O blog 2112 foi formado com intenção de divulgar as bandas clássicas de rock, prog, hard, jazz, punk, pop, heavy, reggae, eletrônico, country, folk, funk, blues, alternativo, ou seja o rock verdadeiro que embalou e ainda embala toda uma geração de aficcionados. Vários sons... uma só tribo!



segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Entrevista Projeto Tânia Maria

2112. Lael, como surgiu o Projeto Tânia Maria?

Lael. Bom, a primeira música que ouvi de Tânia Maria, há mais de 20 anos, foi Yatra Ta. Claro que, de imediato, já me chamou a atenção pela dificuldade técnica da melodia, andamento acelerado e, obviamente, uma maneira de tocar muito particular e com extremo suingue brasileiro. Desse momento em diante, comecei a gostar cada vez mais, o que me motivou a conhecer e pesquisar sua obra mais a fundo. E, sem nenhum motivo específico, em 2017 reiniciei minhas audições e de repente pensei: "O som da Tânia é daqueles poucos que com certeza agrada aos músicos e também ao público leigo, mesmo sendo praticamente desconhecida no Brasil... sendo assim, por que não então fazer uma homenagem a ela?''. E foi assim que tudo começou.

2112. O projeto é muito interessante pois além de divulgar o nome da cantora/pianista eterniza a sua obra para toda uma nova geração, não é?

Lael. Exatamente. A importância musical de Tânia Maria é gigantesca e, infelizmente, ela e sua obra são muito pouco conhecidas em seu próprio país, apesar de reconhecida e renomada no mundo inteiro. E este é nosso principal objetivo: fazer com que o máximo de pessoas, principalmente no Brasil, a conheçam e entendam sua relevância incontestável na música mundial.

2112. Acredito que nome do grupo deve despertar a curiosidade de muitas pessoas, não?

Lael. Sem dúvida. Algumas vezes chegaram inclusive a confundir, achando que nosso show seria o show da própria Tânia. Até porque seu nome está presente no título do trabalho. Mas, a meu ver, não haveria outra maneira de divulgá-la mais enfaticamente se seu nome não estivesse presente na apresentação. Até nosso 1o. álbum gravado e lançado através do Selo Sesc em 2021 contém também o nome dela: "Parabéns, Tânia!"

2112. Infelizmente moramos num país que pouco valoriza sua própria cultura. Eu por exemplo (e acredito que muitos que estão lendo a entrevista também...) não conhecia o trabalho da Tânia. Qual a sua opinião acerca disso? Isso te frustra com fã e músico?

Lael. Infelizmente nosso país vive essa ignorância cultural desde sempre...e Tânia está inserida neste contexto. Nós músicos estamos acostumados com essa falta de identidade cultural, musical, artística. O Brasil não divulga nem valoriza os seus grandes...e a mídia quase sempre procura aquilo que é "sucesso", de qualidade duvidosa e mais fácil de ser consumido como produto onde a venda do mesmo é o mais importante, visando sempre o lucro instantâneo. Mas acho que nós, artistas de todas as áreas, estamos também aqui nesta vida para isso: para que esta disparidade seja cada vez menor.

2112. Fica a pergunta: Como uma carreira com mais de quarenta anos é tão pouco difundida em seu país (digo mídia!) e tão aclamada fora dele?

Lael. Acredito que na Europa e Estados Unidos, por exemplo, a cultura é mais valorizada. Eles também produzem, claro, a "música de massa"..., porém existe o respeito pelas origens, pelo início de cada caminho. O Jazz americano, berço da música estadunidense, é agraciado com premiações específicas anualmente, e seus artistas são valorizados dentro da categoria. Existe o espaço para todos, um mercado específico que funciona, embora obviamente eles variem sua dimensão. Acho que é isso que falta aqui: a valorização das origens, sejam musicais, sociais ou de raça. O povo brasileiro já consegue há algum tempo lutar pelos seus direitos de classe, pelo fim dos preconceitos sócio raciais...mas a música, como é geralmente entendida como entretenimento e não arte, não é tão valorizada e perde sua importância dentro do que é considerado relevante pela maioria.

