O blog 2112 foi formado com intenção de divulgar as bandas clássicas de rock, prog, hard, jazz, punk, pop, heavy, reggae, eletrônico, country, folk, funk, blues, alternativo, ou seja o rock verdadeiro que embalou e ainda embala toda uma geração de aficcionados. Vários sons... uma só tribo!



segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Entrevista Carol Schineider

2112. "Quero” será lançado na próxima semana. Quais as suas expectativas em relação ao trabalho? Você está muito anciosa?

Carol. Estou há um mês trabalhando na divulgação desse lançamento, é uma música bem importante, produzida independente, então tem um pouco de ansiedade e as melhores expectativas, a maior delas é que seja apenas um primeiro lançamento de vários que estão por vir.

2112. O material gravado são composições recentes ou já são conhecidas do público que frequenta seus shows?

Carol. "Quero" já é uma música conhecida pelos amigos e aqueles que frequentam meu show. Mas para essa gravação ele tem alguns arranjos de piano e gaita que não apresento nos shows.

2112. Esse trabalho é fruto de quanto anos de luta? Os bastidores da vida de um músico independente não é dos mais fáceis, não é?

Carol. "Quero" é uma música de 2018, minha primeira composição folk, ando dizendo que ela é um marco na minha vida, porque mudou meu modo de compor e a partir dela tantos folks vieram. Esse trabalho é fruto de todos meus anos de estrada, de palcos, das coisas que ouço, creio que tudo influencia, mesmo que indiretamente. Acredito que, chegar nesse lançamento, foi muita influência também do show one woman band que tenho feito, me aproximou mais do folk. A vida do músico independente é complicada kkk Estava refletindo sobre isso no dia do músico, tantos amigos compartilhando e parabenizando pelo dia, o quão poético pode soar essa data, mas o quão triste também, para aqueles que trabalham com a música, pois é um serviço muito desvalorizado. O músico independente por vezes tem que fazer tudo... ensaiar, produzir, cuidar da agenda, fazer o marketing... quem faz, faz porque gosta e por gostar, seguimos.

2112. ... não é injusto afirmar que os que permanecem é por amor ao ofício, certo?

Carol. Não, trabalhar com música é para os que amam o que fazem, pois é um trabalho muito desvalorizado e de muita luta.

2112. No estúdio foi apenas você e violão ou rolou a participação de velhos amigos de estrada?

Carol. Essa música foi gravada no estúdio do André Laine, que também gravou piano. Também participaram os amigos Daniel Santos, que gravou o baixo acústico e Helder Clério, que gravou a gaita. Eu quis manter a pegada do one woman band nessa gravação, mas com alguns arranjos que só deixaram a música mais bonita e para isso, contei com o apoio desses amigos.

2112. O projeto final incluindo gravação, mixagem, capa, repertório... ficou do jeito que você planejou?

Carol. Sim, foi tudo feito com muito carinho, total atenção e dedicação. Acompanhei cada processo, tem dedo meu em tudo. 

2112. O que você aborda diretamente nas suas letras? Vejo que muitos compositores expõem suas dores, frustrações, intimidade... e já outros criam situações observando o que acontece a sua volta. E você?

Carol. Compor para esse projeto solo tem sido curioso, porque a maioria das músicas vem sempre de um poema meu. Tenho falado muito de coisas do coração nessas músicas, o que é engraçado, porque sempre foi algo que não gostava muito de falar e nem de compor sobre isso, desde quando comecei a compor. E é uma virada de chave no meu modo de compor, porque eu que já componho pra minha banda Bicho Mecânico de Asas, onde falo de outras vivências, outras percepções... no solo falo de coisas mais íntimas. 

2112. Entre o material gravado tem alguma de suas poesias musicadas?

Carol. Além de "Quero" já estão gravadas outras músicas que estão em fase de mixagem e saem em breve. Todas essas músicas vieram de poemas meus, quase todas essas músicas que estão pra sair, estão no meu primeiro livro de poemas.

2112. Quem mais te influencia no seu jeito de cantar, tocar e compor? 

Carol. Não sei dizer se tem alguém específico, acho que é meio que uma mistura de tudo o que ouço e vivo, mas com certeza tem um pouco de Mumford and Sons.

