2112. Em 2019 o Terreno Baldio pegou a
todos nós de surpresa com o lançamento do single Indignação após tantos anos
sem gravar. Porque um single e não um álbum?
Roger. Na ocasião, como a banda tinha
uma formação completa novamente, a prioridade se voltou para as apresentações. A
música nova foi uma junção de temas trazidos pelo Lazzarini e pelo Mozart que
já estavam praticamente prontos. Foram feitas poucas alterações na letra
inicial e decidiu-se que seria interessante lançar a música, para divulgar que
a banda estava na ativa.
2112. Indignação deixou um fio de
esperança para quem esperava por um lançamento de um novo álbum o que acabou
não acontecendo. O que de fato aconteceu?
Roger. A intenção, de fato, era lançar
um álbum novo completo, inclusive com o acréscimo da música nova, de um tema
instrumental e da canção “Velho Espelho”, que foi composta nos anos 70 e
apresentada frequentemente nos shows, mas nunca havia sido gravada em estúdio.
Novamente, em função da COVID, os planos foram adiados. Em 2022, quando ainda
não tinham surgido variações do vírus, houve uma flexibilização das restrições
e foi dada prioridade para fazermos shows que estavam pré-agendados em SESCs
pelo interior de SP. Depois da pandemia, surgiu a oportunidade do relançamento
dos dois primeiros discos, em edições especiais em vinil. Rolaram alguns
problemas de saúde com alguns integrantes também, que fizeram os planos para o
disco novo ficarem em suspenso, mas não foram abandonados totalmente.
2112. ... mas existem novas
composições? Vocês tem projetos de lançar um novo álbum?
Roger. Existem temas para novas
composições. Mas, por enquanto não há previsão para um novo álbum.
2112. Qual a mensagem que vocês
queriam passar com Indignação?
Roger. Apesar dos créditos, a letra já
foi apresentada pronta. Apenas foram substituídas algumas palavras.
2112. Roger, você teve a dificil
tarefa de substituir o lendário João Kurk, amado pelos fãs da banda e do rock
progressivo. Como aconteceu o convite?
Roger. Em 1997, o João foi o produtor artístico
do primeiro álbum da Nave, um trabalho autoral do qual eu faço parte também.
Nos tornamos amigos desde então. Em 2017, o Terreno já havia voltado. Mas, a
agenda de shows do João estava bem cheia e algumas datas que pintavam para o
Terreno tinham de ser adiadas ou canceladas pela indisponibilidade do João.
Então, o Terreno decidiu buscar outro vocalista que pudesse substituí-lo
eventualmente, apenas para os shows que ele não pudesse fazer. O João e o
Cássio Polleto (tínhamos trabalhado juntos no tributo ao Gentle Giant), me
indicaram. Combinamos de fazer uma audição com a banda e eles me aceitaram. A
nota (muito) triste, foi que, justamente no dia em que eu fui substituir o João
pela primeira vez, ele veio a falecer. Na tarde daquele dia, nos falamos pelo
telefone. A última frase que eu ouvi do João, foi: “Divirta-se, menininho!”
(Ele costumava chamar assim alguns amigos).

2112. ... em algum momento durante os
shows você se sentiu inseguro? E qual foi a reação da platéia durante os shows?
Roger. Em todos! Cantar com o Terreno
Baldio é uma imensa honra e uma imensa responsabilidade. Não tem como não
sentir um frio na barriga. Mas, a beleza, a qualidade e o caráter ‘viajante’
das músicas fazem a gente ‘embarcar’ e as coisas vão fluindo. Me senti muito
bem recebido pelo público. Acho que curtiram bastante a possibilidade da
continuidade da banda. Interagiram bastante durante e depois dos shows.
2112. Vocês se encontram
periodicamente para ensaios, compor, fazer shows ou planejar projetos
relacionados a banda?
Roger. Os encontros têm sido mais
espaçados, mas continuamos em contato.
2112. Lendas Brasileiras foi relançado
em formato vinil mas não em cd. Você sabe informar se existe essa
possibilidade?
Roger. Existe, sim. Mas, por enquanto não há previsão.