2112. Como você descreveria Tânia e sua obra? O que mais te chama atenção e o que ela achou do projeto?

Lael. Tânia Maria é única! É uma energia vigorosa, vibrante, que cativa e engrandece nossa cultura! Musicista de 1a. linha, tecnicamente, ousada e com muito suingue...através de sua música, letras e ritmos, ela mostra o Brasil em sua essência...sem dúvida um dos grandes expoentes da música brasileira jazzística e um ícone para as mulheres! Negra, pianista, intérprete, compositora, mãe, e venerada por sua família. Nos sentimos extremamente realizados e honrados pois Tânia e sua família, desde o início, incentiva e endossa nosso trabalho. Já estivemos com ela, as irmãs ( Vânia, Maria Lilia e Sandra), seu filho Marco Tulio e família, e sempre fomos tratados com muito carinho e respeito. Esta é nossa verdadeira vitória! 

2112. Vocês tocam apenas material gravado por ela em seus discos ou também inclue standards de jazz/mpb e material autoral nas apresentações?

Lael. Em nosso repertório, incluímos os grandes sucessos de Tânia...tanto as canções com letra (como "Funky Tamborim", "Come With Me" e "Don't GO), como as composições mais instrumentais (como "Yatra Ta", "210 West" e "Bronx"). Tocamos também sucessos de outros compositores que fizeram parte do repertório da artista ao longo dos anos e, mais recentemente, estamos trabalhando também o lado autoral do Projeto Tânia Maria". "Parabéns, Tânia!" e "Batuque Feminino" são duas composições de Anette Camargo que representam essa "veia autoral"  

2112. Entre os álbuns gravados por ela qual o seu favorito ou qual você indicaria como porta de entrada para quem ainda não conhece a sua obra? 

Lael. Em minha opinião, se você ainda não conhece Tânia Maria, comece com o álbum "Piquant" de 1981. Este trabalho contém o que costumo chamar de "3 vertentes de Tânia": canções autorais com letra, composições instrumentais próprias e sucessos de outros grandes compositores executados muito peculiarmente, ao seu estilo.

2112. Em 2021 é lançado o álbum Parabéns Tânia!. Como foi realizado o processo de gravação e a escolha do material?

Lael. Após a escolha do repertório, fizemos inicialmente uma sequência de ensaios. Logo após, gravamos as 11 faixas em 3 dias. 2 ou 3 takes de cada música para podermos escolher a melhor delas. em seguida, como é de praxe, vem a fase de mixagem e masterização. O processo todo, fora os ensaios ( que foram muitos, rssss ) durou 2 meses. Gravamos através do Selo Sesc, o que nos deixa extremamente felizes pois esta instituição proporciona, hoje em dia, uma das melhores condições em termos de infraestrutura para quem trabalha neste ramo.  

2112. Vocês mesmo produziram o álbum?

Lael. Eu assinei a Direção Musical e escolhi o repertório. Porém todos os músicos colocaram suas "impressões digitais" e ficaram livres para se expressar musicalmente como desejassem, dentro obviamente da linguagem do Universo da música de Tânia Maria. O resultado é mérito de todos!

2112. E quanto aos arranjos... vocês seguiram os originais gravados nos álbuns da Tânia? Como vocês trabalharam essa questão?

Lael. Inicialmente, seguimos à risca os arranjos de Tânia. No decorrer do processo, fomos colocando "nossa cara" em algumas músicas específicas. Atualmente o trabalho se desenvolve mesclando estas duas vertentes

2112. Parabéns Tânia! foi lançado em formato físico ou apenas nas plataformas digitais?

Lael. Apenas digitalmente, nas plataformas.

2112. A cena instrumental brasileira praticamente inexiste na questão da mídia que pouco divulga... no entanto tem um público cativo que sempre vai aos shows e festivais. A aceitação do álbum foi boa?

Lael. Foi ótima! Recebemos várias críticas maravilhosas! Lembrando ainda que, talvez pela diversidade nas composições de Tânia, onde existem as obras com letra, a receptividade tenha sido ainda mais favorável. 

