O blog 2112 foi formado com intenção de divulgar as bandas clássicas de rock, prog, hard, jazz, punk, pop, heavy, reggae, eletrônico, country, folk, funk, blues, alternativo, ou seja o rock verdadeiro que embalou e ainda embala toda uma geração de aficcionados. Vários sons... uma só tribo!



quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Entrevista Stoned Water



Não é maracutaia... mas estamos fechando o ciclo de entrevistas deste ano com outro nome vindo do sul. O Trio é formado por dois brasileiros e um argentino que fazem um sonzaço calcado nas sonoridades dos anos 70. Já lançaram um ótimo EP e em breve estarão lançando o segundo petardo. 

2112. Primeiramente me digam de onde foi que vocês tiraram um nome tão foda como esse? Cara, mais psicodélico impossível...

Landy. Quando decidimos armar a banda... logicamente não tínhamos até esse momento composições próprias e começamos como uma banda de covers para poder entrar no circuito das bandas e abrir mercado de trabalho. Mas como no Brasil predomina as bandas de covers...  e como eu sempre  digo, fazem uma salada de frutas ao misturar um monte bandas e estilos...então falei, temos que fazer a diferença vamos pegar duas bandas de rock dos quais gostamos e vamos a fazer um tributo. Lógico que Beatles não ia escolher pois eu já estava enjoado... Então falei em contrapartida Rolling Stones e Creedence Clearwater Revival por que são bandas que nós três gostamos muito. Os guris toparam a idéia   mas não tínhamos um nome. Falei meninos como vamos nos chamar? Zebú falou Stones Waters e de momento Paulo falou... por que não Stoned Waters (e dizer que Paulo que deu esse toque psicodélico ao nome). Pronto fechou o bolo!!!

2112. O Stoned Water surgiu antes ou depois que você entrou para Os Garotos da Rua? Qual é a história da banda?

Rodrigo. A banda surgiu paralelo as atividades com os Garotos da Rua. O Landy havia saído da Star Beetles e eu e Paulo estávamos com nosso power trio FireBall parado. Então resolvemos iniciar um novo projeto que inicialmente era para fazer especial Creedence e Rolling Stones mas a vontade de tocar músicas próprias veio e tornou-se a principal atividade.

Landy. Na realidade minha primeira intenção era montar uma banda com o Doctor Paulo Franzmann, o pai de Paulo. Ele é um dos pioneros do rock'n'roll chapecoense... um dinossauro do rock. Ele nos anos 60 tinha uma banda de rock que foi a primeira banda formada na cidade. A formação da banda iria ser o Dr. Franzmann na guitarra e voz, Paulo em baixo, Zebu nos teclados e eu na bateria. O nosso estilo seria algo como a Jovem Guarda. Mas esta anedota fica para outra história. 

2112. A banda além de você conta com mais dois ex membros dos Garotos da Rua na formação: Paulo (baixo e voz) e Zebu Knight Rider (guitarra e voz). E Landy nosso hermano argentino como entrou nessa história? Ele ainda mantém o Star Beetles na ativa?

Rodrigo. A Star Beetles está na atividade com novos integrantes. Sobre o Landy nos conhecemos num show há alguns anos atrás e viramos amigos.

Landy.  No final de fevereiro de 2018 deixei de trabalhar com o Star Beetles (2009/2018) e depois de um tempo fiz uma proposta aos guris para fazer uma banda com eles que naquele momento estavam fazendo parte dos Garotos da Rua. Começamos a fazer alguns shows e ao mesmo tempo os guris estavam tocando com os Garotos da Rua. Foi um começo difícil. Nesses momentos eu que fazia o trabalho de fechar as datas do Stoned  e daí eu tinha que perguntar: "Estou por fechar uma data tal dia... vocês tem show.? Era difícil organizar as agendas de ambas bandas para que não batesse as datas. Mas sempre achávamos um jeito de organizar e cumprir os compromissos. Assim foram os primeiros. Logo os guris deixaram os Garotos (essa parte da história vai ser melhor explicada por eles) e foi aí que a Stoned Water começou a tomar forma como banda.