2112. Você começou a ter aulas de
canto aos quatorze anos. O que isso influenciou no seu jeito de cantar e que
conselhos você daria aos que estão começando no ofício do canto?
Roger. Um dos primeiros ensinamentos
que minha saudosa Professora Mariuccia Lourenção me passou, foi: “há três
formas de cantar: cantar errado, cantar certo e cantar bonito (o que envolve o
certo)”. Educar a voz é extremamente importante. Quando se diz que os(as)
cantores(as) são ‘atletas da voz’, faz sentido. Se a intenção é transformar a
voz em um instrumento musical, é preciso estudar e praticar. É preciso tonificar
e trabalhar a elasticidade dos músculos do aparelho fonador. Isso faz com que a
gente seja um pouco ‘luthier’ do próprio instrumento. Ter um(a) profissional
capacitado(a) para apresentar as técnicas e acompanhar o desenvolvimento é
extremamente importante. Todos nós já encontramos alguém com musicalidade que
canta bem, mesmo que apenas intuitivamente. Mas, com o acompanhamento de um(a)
profissional, isso sempre pode ser muito mais potencializado. No início, a
evolução é rápida. Mas, é preciso ter paciência para não se esforçar demais no
início e persistência para continuar evoluindo. Praticando e se apresentando. E
outra coisa muito importante é ouvir os mais diversos estilos de (boa) música e
o máximo de cantoras e cantores possível. Não perder a capacidade de se
encantar com a música e de aprender.

2112. Acredito que conhecer a própria
voz é muito importante levando em conta os vários vocalistas de renome que
estão praticamente sem voz atualmente. A falta de informação é um desses
fatores ou isso acontece naturalmente o passar do tempo?
Roger. Conhecer o aparelho fonador é
extremamente importante para esse ofício! Também por isso, as orientações de
profissionais são imprescindíveis e, no caso do canto popular, indicar
equipamentos também. Mais uma vez, como um atleta, com bom condicionamento e
sem forçar demais, é possível preservar a voz por bastante tempo. Infelizmente,
muitos dos nossos ídolos, do rock dos anos 70, por exemplo, cantaram com pouca
técnica durante a juventude e com equipamentos sem a tecnologia que veio depois
e com bandas tocando no talo. Tinham que se esforçar muito para cantar e para
se escutar e em turnês muito extensas. Muito desgaste em um período específico
da carreira. Mas, educar e preservar a voz é um processo contínuo por toda
vida.
2112. Me responde uma coisa: É verdade
que o álcool e a água gelada prejudicam as cordas vocais ou isso é um mito?
Roger. O álcool, ao longo do tempo,
pode prejudicar a hidratação natural do aparelho fonador, em especial das
cordas vocais, e provocar ressecamento e lesões. É imprescindível para
cantores(as) ter bastante atenção com a hidratação: “se for beber álcool e cantar,
não deixe de tomar bastante água também!!” Sobre bebidas demasiadamente
geladas, o problema é o choque térmico. Enquanto estamos cantando, todo nosso
aparelho fonador está aquecido e flexível (como um atleta quando está em
atividade). O contraste com a água gelada provoca a contração dos músculos e
interfere na performance. É recomendável deixar o líquido muito gelado por
algum tempo na boca, até aquecer um pouco, antes de engolir. Mas, nada é mais
prejudicial do que o cigarro. O calor da fumaça e as toxinas dela ressecam as
cordas vocais, causando irritação crônica, ardor, mucosidade constante
rouquidão e o ‘envelhecimento’ das células. Elas ficam desprotegidas e o
pigarrear arranha e fere as cordas causando lesões e, eventualmente, nódulos
(chamados de ‘calos’). Elas também ficam mais pesadas e menos flexíveis. A voz
fica mais grave e rouca, em especial, as vozes femininas. A fumaça diminui a
capacidade pulmonar e afeta todos os órgãos do aparelho fonador, além de ser
altamente cancerígeno e nocivo ao sistema nervoso.
2112. Você começou a cantar
profissionalmente nas casas noturnas de São Paulo. Nesse período você já possuía
alguma banda ou cantava aonde era convidado?