2112. A cantora esteve presente no JazzB (2018), na estréia do quarteto e no lançamento do álbum que aconteceu no Sesc Vila Mariana (2021). Ela apenas asssitiu ou deu uma palhinha?

Lael. Para nossa extrema alegria, ela esteve não apenas nestes dois shows, mas também em nossa última apresentação no Blue Note São Paulo (agosto/2023). Nestes momentos, ela preferiu não tocar nem cantar, mas, é claro, fizemos sempre questão em homenageá-la e agradecê-la por tanto! 

2112. Quais são os projetos de vocês para o próximo ano? Teremos um novo álbum?

Lael. Iniciamos 2024 com dois novos singles: "Batuque Feminino" (composição de Anette Camargo em homenagem a todas as mulheres musicistas) e "Johhny Demais"(composição de Tânia, até então inédita, em homenagem a Johnny Alf). O trabalho se encaminha também para um aumento das composições do grupo e por novos arranjos de outras músicas de Tânia Maria. Ainda este ano, lançaremos também o "Projeto Tânia Maria Instrumental", apenas com composições de Tânia sem letra.

2112. Qual o e-mail/telefone para contratar vocês?

Lael. Contrações através do e-mail laelmedina@hotmail.com ou de meu fone/whats: (11) 99777-4259

2112. Obrigado pela entrevista... o microfone é seu!

Lael. Primeiramente gostaria de agradecer a você Carlos Dinunci pelo interesse no projeto e pela oportunidade de divulgar nosso trabalho e a arte maravilhosa de Tânia Maria. Fiquem ligados nas novidades do Projeto Tânia Maria através de nossas redes sociais (www.instagram.com/projetotaniamaria e www.facebook.com/projetotaniamaria ) e não deixem de ouvir e conhecer cada vez mais a obra desta imensa artista negra maranhense.  Obrigado!

Integrantes:

Anette Camargo: Voz/Piano/Teclado;

Lael Medina: Bateria/Direção Musical;

Líbero Dietrich: Baixo Elétrico;

Danilo Moura: Percussão.

Obs.: As fotos que ilustram a entrevista foram todas retiradas da pagina do Projeto Tânia Maria. Qualquer assunto relacionado sobre os nomes dos fotógrafos e só entrar em contato via e-mail: retamero2112@blogspot.com que faco que faço as devidas correções.    

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Entrevista Ultranova

2112. O Ultranova surgiu em pleno movimento neoprog que trazia músicas mais curtas com elementos de música pop. Como foi montar a banda em meio a esse novo contexto musical?

Daniel. Naquele momento nossa intenção mesmo gravar nossas músicas e divulgar o som da banda. A gente nem estava muito preocupado com outros lançamentos, nossa ideia mesmo era mostrar nossa identidade, tocar a nossa verdade sonora, criar baseado em nossas compreensões, experiências, vivências musicais. Queríamos mesmo era produzir e tocar. Fazer parte da história da música progressiva brasileira que sempre foi muito rica.

2112. O movimento apresentou ótimas bandas como Marillion, IQ, Pendragon, Saga, Pallas, Twelfth Night... mas foi duro ver bandas do calibre do ELP, Triunvirat, Yes, Genesis, Pink Floyd tentando se readaptar aos novos tempos ou encerrando carreira por falta de apoio. Foi um período difícil, não?

Daniel: Fazer música não-comercial é muito desafiador. O progressivo então é um estilo onde a gente está sempre se colocando à prova, testando arranjos complexos, tempos que variam muito dentro de cada música e ainda tentar inserir melodias que realmente sejam marcantes. Então já surgimos aí, no meio desses novos tempos. A gente se desafia o tempo todo, pra compor, pra executar as músicas, e também para levar nosso som para o público. Acredito que se nos preocuparmos muito com isso, podemos acabar perdendo tanto a nossa identidade. É claro que para um disco inteiro, a gente precisa planejar a estrutura musical das faixas e do disco, como vai soar, as nuances e a dinâmica disso para quem vai ouvir. Porém nossa ideia é seguir tocando o que a gente acredita, o que nos move a continuar produzindo nossa arte.

