O blog 2112 foi formado com intenção de divulgar as bandas clássicas de rock, prog, hard, jazz, punk, pop, heavy, reggae, eletrônico, country, folk, funk, blues, alternativo, ou seja o rock verdadeiro que embalou e ainda embala toda uma geração de aficcionados. Vários sons... uma só tribo!



domingo, 23 de fevereiro de 2025

Entrevista Jair Fonseca (Gato Jair - Banda Último Número)

2112. Antes de criar o Divergência Socialista e o Último Número você fazia performances coletivas/individuais de poesias com livros impressos em mimeógrafo ao lado de Marcelo Dolabela e Rubinho Mendonça. Como surgiu esse projeto? 

Jair. Surgiu de um grupo de estudantes universitários liderados por Marcelo Dolabela, bem como de alguns secundaristas como Rubinho, em torno de uma revista chamada Cemflores, inicialmente patrocinada pelo DCE Cultural da UFMG.

2112. ... e como era a reação das pessoas nessas apresentações? 

Jair. Variava. Em faculdades e colégios, o público era mais quietinho. Em bares e manifestações extra-muros, o clima era mais festivo e bagunçado. Recepção sempre boa. Era o final dos anos 70, início dos 80.

2112. ... havia também as revistas culturais custeadas pelas entidades estudantis. Esse material era apenas para os estudantes ou também era distribuída nas ruas?

Jair. Mais voltado para o público estudantil, embora também houvesse intervenções de rua.

2112. Jair, como surgiu o Divergência Socialista e quem fazia parte da banda além de você?

Jair. O D.S. foi ideia do Marcelo, após o Sexo Explícito. Queríamos ir além do texto impresso e também convidar músicos e performers pra participarem da experiência.

2112. Musicalmente a banda tendia para o punk rock ou incluía também experimentos sonoros?

Jair. As duas coisas. Dolabela convidou Roberto Nosso, meu irmão, que era da Revolta Urbana, uma das primeiras bandas de punk rock de BH, e então fizeram algumas parcerias. Ao mesmo tempo, Marcelo fazia o que chamava de ''dada music'', com experimentação eletrônica com o vocal pop-feminino de Silma Bijoux.

2112. Na época vocês registraram algum material tipo demos ou ensaios para venderem em k7 nos shows ou esse material nunca foi lançado oficialmente?

Jair. O D.S. registramos em fita magnética tanto em shows ao vivo quanto em estúdios. Saíram cópias em K7, mas esse material só foi lançado em CD em 2013.

2112. O nome da banda é bem instigante numa época de grandes mudanças políticas com o fim do regime militar e a campanha Diretas Já! Como eram os shows?

Jair. O nome era uma brincadeira/provocação com um grupo de esquerda do movimento estudantil, Convergência Socialista. Teve um show nesse tempo das Diretas em que tomamos muitas vaias porque o tipo de som, letras e performances do D.S. era bem diferente do Clube da Esquina... Lembro que o Wagner Tiso tocaria depois.

2112. Marcelo e Rubinho formaram o Sexo Explícito e até onde sei gravaram um único álbum. Você chegou a compor algum material para a banda?

Jair. Marcelo saiu para criar o Divergência, e não chegou a gravar com o Sexo Explícito, que lançou dois álbuns depois. Eu fazia alguns vocais, mas compus pouco com eles, e as canções não foram gravadas.

2112. Vocês chegaram a dividir o mesmo palco?

Jair. Sim. O Sexo Explícito foi bem divertido. Nós íamos de pijamas e havia um coro de garotas de camisolinhas.

2112. O que levou a Divergência Socialista decretar o seu fim? Você já tinha outros projetos em mente?

Jair. A D.S. foi o único desses três grupos que restou, mesmo após a morte de Dolabela em 2020. Ficou como homenagem a ele. De vez em quando ainda se apresentam em BH. guitarras e violões. 

2112. O Último Número, nome retirado de um poema de Augusto dos Anjos, surgiu com você (vocais e letras), John Ulhoa (guitarras e violões), Paulo Horta (baixo e depois guitarras e violões quando Bob F. passa para o baixo), Otávio Martins (guitarras e violões) e Clode Franco (bateria). O que esse novo projeto difere dos grupos anteriores? 

