, “A Seu Tempo” pôde ser lançada mais tarde no álbum “Segredos do Chão” da Nave, com um novo arranjo.

2112. Ainda no mesmo ano do festival (1988) você fez shows com a cantora Marianne Hertz no México e Estados Unidos. Em 2007 cantou no lançamento da campanha do Cristo Redentor como uma das “7 Novas Maravilhas do Mundo”, na ONU, em Nova York e gravou o segundo álbum da banda Nave: “Segredos do Chão”. Você tem uma vida bastante movimentada... como consegue ouvir música, ler livros, estudar (Roger é graduado em Psicologia Clínica, com especialização em Psicologia da Educação) e sair com os amigos?

Roger. Algumas dessas passagens aconteceram em épocas diferentes. Às vezes, não demandavam muito tempo. Mas, na maioria das vezes tomavam muito tempo, sim. Na época da faculdade, muitas vezes, eu dormia e estudava no carro ou em ônibus entre os shows à noite, as aulas de manhã e o trabalho à tarde (trabalhava em uma importadora de CDs, depois comecei a dar aulas de Canto no conservatório da Faculdade Marcelo Tupinambá). 

2112. Desculpa, mas você tem família? Como é conciliar tantos compromissos e ainda dividir o tempo com mulher e filhos? Me passa a receita.

Roger. Tenho o AMor da minha vida (coloquei as letras A e M em maiúsculas por serem as iniciais do Nome Dela). Meu pai biológico partiu em 2011 (muitas Saudades). Tenho minha Mãe e meu Pai Afetivo e meu Filho Afetivo, com 26 anos de idade, que mora e trabalha em Ribeirão Preto. 

2112. O que significa cantar para você?

Roger. “Reza a lenda” que certa vez em uma entrevista, o Freud foi perguntado o que era necessário para ‘ser feliz’. Ele teria respondido que a felicidade plena é impossível ao ser humano, mas que seria o mais feliz possível quanto mais pudesse realizar seus desejos sobre “Amar, trabalhar e se divertir”. Amar no sentido de se sentir estar Amando e de se sentir sendo Amado autenticamente. Trabalhar no sentido de se sentir produtivo e de criar algo que traga bem-estar para os outros e para si. Se divertir no sentido de experimentar cada segundo e cada experiência como algo que possa até ser familiar, mas majoritariamente novo (uma capacidade de se encantar ou de se “em-cantar”). Cantar Significa estar vivendo, respirando, com cabeça e coração funcionando e poder até ir além disso. Sonhar, levitar, transcender. Pena que nesse mundo e nesse tempo, isso esteja ficando de novo e cada vez mais difícil, com tanta intolerância, indiferença, segmentação, exclusão, competição, ódio, guerras.

2112. Roger, foi um prazer imenso fazer essa entrevista. O microfone é seu.

Roger. Muito Obrigado pela Consideração e pela Oportunidade, Carlos! Tanto na Psicologia quanto na Música, a gente precisa Ouvir muito, antes de se pronunciar. Peço desculpas por ter “falado” tanto. Mas, espero (e Esperanceio) que alguma coisa possa ser útil, de forma construtiva, para Alguém. E Espero poder Ouvir muita coisa construtiva também! Abraços e Obrigado!!

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