2112. Como foi o início de vocês levando em conta a nova cena?

Thiago. A trajetória da banda teve início com Thiago Albuquerque (tecladista) e Daniel Leite (guitarrista), que curiosamente são primos de primeiro grau. Thiago, sempre compondo temas em estilos totalmente variados, sentia a necessidade de expressar suas melodias de alguma forma. Foi Daniel, já familiarizado com as composições, quem teve a ideia de formar uma banda de rock progressivo e apresentar algumas dessas músicas. O álbum “Órion”; inclui quatro faixas que faziam parte de um projeto solo anterior de Thiago: “Abismo Azul”, “Salinas”, “Aquântica” e “Órion”. As outras duas “Órbita” e “Chronos” foram compostas já pensando na formação da banda. No início, não demos muita importância à cena musical; nunca ponderamos muito sobre isso. Só queríamos compartilhar nossa verdade musical com os outros. Aquilo que achávamos belo. Assumimos a responsabilidade de organizar shows e pequenos festivais por conta própria, convidando outras bandas de rock progressivo para participar. É importante destacar que o maior esforço para fazer a banda acontecer, até hoje, partiu de Daniel, que sempre se dedicou a impulsionar a banda, enviando nossa música para crítica gringa resenhar, estabelecendo contatos, entre outras, criou o site, entre outras iniciativas. Inclusive, falando no Daniel, neste novo álbum, também teremos composições de dele, que possui uma abordagem muito diferente de Thiago, mas igualmente forte, complexa. Essa é uma vantagem de sermos uma banda prog; somos livres musicalmente. Apesar das músicas serem muito diversas entre si, mantemos a marca e a personalidade distintas da Ultranova.

2112. O movimento se manteve vivo graças a legião fiel de fãs que continuavam se encontrando, comprando os álbuns, divulgando os shows etc. Virou quase que um culto sagrado, não?

Daniel. Isso é das coisas que acho mais interessantes do estilo: quem gosta, geralmente é muito fiel. É alguém que além de admirar o estilo, gosta de pesquisar, de saber o que sendo lançado, as novidades, notícias... É realmente um culto sagrado para todos e também para nós, que além de músicos também somos fãs!

2112. Já são seis anos de história, vários shows, um álbum lançado, o elogiadíssimo Orion pelo selo francês Musea Records e um novo álbum programado para o próximo ano. Como vocês resumem esses seis anos?

Thiago. Sempre nos divertimos muito quando estamos juntos para ensaiar e tocar, e, incrivelmente, nunca houve qualquer desavença entre os membros que passaram pela Ultranova, incluindo aqueles que fazem parte da formação atual. Acreditamos que nossa história é construída principalmente pela amizade, bom humor e respeito que compartilhamos uns pelos outros, não apenas como músicos, mas como pessoas. Talvez seja por isso que, ao criar arranjos para novas composições, buscamos ouvir as opiniões de todos e tomamos decisões de forma democrática para garantir o melhor resultado para a música. A música é o cristal que nos une, esses seis anos representam um período de aprendizado constante, tanto em relação a nós mesmos quanto à arte que amamos.

2112. E como aconteceu da Musea Records entrar em contato com a banda? Vocês enviaram material para eles?

Daniel. A ideia surgiu da Rock Symphony, na verdade. Quando estávamos conversando sobre a prensagem do disco, eles nos disseram que a Musea ficou interessada no som e aí tudo aconteceu.

2112. Com o lançamento do álbum em vários países a banda fez shows ou turnês em solo estrangeiro?

Henrique. Ainda não fizemos shows fora do Brasil, porém estamos ansiosos por essa experiência! Como nosso som é instrumental imaginamos que é uma linguagem universal, sendo assim qualquer lugar pode curtir nosso som!

2112. O Ultranova faz uma interessante fusão do prog com influências do acid rock e do psicodelismo. Como vocês definem o som da banda?