Jair. Nesse, eu escrevi quase todas as letras, em parceria com os amigos músicos, e fomos até bem longe, apesar dos limites das cenas independentes dos anos 80. Nos outros grupos, os poetas eram Dolabela e Rubinho. Nesse, sou eu mesmo.

2112. Que compositores e poetas influenciaram o seu modo de enxergar a vida e seu jeito de compor? Algum livro em especial?

Jair. Muitos. Do Brasil, clássicos da canção como Noel Rosa, Orestes Barbosa, Cartola, Nelson Cavaquinho, Lupicínio Rodrigues, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Caetano. Clássico é com quem a gente aprende. Na poesia, a lista seria maior, mas também é de clássicos: o patrono Augusto dos Anjos, os muitos modernistas Drummond, Bandeira, Augusto de Campos; os tropicalistas Torquato Neto, Capinam, Waly Salomão. Estrangeiros, aos montes também: Bob Dylan, Serge Gainsbourg, Jim Morrison, Leonard Cohen, Nick Cave. Chamo a atenção para a qualidade de suas letras. A lista dos poetas seria infindável. Fica de Rimbaud e Baudelaire etc.

2112. ... musicalmente ainda hoje curto muito as composições de Tom  Verlaine (Televison), Robert Smith (The Cure), Ian McCulloch (Echo & The Bunnymen), Ian Curtis (Joy Division) e David Byrne (Talking Heads) além claro de Bowie e Iggy Pop. E você?

Jair. Os mesmos citados por você e os que escrevi acima.

2112. Com a explosão do BRock surgiu uma infinidade de bares, teatros, boates, pubs, festivais, zines, revistas e selos independentes que acolheu o movimento de braços abertos. Como foi esses primeiros anos? 

Jair. Era um outro mundo, porque ainda não se popularizara a informática, as tecnologias digitais, nem a internet.

2112. Que bandas desse período você gostou mas que não teve o devido reconhecimento por da crítica e do público na sua opinião? 

Jair. No Brasil, lembro que Picassos Falsos, Fellini, Hojerizah, Júpiter Maçã, etc, poderiam ser bem mais e melhor reconhecidos. Sexo Explícito também.

2112. ... que bandas você não curtia a nível musical e mesmo de discurso?

Jair. Ultraje a Rigor, Engenheiros do Havaí, por exemplo. 

2112. Logo o Último Número lança pela Câmbio Negro dois álbuns que na minha opinião são verdadeiros clássicos: O Strip-Tease da Alma e Filme. Como foi as gravações desses dois álbuns? 

Jair. Gravações rápidas e precárias, por falta de dinheiro.

2112. Havia muita tensão no estúdio para registrar o material do jeito que vocês queriam? Vocês mesmo fizeram os arranjos?

Jair. Sim, de olho no relógio. Tempo é dinheiro no estúdio. Produtor musical faz falta.

2112. ... entre um álbum e outro John sai para fundar o Pato Fu e entra Bob, ex-Ordem Humana no seu lugar. O que essa mudança trouxe de novo e o que levou John a sair da banda? 

Jair. John queria se dedicar ao Sexo Explícito, que era mais empenhado profissionalmente. Paulo Horta era guitarrista, então passou do baixo para a guitarra em lugar do John. Tinham estilos diferentes. E o Bob era baixista. 

2112. Ambos os álbuns tiveram ótimas críticas. Isso ajudou a abrir portas para a banda?

Jair. Sim. Até os críticos mais ''temíveis'' tratavam das qualidades dos álbuns em revistas e jornais, que eram importantes na época. Rádios independentes tocavam. Havia rádios piratas e comunitárias também. Convites para shows em lugares prestigiosos, como Circo Voador, Madame Satã, Sesc Pompéia, etc.

2112. Naquele período surgiu um grande número de bandas vindas de todos os cantos do país. Como era manter uma banda com tanta concorrência?