Roger. No início, cantei mais em
apresentações nos conservatórios (Souza Lima e Marcelo Tupinambá) e nos
festivais de colégios que eram bem frequentes. Dessas apresentações, se
formaram algumas bandas que também se apresentaram em barzinhos. Daí, também
surgiram as bandas de bailes que se apresentavam em clubes e buffets. Cantei
também em corais (do CCSP e Tarde da USP). Durante o bacharelado e pouco
depois, cantei em recitais com a minha Professora Mariuccia Lourenção.
2112. Cantar na noite é um ótimo
estágio para quem está começando, não é? O que você mais aprendeu nesse período
e que te ajuda até os dias de hoje?
Roger. Cantar para o público é
imprescindível, em diferentes situações, para ir adquirindo experiência,
trabalhar a extroversão, a sensibilidade. Conhecer diferentes ambientes
acústicos, recursos, equipamentos. Pôr em prática diferentes impostações
vocais, em diferentes estilos e também trocar informações com colegas e gente
mais experiente.
2112. Você cantava que tipo de
repertório?
Roger. Nas primeiras bandas, era mais rock. Nos bailes, era bem variado:
MPB, Jazz, Samba, Forró, Disco, Pop, etc. Na faculdade, estudei e cantei música
dos períodos medieval e renascentista.
2112. Em 1988 você participou da
montagem do musical Jesus Cristo Superstar no papel principal. Como foi a
experiência de atuar e cantar?
Roger. Foi uma montagem organizada pelo
Conservatório Frutuoso Viana, que teve três apresentações no Auditório da
Biblioteca Municipal da Lapa. Não foi o musical inteiro, mas a apresentação de
várias canções dele, encenadas como esquetes. Foi minha primeira experiência com
microfone headset. As orientações do diretor (Nelson Gomes) foram muito
importantes. Eu era (ainda sou) bastante introvertido e ele me ajudou muito na
expressão e na desenvoltura, lições que ficaram para a vida inteira. Muitos
anos depois, fiz uma gravação da canção ‘Gethsemani’ em um take corrido, na
sobra de uma sessão de estúdio, que pode ser ouvida aqui: https://www.youtube.com/watch?v=hCY2yobwjsk&list=RDhCY2yobwjsk&start_radio=1
2112. Você é graduado em Técnicas
Vocais e fez diversos recitais em conjunto com a professora Mariuccia
Lourenção. Além de cantar você dá aulas de canto?
Roger. Depois da graduação, comecei a
dar aulas de Técnicas Vocais no Conservatório da própria Faculdade Marcelo
Tupinambá, participei de alguns workshops e dei aulas em outros conservatórios
e particulares. Mas, com o aumento das atividades com a Psicologia, fui parando
com as aulas.
2112. Quais são as maiores dificuldades
dos iniciantes?
Roger. Em geral, os iniciantes que têm
musicalidade se desenvolvem muito rapidamente quando têm os primeiros contatos
com as Técnicas Vocais. As maiores dificuldades iniciais têm a ver com o
estranhamento com as diferenças percebidas entre os locais onde praticam e onde
têm aulas e a acústica e equipamentos que ainda não conheçam quando vão se
apresentar. Adequar a impostação à acústica ou regular a equalização e volume
são questões que a gente vai aprendendo com as experiências e com toques de colegas.
Para que é mais introvertido(a), lidar com diferentes públicos, em diferentes
situações, também pode ser uma dificuldade.
2112. Como todo mundo que sonha em
viver de música você gravou diversos jingles para rádios e tvs, participou do Zeppelin
Cover, bandas de bailes etc. E com toda essa experiência você nunca pensou em
gravar um álbum solo?
Roger. Não muito. Para músicas
autorais, gosto de compor com colegas e fazer parte de um conjunto. Álbum solo,
só se fosse como interprete.
2112. Quem são suas maiores
influências vocais?
Roger. Eu gosto mais das vozes
femininas do que das masculinas. Femininas nacionais: Gal Costa, Zizi Pozzi,
Clara Nunes, Elis Regina, Rita Lee. Masculinas
nacionais: Milton Nascimento, Djavan, Ney Matogrosso, Gilberto Gil. Femininas
internacionais: Ella Fitzgerald, Kate Bush, Chaka Khan, Annie Haslan, Janis
Joplin, Billie Holiday, Amy Winehouse. Masculinas internacionais: Jon Anderson,
Al Jarreau, Nat King Cole, Michael Jackson, Bob Marley, Robert Plant, Marvin Gaye,
Freddie Mercury.