Daniel. Quando a gente cria um tema ou às vezes uma música inteira, levamos para os demais integrantes e daí as ideias vão surgindo. Cada integrante contribui com sua verdade e experiência musical na elaboração dos arranjos, buscando um denominador comum que resulta em uma identidade singular para a banda. A gente curte muito o som que surge a partir do que cada um coloca de si ali na faixa. Na ProgArchives estamos classificados como Cross Over Prog, e talvez seja por aí mesmo. Nossas raízes são prog, a partir daí a música vai se desenvolvendo, e nós vamos dando vazão a ela se construir. Algumas mais pesadas, outras mais quebradas, outras com tempos ímpares outros no comum 4/4... A música chega e a gente a deixa crescer na hora de compor. Quando levamos aos outros integrantes, ela vai tomando mais corpo e daí a gente finaliza. É um processo que leva tempo, mas é uma das experiência mais legais de participar na banda.

2112. ... particularmente não gosto de rótulos pois na minha opinião restringe a evolução de um músico/banda, vocês não concordam?

Daniel: É como falamos anteriormente, a música ‘vem’ e a gente vai construindo. Às vezes é a partir de um tema, de uma cadência ou de uma melodia, e daí ela vai se desenvolvendo. Uma das músicas do disco eu sonhei com a melodia e gravei cantando no celular. Depois de tomar um café, sentei-me para fazer uma demo e a música ficou pronta em um único dia de trabalho. Eu acho que é mais importante a gente deixar a coisa fluir sem pensar muito em rótulos ou qualquer coisa do tipo. O que importa mais é que a criação fique do agrado de todos, que tenha uma sonoridade do nosso agrado. Assim a gente sabe que se alguém gostar da nossa música, vai estar gostando da nossa expressividade, da nossa identidade, e estará gostando de verdade da nossa arte.

2112. Falando em influências achei muito interessante a participação do Trio Manari no show de vocês. O músico brasileiro precisa deixar o preconceito de lado e divulgar mais suas raízes para o mundo. Parabéns pela iniciativa!

Daniel: E traremos muito disso no novo disco. É algo que queremos incorporar cada vez mais no nosso som.

2112. Uma curiosidade: O Manari tem material gravado?

Daniel. O Trio Manari é altamente conceituado, já fizeram turnês internacionais diversas vezes, tocaram pela Europa e pela América também. São músicos professores, titulares de escolas e institutos em Belém dedicados a percussão. Eles possuem muito material gravado, já fizeram participações algumas vezes ao vivo com a gente e estarão no nosso disco novo.

2112. Voltando ao Orion, que curiosidades vocês guardam das gravações? Quanto tempo gastaram para registrar o álbum?

Thiago. Há algumas curiosidades interessantes relacionadas às gravações do álbum. Um fato peculiar envolve as linhas de baixo, pois houve uma mudança de baixista quase no final do processo. O talentoso Mário Neto, querido por todos, mudou-se para outra cidade e não voltaria a morar aqui em Belém. No entanto, antes de sua partida, ele conseguiu gravar todas as faixas, com exceção da música “Órion”, para a qual contamos com a contribuição de Príamo Brandão que se tornou o baixista da banda durante alguns anos. No caso deste segundo álbum, algo semelhante ocorreu, mas de uma maneira mais complexa rs. Durante o processo de gravação, tivemos a participação de três baixistas diferentes. Nosso baixista atual, Arthur, entrou na banda e imediatamente impressionou a todos com sua técnica e suas linhas de baixo criativas. Curiosamente, percebemos que ele, por vezes, lembrava o estilo de Príamo e, em outros momentos, o de Mário. Diante dessa fusão, carinhosamente o apelidamos de & “PríMário”.

Obs: Tanto Príamo quanto Mário continuam no grupo da banda, pois consideramos eles SENDO parte do time e somos grandes amigos.

2112. Os fãs da banda cobram ou mesmo vocês já pensaram em incluir um vocalista para cantar em algumas músicas? Algum de vocês canta?

Henrique. Esse é realmente um assunto que vez ou outra vem à tona! É realmente uma experiência que um dia podemos tentar, todos na banda tem como fazer trechos vocais, porém realmente ainda não paramos para pensar em algo nesse estilo.