Jair. Tinha lugar pra todo mundo. Por exemplo, o Circo Voador fazia um festival no verão do Rio, principalmente com bandas independentes, do Brasil todo, durante semanas. Lotado.

2112. Você chegaram a ser abordados por alguma grande gravadora?

Jair. Sim. A BMG-Ariola, antiga RCA, que nos contratou com outras bandas de Minas para o que se chamava de ''pau-de-sebo'', pra ver quem chegaria ao alto. Claro que não deu certo, a começar pelo título do negócio: ''Rock Forte''. Trocadilho infame com o queijo de MInas...

2112. Voltando aos álbuns... a meu ver Filme é mais sofisticado que Strep-Tease da Alma que soa mais cru e urgente. Estou errado na minha afirmação?

Jair. Certíssimo. A começar pela diferença de produção. De oito pra dezesseis canais de gravação. E ainda era tudo analógico...

2112. A regravação de Longa Vita Brevis ficou bem mais climática que a versão anterior. Vocês tiveram pouco tempo na preparação e gravação do primeiro álbum? 

Jair. Inexperiência, além dos referidos problemas de produção, além do pouco tempo, ou seja, de dinheiro para o estúdio.

2112. Infelizmente não tive acesso ao Museu do Mundo que para muitos fãs é o canto do cisne da banda. Você poderia falar um pouco sobre as gravações e regravações que inclue até uma magnífica releitura para Come Together dos Beatles?

Jair. Gravação digital, o que barateou os custos, mas também com pouco dinheiro. Tanto que quase todas as gravações da bateria foram feitas a partir do analógico e transpostas para o digital. Pelo que me lembro, Come Together tá no LP Filme. A canção Filme é que foi regravada no CD Museu do Mundo.

2112. Os três álbuns nunca tiveram edições em cds ou mesmo em vinil. Existe algum projeto de relançá-los? Pergunto isso visto a dificuldade em se conseguir os álbuns da banda.

Jair. Museu do Mundo saiu em CD. Os outros, não. E não havendo as fitas magnéticas originais dos LPs talvez não valha a pena digitalizar o som do vinil e passar para vinil de novo ou para CD. Perde-se muito.

2112. O grupo acabou ou apenas deu uma pausa nas suas atividades? Vocês ainda mantém contato? Existe a possibilidade de um retorno como fez recentemente o Oasis e o R.E.M.?

Jair. Na prática, o grupo acabou, mas pode voltar informalmente ou mesmo gravar canções inéditas. Algumas já estão prontas há anos. E ainda mantemos contato, embora estejamos espalhados por aí.

2112. Independente disso... você continua compondo?

Jair. Não. Mas as parcerias podem voltar

2112. Você nunca cogitou a possibilidade de gravar um álbum solo? 

Jair. Não, de fato não sou músico, mas poeta que fez canções em parceria.

2112. ... o microfone é seu! 

Jair. Grato pela lembrança!

Discografia

O Strip-Tease da Alma (1986)

 


01 Dama Da Noite

02 Ars Longa Vita Brevis

03 Animal Sentimental

04 A Divina Comédia 

(O Jogo da Amarelinha)

05 Insistência

06 Eu Não Vôo

07 O Tempo dos Assassinos

08 Perjúrio

09 Agora Não

10 Destino

11 O Strip-Tease da Alma

 

Filme (1988)

 

01 Desintoxicação

02 Carta do Marquês

03 Os Doze Trabalhos

04 Ars Longa Vita Brevis II

05 Filme

06 Come Together

07 O Anjo (Canção Bizantina)

08 Museu do Mundo

09 s.t.