2112. As influências do Stoned Water vem de bandas setentistas como o Deep Purple, Led Zeppelin, Black Sabbath... Como é trabalhar essas influências para produzir algo que não seja associado diretamente a essas bandas?

Rodrigo. Sempre gostamos de tocar essas bandas, mas não de fazer cover e sim tocar com a nossa identidade. Então fica fácil de compor, pois acontece ao natural, as influências nem sempre estão presentes nas melodias, mas são eles os pilares da nossa formação musical.

Landy. Como você disse Purple, Zeppelin, Sabbath são nossas maiores referências entre as outras bandas. Mas só tomamos as influências na hora de compor as músicas. O que faz a diferença é que também agregamos nosso toque de personalidade a nossas composições.  Então eu acho que isso dá a nossas músicas e ao nosso som um toque de autenticidade. Então as pessoas ao escutar o nosso disco podem falar por exemplo: aahhh tal música da Stoned tem um ar de Purple mas nunca vão falar essa música da Stoned é igual a tal música do Purple. Acho que deu para entender a idéia ou ficou um pouco complicado a minha explicação?

2112. O cenário tem visto uma revitalização da sonoridade 60/70 com o retorno inclusive de várias classics bands aos palcos e o surgimento de novas bandas influenciadas por essas sonoridades. O que vocês tem ouvido de interessante?

Rodrigo. Olha sinceramente eu sou enterrado nos anos 70, mas a última grande nova banda que ouvi e curti foi o Audioslave, também acho legal o Kings of Leon, especialmente nas canções com pegada mais country, com uso de slides nas guitarras.

Landy. Eu, nada... ou quase nada. Como eu sempre digo para os guris sou da velha escola de músicos. Eu nasci nos anos 70... gosto muito do velho de rock'n'roll 50, 60 e 70. Gosto muito de jazz e de estilos mais antigos. Posso dizer que não gosto de quase nada dos anos 80... me parece tudo muito bizarro a estetica e a imagem das bandas e também pelo uso de baterias eletronicas entre outras coisas. O pior de tudo e que quase todas as bandas que eu gosto tiveram seu começo nos anos 80... e acho que nem eles mesmo gostaram pois logo nos anos 90 começaram todos a voltarem as suas raízes.  

2112. O blog tenta dentro do possível apresentar bandas com trabalho bacana caso da StringBreaker & Stuffbreakers, Flores do Fogo, Stranhos Azuis, Picanha de Chernobyl, Centro da Terra, Amargo Malte, Cozinha dos Infernos, Impéria, Kurandeiros etc. E no sul o que vocês tem ouvido de interessante mas que ainda não chegou ainda aos ouvidos do público?

Rodrigo. No sul temos bandas como General Bonimores, Variantes... de resto prefiro as clássicas TNT, Cascavelletes, Bebeco Garcia (Garotos da Rua).

Landy. Stoned Water... ajajajajaj!!!! Mas estamos fazendo bastante barulho no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Tudo passo a passo e ao seu devido tempo. Estamos chegando aos ouvidos de todo mundo. Estamos trabalhando muito duro para isso acontecer. E das bandas que você mencionou Picanha de Chernobyl é uma baita banda!!!! 

2112. Um problema que na minha opinião tem atrofiado o desenvolvimento da cena é o pensamento provinciano de que nossas bandas são inferiores às do mercado gringo... Isso fode tudo, não é?

Rodrigo. Realmente isso nos intriga, mas creio que somos moldados pelas rádios abertas que em grande parte tocam som gringo, isso acaba por deixar de fomentar nosso mercado interno. O rock argentino cresceu muito com a Guerra das Malvinas, pois era proibido tocar música em inglês nas rádios, ali surgiram excelentes músicas e músicos. Destaco Pappo, Reloj. 