2112. Sempre que assisto ao seus vídeos me vem a cabeça as figuras de Joni Mitchell e Joan Baes. Você curte?

Carol. Que legal e que honra kkk. Confesso que conheço muito pouco o som delas, mas reconheço a grandiosidade e quão importante são para a música folk.

2112. Em recente postagem você revelou a capa do ep e também mencionou a seguinte informação: "Essa é a capa do meu próximo single." Além de Quero existe outras gravações sua já lançadas?

Carol. Foi lançada a capa da música "Quero". Creio que primeiro semestre de 2023 teremos mais músicas lançadas e um ep. Além dessas que estão por vir, tenho lançada a música "Fica", que já está em todas as plataformas de streaming.

2112. Nessa mesma postagem você afirma: "A idéia de algo simples e direto, que representa bem esse single, onde trago meu som folk, cru, orgânico, acústico... " No futuro você pretende investir em algo ligado a uma banda ou seguirá apenas voz e violão?

Carol. Os próximos lançamentos com data para o próximo semestre, já fogem do voz e violão, trazendo um pouco do one woman band que trago dos meus shows e além disso, conto com arranjos de outros instrumentos. Mas não descarto a possibilidade de banda para as próximas produções. Música é uma coisa muito doida, não da pra ficar limitando, por vezes você entra para estúdio com uma ideia, pouco depois já vão surgindo outras.

2112. Além deste ep que outros projetos você tem para o próximo ano?

Carol. Produzir, gravar e lançar mais músicas. E além disso, tocar, claro.

2112. Qual telefone/e-mail para contratar seus shows e adquirir seu material de merchandising?

Carol. Contato através do email carolshineider-@hotmail.com.

2112. ... o microfone é seu!

Carol. Deixo o convite para fazerem o pre save do meu próximo lançamento "Quero" que sairá dia 02/12. O pre save é uma ação muito importante para o artista, pois ajuda as plataformas de streaming a entenderem que há pessoas esperando por aquele lançamento. Além disso, o convite para acompanharem meu trabalho pelas redes sociais. Link pre save: https://onerpm.link/819074962120

Obs.: Todas as fotos usadas nesta postagem foram retiradas do facebook da entrevistada.   

Links: 

http://furia2112.blogspot.com/2018/10/entrevista-carol-kombinha-janis.html?m=1

http://furia2112.blogspot.com/2020/12/exposicao-literaria-virtual-carol.html?m=1

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Homenagem se faz em vida: Beto Guedes

Beto Guedes é sem sombra de dúvida um dos maiores gênios da música popular brasileira de todos os tempos. Participou dos lendários álbuns Clube da Esquina I & II além de manter uma sublime carreira solo recheada de belos álbuns e hinos que são cantados aos quatro ventos do país. 

Obs. 01: Em 2017 tive a honra de entrevistar Beto.

 http://furia2112.blogspot.com/2017/04/entrevista-beto-guedes.html?m=1

Obs. 02: As fotos foram retiradas da internet e não constava os nomes de seus autores apenas o da Livia Bastos. Se alguém tiver alguma informação favor enviar para retamero2112@gmail.com que farei as devidas correções.        

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Entrevista Veludo

2112. Como surgiu esse projeto de resgatar faixas nunca antes lançadas e também a gravação de músicas nunca antes registradas? 

Nelsinho. Tudo começa com a perda do meu grande amigo Elias. Com a sua partida tive que voltar no tempo e reviver a nossa trajetória que se inicia dois anos antes da estréia do Veludo, quando ainda adolescentes formamos o grupo “Antena Coletiva”. Fui o único músico que compareceu ao seu enterro e também o único músico que queria visitá-lo quando estava internado. Ligava todo dia para sua filha esperando a liberação para a visita. Mas os filhos tinham a prioridade. Quando finalmente marcamos o dia da minha visita, já era tarde. Então, sentado sozinho em frente ao cemitério, comecei a chorar e a pensar: Como um músico e compositor tão talentoso poderia ser esquecido? O que eu poderia fazer para deixar a sua obra eternizada? Foi a partir desse pensamento e desse fatídico dia que resolvi trabalhar neste novo projeto, pois ainda tinha comigo algumas gravações com ele e com o saudoso Paul de Castro que nunca foram registradas em disco (vinil ou cd). Além disso, muitas das minhas composições que eram tocadas na Antena Coletiva e no próprio Veludo ainda não tinham sido gravadas.