2112. Que outras bandas prog existem no Pará? Vocês têm muitos eventos voltados para a promoção da música instrumental?

Daniel. Das antigas tinha o Alma Cog e o Moonshadow, nossos amigos da Lótus Área que paralisaram as atividades e existem várias outras bandas de estilos variados que misturam com o prog, mais metal como a Rhegia, outras de vertente mais brasileira como a Móbile Lunar, e mais psicodélica como a Steamy Frogs. Sobre a música instrumental, Belém produz uma quantidade absurda de música em diversos estilos. A música instrumental é realmente muito forte aqui e sempre tem eventos voltados pro estilo como o Tapajazz (no rio Tapajós) e o Sonido que acontece anualmente, e é dedicado exclusivamente para o instrumental.

2112. Apesar da música instrumental ser pouco divulgada existe um público bem variado com a mesma devoção. Como se explica esse fenômeno?

Daniel. A audição é mais “fácil” para a música popular e músicas com voz, mas o interessante é que quem aprecia o som instrumental, acaba se tornando alguém bastante fiel ao estilo. 

2112. Em breve vocês estarão lançando o novo álbum. O que os fãs podem esperar do novo trabalho? Ele já tem um título definido?

Daniel. Nele estarão nossos dois últimos singles (Samsara e Odisseia para Sírius) e mais algumas outras músicas que já começamos a apresentar ao vivo. Esse novo disco vem bem variado, músicas muito quebradas, outras 4/4... a gente optou por não fazer ele todo seguindo só de uma forma senão ficaria muito “cabeçudo” (rsrsrs)

2112. Vocês todos compõem?

Daniel. O primeiro disco conta bem como a gente começou. O Thiago tinha algumas músicas que me mostrou e daí eu tomei a iniciativa de montar uma banda e tocar as músicas dele. Para o novo disco é mais dividido entre mim e ele as composições. Mas quando a gente apresenta as músicas para os outros integrantes, cada um coloca ali um tanto de si para soar com sua própria identidade musical. E isso tem sido uma das coisas mais legais na Ultranova.

2112. Assim como aconteceu no primeiro haverá participações especiais no novo álbum? Quem está produzindo?

Daniel. Com certeza teremos algumas participações especiais no novo disco. Uma ideia que adotamos que deve nortear o álbum é misturar o rock progressivo com os tambores amazônicos. Somo muito abertos a experimentações e inserir outros elementos, e vamos testar muita coisa dessa vez.

2112. Vocês já têm uma prévia do lançamento do álbum?

Daniel. Estamos com a ideia de terminar a gravação no primeiro semestre, para lançar em agosto ou setembro. Talvez no meio do caminho a gente publique um outro single nas plataformas digitais.

2112. Ele será lançado apenas nas plataformas digitais ou também teremos lançamento físico cd, vinil e cassete?

Daniel. Há uma expectativa nossa lançarmos também em LP e em CD.

2112. Vocês já dividiram o palco com músicos/bandas do quilate de Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Violeta de Outono, Bacamarte etc. Deu para conversar e trocar experiências com eles?

Daniel. Isso é uma das coisas mais legais de tocar em festivais, poder trocar experiências com outros músicos. Dos mencionados, o que mais pudemos conversar foi o Egberto que recebe todo mundo muito bem!

2112. Além do novo álbum... que outros projetos vocês têm para este ano?

Daniel. Mais shows, sem dúvida! Queremos divulgar mais o novo disco. O primeiro que lançamos teve uma entrada bem interessante e esperamos receber mais convites para tocar, levar nosso som e fazer nosso show.

2112. Qual e-mail/telefone para contactar vocês?

Daniel. ultranovarock@gmail.com e 91 98411-9191

2112. Obrigado pela entrevista... o microfone é de vocês!

Daniel. Queremos agradecer a oportunidade de podermos falar sobre nosso novo disco que ainda nem saiu e já estamos por aqui falando sobre ele. Também enaltecer o trabalho do 2112 que é muito importante para o prog nacional, fortalecendo os artistas e difundindo o estilo com muita propriedade.


Obs.: Todas as fotos foram retiradas da página da banda. Não citei os autores porque não encontrei. Mas qualquer coisa entre em contato pelo meu e-mail retamero2112@gmail que eu faco as devidas correções.