 

Museu Do Mundo (2001)

 


01 A bíblia

02 O bêbado e as mulheres belas 

(lupicínica nº5)

03 roendo as unhas

04 É que eu não sei o que eu não sou

05 Os fogos dos jogos

06 I fell in love one day

07 Vermelho vivo

08 Miracle

09 Oração que o senhor nos ensinou

10 Limbo

11 Filme

12 Museu do mundo

 

Obs.: Todas utilizadas nessa postagem foram retiradas da internet e portanto não tinha o nome dos fotógrafos. Portanto, se alguémsabe favor enviar para o meu e-mail furia2112@gmail.com que eu faço as devidas correções.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Entrevista Isaura La Cour

2112. Primeiramente como surgiu o programa Metal Messiah Radio?

Isaura. Na verdade não é um programa e sim uma web radio internacional que foi criada em janeiro de 2008, e que toca o bom e velho metal em uma programação com DJ’s em todas as partes do planeta, abrangem bandas e artistas de todos os continentes com doses cavalares de Heavy Metal 24 horas por dia/7 dias por semana. Logicamente que o Brasil não ficaria de fora e eu que sou brasileira, agora radicada nos Estados Unidos, sempre tive o metal correndo nas veias desde os anos 80 quando eu era produtora da Praça do Rock e assessora de algumas bandas. Quando me mudei parar os EUA em 2000, sempre tive o sonho de poder divulgar por aqui as bandas brasileiras. Então entrei em contato com o DJ Matthew Szablewicz que faz o programa NYC Metal Scene, e ele adorou a idéia de ter no programa um bloco dedicado ao Brasil. O programa vem obtendo um enorme reconhecimento não só das bandas, mas também de grandes gravadoras, fruto de uma equipe honesta, índole e que trabalha corretamente em prol do Metal! O Programa NYC Metal Scene Show, na Metal Messiah Radio, já está com o bloco brasileiro há 3 anos. Sem necessidade de aplicativos, sem vendas inoportunas, sem pop-ups, ou seja, somente conteúdo recheado de muita música boa, entrevistas ao vivo, chat online e completa interação entre todos com o melhor do metal mundial e do Brasil às terças feiras.

2112. Todo início de projeto é complicado, é como tentar correr num terreno acidentado sem levar tombos. Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas até o programa se firmar?

Isaura. Na verdade não tive dificuldade alguma em criar esse projeto com a aprovação do Matthew (Matt). Tive dificuldade sim em encontrar e ter a credibilidade das bandas do Brasil. Precisávamos de material, então coloquei o Vagner Ferreira que é nosso contato do Brasil para nos acessorar aqui. Hoje temos ele que nos manda material, o Thiago do Cangaço do Megal, a Assessoria de Imprensa feita pelo Metal na Lata do Jonnhy Z, o programa de entrevistas Ethnos Rock no YouTube com nosso parceiro Claudio Tiberios, e as produtoras Som do Darma da Susi dos Santos e do Eliton Tomasi e a Sangue Frio Produções do Patrick de Souza. 

2112. ... o programa é um dos maiores divulgadores do nosso metal no exterior. Existe realmente barreiras em relação às bandas que não cantem em inglês ou isso é folclore?

Isaura. O programa não é "um dos" haha... é o maior kkkkkk. Não existe barreira alguma. Os gringos até gostam de ouvir em português como era a galera da minha geração, quando ouvíamos em inglês e não entendíamos nada. Mas sabíamos que arrepiava até a alma. 

2112. Tirando Sepultura, Angra, Viver, Shaman etc que tiveram grande exposição que outras bandas tem ou estão tendo uma boa repercussão no mercado americano de metal?

Isaura. Tem sim. Existem bandas que estão tendo um destaque grande aqui fora como o Claustrofobia, Krisium... e estamos tentando enfiar goela abaixo o Sacrifix, Vulcano, Deathgeist e muitas outras que já participaram do programa. 

2112. A set lists dos programas são pré-montadas ou os ouvintes podem ligar pedindo músicas?

Isaura. Não. Nós selecionamos as bandas que nos manda material e são muitas. Toda semana temos até 4 bandas brasileiras em cada programa. Às vezes acontece de fazermos entrevistas ao vivo.

2112. ... a título de curiosidade, quais são as bandas mais pedidas?