2112. Porque esse material não foi incluído no projeto lançado anteriormente pela Renaissance Discos? Você já tinha esse projeto em mente? 

Nelsinho. Sim. Todo o material estava comigo desde os anos 80. Guardei por todos esses anos com muito carinho. O problema é que Elias tinha caído no que eu chamo de “buraco negro” e já não tinha condições de participar profissionalmente de nenhum projeto. Seria impossível fazer algum trabalho com ele. Aconteceu com ele, algo parecido com o que houve com Arnaldo Dias Batista, Syd Barrett e do nosso Jorge Amiden (fundador de O Terço). Sendo assim, a música perdeu uns 20 anos do seu talento. Por tudo isso, achamos melhor não incluir nenhuma obra que tivesse sua assinatura.

2112. O Gustavo e o Elias sabiam da existência desse material? Essas gravações são de estúdio ou ao vivo?

Nelsinho. Na época (anos 80) Gustavo já estava na “A Cor do Som”. Chamamos o Sérgio Della Mônica. São seis faixas bônus com Elias e Paul, sendo quatro de estúdio e duas ao vivo. Abrindo o CD, são oito faixas com as minhas composições feitas nos anos 70 na época da Antena Coletiva. Algumas delas faziam parte dos nossos shows e foram gravadas esse ano em estúdio com os músicos que estiveram comigo nos últimos shows do Veludo, além de outros que fizeram participações especiais. Uma delas, a minha música “Balada Cigana”, foi citada em 1977 em uma crônica do jornal O Globo, na coluna do Nelson Motta, como sendo a composição mais original apresentada pela nossa banda.

2112. As músicas com as participações do Elias, do Paul e do Gustavo serão lançadas em seus registros originais ou foi preciso acrescentar overdubs?

Nelsinho. Já estavam ótimas, mas em algumas, colocamos algum teclado e percussão. Foi um trabalho de produção e ficou incrível.

2112. Não há dúvidas do grande valor histórico dessas gravações... mas no que diz respeito a qualidade de som está melhor que as do primeiro álbum? 

Nelsinho. Muito melhor. Não há comparação. A tecnologia avançou muito. Tudo foi remasterizado. Você vai se surpreender.

2112. O Gustavo participou do trabalho de resgate desse material ou mesmo tocou em alguma das músicas gravadas?  

Nelsinho. Gustavo só está em uma faixa bônus. Que é uma das gravações do Festival da Banana Progressiva que não entrou no primeiro disco que eu produzi nos anos 90.

2112. E as que foram gravadas em estúdio vocês seguiram à risca os arranjos originais de cada uma?

Nelsinho. Vou me permitir colocar o texto explicativo que está no livreto do CD. Isso vai responder muitas das suas perguntas. “Embora tenha tido alguns dos compositores mais brilhantes da história do Rock Progressivo Brasileiro, durante os anos 70, o Veludo não conseguiu gravar o seu disco naquela época. Essa lacuna só foi preenchida em 1995, quando Nelsinho Laranjeiras e Zaher Zein trouxeram à luz o CD “Veludo ao Vivo”, cópia de uma fita K7 gravada no festival Banana Progressiva (SP). A dupla de produtores nos brindaria, posteriormente, com o CD “Penetrando por todo caminho sem fraquejar”, de 2016, e contaria também com Claudio Fonzi para a produção do CD duplo ao vivo de 2018. Porém, muitas obras ainda não foram contempladas, músicas de incrível beleza e originalidade e que estavam no repertório dos grupos “Antena Coletiva” e “Penetrando por Todo Caminho”, que iriam originar o Veludo em 74. Agora, em 2022, depois de escutar os últimos “pergaminhos”, Nelsinho Laranjeiras arregimentou alguns componentes do Veludo que estiveram nos últimos shows e, juntamente com músicos convidados, revisita esse repertório de forma minuciosa e definitiva, como o reinventa lhe dando uma surpreendente textura contemporânea.”

2112. Quem participou das gravações em estúdio com você?

Nelsinho. Os músicos que estiveram nos últimos shows, além de alguns convidados: Sergio Conforti (bateria) Ronaldo Scampa (flautas) Sandro Lustosa (percussão) Bê Moreira (teclados) Carlos Coppos (baixo em 3 faixas) Fabio Rizental (guitarra). Eu fiz todos os novos arranjos e toquei os baixos, violões, bandolim e guitarra.