2112. Você é do tipo de pessoa que
ouve todos os tipos de música? Quais bandas e álbuns você curte mais?
Roger. Música Caribenha, Jazz, Forró,
Funk (dos anos 70), Reggae, Samba, MPB, Clube da Esquina, Rock dos anos 60 e
70, etc
2112. Algum álbum de cabeceira?
Roger. Clube da Esquina 1 e 2 e ‘Going
For the One’, do Yes. Gosto muito de coletâneas também, toda obra do Chico
Buarque e do Gilberto Gil e de suas e seus interpretes, Earth Wind & Fire,
Ella Fitzgerald, Clara Nunes, Mahavishnu Orchestra, Average White Band, etc...
2112. Você já participa de diversas
bandas tributos como o Miltrens (dedicado ao Milton Nascimento), Yessongs, Rush
Project, Estação do Groove, Nave, Alfândega, Genesis Live, além de atuar como
freelancer. Como você da conta de tudo isso?
Roger. Os trabalhos têm diferentes
demandas, alguns tocam com maior frequência, outros são mais esporádicos.
Desses acima, alguns não estão mais ativos. Há outros na ativa também: a
Synchronicity Band (tributo ao The Police), o Supertramps, O Half a Century
(Tributo ao Rock Progressivo) e o Trio Andarilho (tributo a Zé Geraldo e Raul
Seixas). Às vezes também vou como substituto para colegas quando ficam
temporariamente indisponíveis por algum motivo de saúde ou outros trabalhos,
etc.
2112. Falando no lendário Yes, em 2007
você foi contactado pela produção da banda para participar de uma das formações
da banda. Você chegou a ensaiar com eles? Porque não deu certo?
Roger. É uma história longa: na época,
quando o Jon Anderson teve alguns problemas de saúde, alguns dos outros
integrantes do Yes começaram a cogitar uma nova formação. O Yes era produzido
por uma agência chamada 21st Street Entertainment. O agente responsável pelo
Yes (Jeff Warner) entrou em contato comigo. De início, ele não disse exatamente
do que se tratava (isso demorou. Foram contatos por e-mail. O WhatsApp e o Facebook
nem existiam ainda). Ele disse que ainda não estava autorizado pela agência
para entrar em detalhes, mas que seria algo que poderia ser algo de ‘grande
interesse’. Passou-se algum tempo, até que um amigo me chamou a atenção para
uma nota que havia saído na revista argentina ‘Mellotron’ especializada em Rock
Progressivo. A nota mencionava que, com a indisponibilidade do Jon Anderson, o
Allan White e o Chris Squire estariam cogitando uma volta do Yes, com o Trevor
Rabin na guitarra, o tecladista Ryo Okumoto (da banda Spock’s Beard) e o
vocalista Roger Troyjo, da banda brasileira Yessongs, de tributo ao Yes. Quando
vi essa notícia, procurei a confirmação com o Jeff Warner (que já tinha ficado
algum tempo sem trazer novidades) e ele disse que se tratava disso mesmo. No
entanto, ele me comunicou que esse era um plano dos integrantes, mas que, caso
o Jon Anderson não estivesse mais no Yes, a agência considerava não seguir mais
produzindo a banda. Passado mais algum tempo, o Jeff finalmente me confirmou
que a banda e a agência não entraram em um acordo e, com isso, ele não seria
mais o responsável. Ele disse que, caso o Yes quisesse levar adiante a ideia de
uma nova formação, provavelmente um agente da nova produtora entraria em
contato comigo, mas isso não aconteceu. Mais tarde, o Yes anunciou a volta do
Steve Howe e inclusão do tecladista Oliver Wakeman (por indicação do pai, Rick
Wakeman) e do vocalista canadense Benoit David, da banda de tributo ‘Close to
the Edge’. Essa foi a formação que lançou o álbum ‘Fly From Here’, em 2011.