Isaura. Pedidas não há. Existem as que mais participaram do programa. Holocausto War Metal, Metauro, Sacrifix, Siengrid Ingrid, Chaosfear, Nervochaos, Gomorra, Genocidio, e a banda que temos um carinho muito grande que foi a primeira a entrar na programação: o Scalped de Minas Gerais. Mas tem muitos outras que estão sempre renovando material e estamos dando o espaço para a divulgação e se eu destacar somente essas estarei sendo injusta. Não existe banda que toca mais do que a outra e sim bandas que estão sempre conosco desde o primeiro programa. Chamamos as bandas também de parceiras. Todas tem um lugar e uma história muito especial com a gente. Acabamos virando uma grande família que as bandas sabem que podem contar com a gente aqui no hemisfério norte para serem divulgadas em uma web radio pelo mundo todo. 

2112. Isaura, e como as bandas podem enviar material para vocês?

Isaura. Podem mandar material para o seguinte e-mail: brmetalmessiah@aol.com ou  entrar em contato com nossos representantes no Brasil: Vagner Ferreira: vagnermetalheart@gmail.com ou Thiago Loureiro: cangacodometal666@gmail.com . Eles passam todas as informações para as bandas. 

2112. Sempre gostei de mulheres no rock, elas dão um charme todo especial ao estilo e a prova disso é a banda Nervosa que quebrou os parâmetros machistas do metal com um som avassalador. Como fã e divulgadora do metal, o que isso significa para você?

Isaura. Eu acho sensacional. A Nervosa veio em um momento que estávamos carentes de mulheres na cena. Tínhamos o Ajna com a Tibet, uma grande vocalista e representante dos vocais femininos, que representa até hoje a mulherada do e nos anos 80 havia a banda Ozone e Volkanas. A chegada da Nervosa foi um estouro, pois uma banda de metal feminina do Brasil ser comparada com outras bandas clássicas com décadas de estrada como Kreator, Destruction, Slayer, Exodus, e Suicidal Tendencies é muito orgulho. É pra se aplaudir de pé.  

2112. Que eu me lembre apenas as Runnaways, Girlschool e L7 tiveram um relativo sucesso. O que você tem ouvido de interessante nesse segmento?

Isaura. Bom, são três bandas diferentes. Runnaways e Girlschool são mais para o lado do punk rock anos 70/80. Já L7 entrou de sola na geração grunge anos 90. Eu ouvi muito Warlock, Heart, Vixen também... e hoje gosto muito do som da banda californiana Dorothy. 

2112. ... antes que reclamem, não citei Suzy Quatro, Joan Jet, Doro Pesh, Lita Ford, Wendy O. Williams etc porque os seus grupos eram/são mistos. Mas nada que tire os seus méritos, não é?

Isaura. De forma alguma. Mesmo por que eu citei algumas delas anteriormente. Ano retrasado estive no show da Joan Jet. Foi muito bom. Doro e Lita são deusas. Wendy história! Nina Strauss é pura tecnica... Cada uma com seu valor independente da época. 

2112. Isaura, que bandas você mais ouve? Você tem algum álbum de cabeceira?

Isaura. Sim. Sou muito eclética. Não ouço apenas metal. Ouço de tudo desde que tenha alguma coisa que me chame atenção. Metal amo Exodus e Rob Zombie. Gosto muito do estilo Stoner Rock, e gosto muito também dos vikings do Amon Amarth. Do Brasil não sei como não furei ainda o CD da banda Scars. Hahaha 

2112. Você curte outro estilos ou ouve apenas metal?

Isaura. Gosto sim de outros estilos. Gosto muito de Funk anos 70/Disco Music, Rock Progressivo, e música clássica. Mas como eu disse: se tiver letra boa e ritmo bom tô dentro. Até samba de roda eu encaro kkkk. 

2112. Tem alguma banda que você curte e o público do metal detesta?

Isaura. Vixi....deixa eu pensar... Ah já sei! POISON! hahahaha  

2112. O programa já promoveu ou promove shows de bandas brasileiras aí em Nova York?

Isaura. Ainda não. Mas espaço não falta. O problema são as bandas do Brasil sair da caixinha e irem atrás de passaporte e os membros tirarem férias do trabalho na mesma época. Querer todo mundo quer. O problema é se mexer. Nós divulgamos, mas não podemos dar tudo mastigado e te digo uma coisa: tem músico que quer ser estrela do rock mas tem preguiça até de mandar material. Daí fica dificil. 