2112. Na sua concepção o Elias se estivesse vivo teria concordado com esse lançamento?

Nelsinho. Vamos deixar uma coisa bem clara. Existiram dois Elias. Eu conheci e convivi com os dois. O primeiro é o verdadeiro Elias, genial, ótimo músico e um parceiro fiel. O segundo é no que ele se transformou depois que caiu no “buraco negro” e nunca mais conseguiu sair. Se eu falasse com ele e, se ele já tivesse saído do buraco que se meteu, não tenho nenhuma dúvida que sim. Estaria do meu lado. Você não acha que se o Arnaldo Dias Batista tivesse em condições de tocar profissionalmente não estaria ao lado do seu irmão com os Mutantes? É o mesmo caso. Elias foi como um irmão pra mim.

2112. Ouvir essas gravações hoje é um prazer não só para nós fãs do Veludo mas para todos os que curtem rock de qualidade. A fonte esgotou ou você tem mais cartas guardadas na manga?

Nelsinho. Esse trabalho deve ser o definitivo. Mas nunca se sabe...

2112. Como foi trabalhar os registros originais e as gravações desse material inédito em estúdio? 

Nelsinho. Emocionante e gratificante. Chorei muito ao ouvir o violino do Paul e voz do Elias. Minha história e meus amigos inesquecíveis estavam ali.

2112. Existe possibilidades do trabalho ser lançado no exterior?

Nelsinho.  Se tivermos produtores interessados, é só entrar em contato. Seria ótimo.

2112. Qual a sua expectativa em relação ao álbum? Já tem uma data certa para o lançamento? 

Nelsinho. Ainda não temos data. O material (CDs) tem que chegar primeiro. É uma questão de semanas. Também estou ansioso.

2112. A edição será apenas em cd ou também será lançado nos formatos vinil e cassete? 

Nelsinho. Apenas em CD, mas se tivermos produtores interessados em produzir o vinil ...

2112. Que surpresas os fãs podem esperar para os shows de lançamento do álbum?

Nelsinho. Não penso em shows ainda. Essa é a parte mais complexa. Fazer os arranjos e produzir todo esse material já foi muito dispendioso. Vamos aguardar e ver para que lado o vento sopra. O fãs vão se surpreender e sentir como o nosso som e composições tinham uma originalidade própria.

2112. Vou deixar uma dica: Que tal a gravação de álbum ao vivo com todo esse material histórico?

Nelsinho.  Seria ótimo e emocionante, mas só com patrocinador.

2112. Qual e-mail/telefone para contratar shows e adquirir os cds da banda? 

Nelsinho. Metade dos CDs já foram vendidos antecipadamente. Quem quiser é só entrar em contato pelo meu e-mail: 
nelsonlaranjeiras@hotmail.com.

2112. ... o microfone é seu! 

Nelsinho. Agradeço mais uma vez a oportunidade de falar com o 2112. Meu objetivo é registrar as obras de incrível beleza e originalidade, minha e dos compositores que estiveram comigo no Veludo. Tem mais uma coisa que não foi falada e que tem muita importância neste projeto. O nosso som com o bandolim. Segue mais um texto do livreto: A FEBRE DO BANDOLIM NOS ANOS 70 “Não sei dizer como isso aconteceu, o fato é que muitos músicos da minha geração se interessaram por esse pequeno e simpático instrumento. Com ele, podíamos tocar quase todos os estilos musicais. Assim, a dupla violão e bandolim passou a frequentar, por um bom tempo, as nossas “apresentações” em reuniões com os amigos, nas viagens e festas, e, assim, mais tarde, ele estaria presente em muitos dos nossos shows. Como o Veludo era um grupo formado por músicos compositores, uma grande parte do nosso repertório surgiu quase que espontaneamente neste período. Eram obras com forte influência da música clássica (Vivaldi), que misturadas ao country, baladas, rock, baião e chorinho, davam um toque alegre, festivo e original ao nosso trabalho. São algumas dessas composições que estão presentes neste CD. Pra mim, seria uma grande injustiça musical se o Veludo não deixasse registrado a grande influência que o bandolim teve na nossa música”. Obrigado a todos e gostaria de complementar que esse CD intitulado “Nascimento e Morte” é dedicado aos saudosos Paul de Castro e Elias Mizrahi.

 
Capa do novo álbum