2112. Você participou do Festival da
Música Brasilera da Rede Globo com a canção "A seu Tempo". Como foi
essa experiência? O que mais o marcou?
Roger. Acho que esse foi um dos últimos
festivais grandes da televisão, de músicas inéditas, transmitido ao vivo. Foi
produzido pelo Serginho Groisman. Os colegas compositores, Maurício Nascimento
e Márcio Porto e eu inscrevemos a música. Depois de algum tempo, recebi uma
carta da Rede Globo informando que em uma primeira triagem de mais de 4.000
músicas inscritas, “A Seu Tempo” tinha sido escolhida entre as 36
finalistas e que uma nova triagem escolheria as 24 que iriam ser apresentadas
na tv. Chegamos a ganhar um valor em dinheiro (não lembro mais quanto foi), mas
não fomos escolhidos na última triagem. Mas, com o consentimento dos colegas,
“A Seu Tempo” pôde ser lançada mais tarde no álbum “Segredos do Chão” da Nave,
com um novo arranjo.

2112. Ainda no mesmo ano do festival
(1988) você fez shows com a cantora Marianne Hertz no México e Estados Unidos.
Em 2007 cantou no lançamento da campanha do Cristo Redentor como uma das “7
Novas Maravilhas do Mundo”, na ONU, em Nova York e gravou o segundo álbum da
banda Nave: “Segredos do Chão”. Você tem uma vida bastante movimentada... como
consegue ouvir música, ler livros, estudar (Roger é graduado em Psicologia
Clínica, com especialização em Psicologia da Educação) e sair com os amigos?
Roger. Algumas dessas passagens
aconteceram em épocas diferentes. Às vezes, não demandavam muito tempo. Mas, na
maioria das vezes tomavam muito tempo, sim. Na época da faculdade, muitas
vezes, eu dormia e estudava no carro ou em ônibus entre os shows à noite, as
aulas de manhã e o trabalho à tarde (trabalhava em uma importadora de CDs,
depois comecei a dar aulas de Canto no conservatório da Faculdade Marcelo
Tupinambá).
2112. Desculpa, mas você tem família?
Como é conciliar tantos compromissos e ainda dividir o tempo com mulher e
filhos? Me passa a receita.
Roger. Tenho o AMor da minha vida
(coloquei as letras A e M em maiúsculas por serem as iniciais do Nome Dela).
Meu pai biológico partiu em 2011 (muitas Saudades). Tenho minha Mãe e meu Pai
Afetivo e meu Filho Afetivo, com 26 anos de idade, que mora e trabalha em
Ribeirão Preto.
2112. O que significa cantar para
você?
Roger. “Reza a lenda” que certa vez em
uma entrevista, o Freud foi perguntado o que era necessário para ‘ser feliz’.
Ele teria respondido que a felicidade plena é impossível ao ser humano, mas que
seria o mais feliz possível quanto mais pudesse realizar seus desejos sobre
“Amar, trabalhar e se divertir”. Amar no sentido de se sentir estar Amando e de
se sentir sendo Amado autenticamente. Trabalhar no sentido de se sentir
produtivo e de criar algo que traga bem-estar para os outros e para si. Se
divertir no sentido de experimentar cada segundo e cada experiência como algo
que possa até ser familiar, mas majoritariamente novo (uma capacidade de se
encantar ou de se “em-cantar”). Cantar Significa estar vivendo, respirando, com
cabeça e coração funcionando e poder até ir além disso. Sonhar, levitar,
transcender. Pena que nesse mundo e nesse tempo, isso esteja ficando de novo e
cada vez mais difícil, com tanta intolerância, indiferença, segmentação,
exclusão, competição, ódio, guerras.
2112. Roger, foi um prazer imenso
fazer essa entrevista. O microfone é seu.
Roger. Muito Obrigado pela Consideração
e pela Oportunidade, Carlos! Tanto na Psicologia quanto na Música, a gente
precisa Ouvir muito, antes de se pronunciar. Peço desculpas por ter “falado”
tanto. Mas, espero (e Esperanceio) que alguma coisa possa ser útil, de forma
construtiva, para Alguém. E Espero poder Ouvir muita coisa construtiva também!
Abraços e Obrigado!!