2112. ... entendo bem disso. Ano passado o Sepultura anunciou o encerramento de suas atividades após quarenta anos. Qual a sua opinião sobre o assunto? Você acha que a banda ainda tinha lenha para queimar ou eles pararam no momento certo?

Isaura. Bom, minha opinião sobre o Sepultura (desde quando eu tive um relacionamento rápido com o Max nos final dos anos 80...) sempre achei que ter acabado a banda foi a maior estupidez do mundo. O som deles era redondo. Um completava outro. Daí, veio o rabo de saia e interesses monetários. E o Sepultura atual perdeu a alma do original. Eu posso dizer que "aceitava" mas tinha alguma coisa ali que não estava completa. Mas acho que eles sabem o que fazem. Quem sou eu pra falar se era ou não momento de parar. Chega uma hora na vida da gente que mudam os nossos valores e nossos objetivos. E com eles não foi diferente. Mesmo se o original voltasse com o Max, não seria a mesma coisa. A magia havia se quebrado. 

2112. Roots é um puta álbum que abriu portas para o metal experimentar novos caminhos assim como o Black Sabbath já havia feito em Never Say Die ao incluir passagens jazzisticas em algumas músicas do álbum. O que você acha dessas fusões?

Isaura. Eu acho excelente. Música é isso. É isso que os headbangers precisam entender. Música é arte! E nessa arte não existe apenas Heavy Metal. Existe muita coisa legal pra ser explorada. Só não misturar lixos como funk carioca que já está tudo lindo, porque aquilo pode ser tudo, menos música e arte. hahahaha 

2112. O que você achou dos irmãos Cavalleras regravarem os dois primeiros álbuns da banda? Na sua opinião ainda soa como Sepultura?

Isaura. Foi como eu te disse anteriormente, é Sepultura, mas não é a mesma coisa. Algo se perdeu no caminho...

2112. O selo Classic Metal Records tem realizado um trabalho fantástico ao relançar diversos álbuns raros de hard e metal. Você tem acompanhado de perto esses relançamentos?

Isaura. De perto não, mas tenho acompanhado pelas mídias sociais. Vi coisas realmente muito boas sendo lançadas principalmente nacionais dos anos 90 como Cavalo Vapor, Patrulha do Espaço e Siegrid Ingrid. 

2112. Apesar do pioneirismo das bandas Stress e Karisma foi com o lançamento dos álbuns SP Metal I & II que a cena metálica se concretizou. E esse ano ambos os álbuns completam quarenta anos e eu te pergunto: que balanço você faz desses últimos quarenta anos do metal brasileiro?

Isaura. O metal brasileiro evoluiu muito como era de se esperar com a tecnologia. Mas infelizmente, a mesma tecnologia fez com que o espaço fosse mais disputado entre as bandas. Hoje existe uma competição muito arisca entre as bandas. É muita gravação de cds mas pouquíssimos espaços e nada de shows. O negócio do momento é imprimir novos álbuns, divulgar e parar por ai.  Virou uma mesmisse. Sem contar que agora o rock está dividido em opiniões políticas. Muito triste isso. O rock não pode ser politizado. O rock é livre de tudo. 

2112. Entre as novas bandas quais tem chamado a sua atenção?

Isaura. Sgaile e Drain.

2112. (Considerações finais) ... o microfone é seu!

Isaura. Bom, gostaria de agradecer a você por este espaço e convidar todos para sintonizar a Metal Messiah Radio e principalnente o NYC Metal Scene que acontece todas as terças-feiras das 19h EST. (21h Brasil), direto de Nova York totalmente GRATUITO, sem comerciais e sem aplicativo! Basta acessar: https://nycmetalscene.com ou www.metalmessiahradio.com .Um link para ouvir, o outro para entrar no chat mais maluco do mundo. Não há pop-ups e ninguém está tentando vender nada. Apenas o metal matador estará tocando. E se você tem banda, conte conosco!!!! Obrigada 

 


Johnny Z.

 
 Thiago Loureiro  
 

 Vagner Ferreira
 
 
Dedico esta entrevista a todos os radialistas que promovem o rock brasileiro.