2112. Vejo que as diferenças que existem entre o mercado interno e o externo é o grau de cumplicidade do público para com as bandas, lugares mais decentes para tocar, melhores cachês e selos que apoiem a cena independente.

Rodrigo. Aqui no sul conseguimos ter uma agenda boa de shows, mas somos quase que uma exceção, veja que estamos em novembro e temos shows agendados até outubro de 2020. Mas isso acontece com muita luta e dedicação. Temos muitos lugares legais pra tocar aqui. Na nossa cidade Chapecó temos uns 5 picos pra shows. Em geral somos muito gratos por estar e conseguir trabalhar na região sul do país. 

2112. Mas saindo desse âmbito a Stoned Water já tem um ótimo álbum lançado: o Vol. I. Falem um pouco sobre como foram as gravações?

Landy. Muito Obrigado! No momento que entramos no estúdio a metodologia de trabalho me fez lembrar muito a o trabalho que faziam os Beatles no estúdio com George Martin. Nós só tínhamos feito algumas demos caseiros para ter uma idéia de como ia a ficar as estruturas das músicas. Essa demo foi mostrada para nosso produtor e grande amigo Clayton Chiesa (ex tecladista do Garotos da Rua). Podemos dizer que ele foi nosso George Martin, ele é o quarto Stone Water... a perna que faltava na cadeira. A partir daí com a ajuda do Clayton começamos a trabalhar as músicas ajustando detalhes e as outras músicas foram criadas no estúdio ao vivo. As baterias gravadas no estúdio ficaram diferentes das da demo pois fiz bastante improvisações.  

Rodrigo. Temos um produtor musical muito capaz e talentoso, ele soube tirar de cada um o seu melhor. Desde a execução, a timbragem é muito gratificante trabalhar com um verdadeiro produtor musical.

2112. Gostei muito de Cavalo Perdedor, Escondo o rosto na fumaça, Você não sai da minha cama, Meias verdades, Preto, o gato e em especial Eu voltei pra ficar um blues arrastado muito foda. Parabéns pelo resultado final.

Rodrigo. Agradecemos muito, realmente gostamos muito de ter gravado essas músicas, e temos muito prazer em tocá-las ao vivo, mesmo as pessoas que nunca ouviram nosso trabalho, acabam curtindo no primeiro contato nos shows.

Landy. Muito obrigado! Assim como você falou Carlos nós também ficamos muito contentos pelo resultado final do nosso disco. Uma coisa que os três concordam é que Vol. 1 é o melhor trabalho de gravação que fizemos até o momento.

2112. Desafetos vem em duas versões: português e espanhol e Lonely Man em inglês. Vocês pretendem investir nesses dois mercados? Quais são os projetos nessa área?

Rodrigo. Certamente, temos feito turnês fora do Brasil e achamos super válido ter algum material em inglês e espanhol também, além do que algumas composições já nasceram em inglês a exemplo de Lonely Man e Mont Sion que estarão no próximo CD.

Landy. A proposta desde o início foi sempre que fosse uma banda internacional. No disco gravamos músicas em três idiomas para abrir mercado mundial. Já fizemos nossa segunda turnê por Buenos Aires, Argentina a qual tivemos grande aceitação e para 2020 já temos propostas concretas para viajar para outros países.

2112. Em que pé estão as músicas do novo álbum? Esse material já tem previsão de lançamento?

Landy. No momento temos apenas algumas demos gravados das novas músicas. A previsão de lançamento será mesmo no próximo ano.

Rodrigo. Acreditamos que em abril ou maio de 2020 já estejam prontas.

2112. Este novo material gravado segue as propostas do primeiro trabalho ou vocês incluíram alguma novidade?

Rodrigo. Estamos trabalhando com a mesma dinâmica do Vol. 1. Já tem música que nasceu em inglês, acredito ser a continuidade do primeiro.

Landy. Eu achou que sim... continua com a mesma proposta e estilo musical mas com algumas novidades. Mas isso é surpresa!

2112. Quem produziu os trabalhos?

Rodrigo. Clayton Chiesa, ele tem estúdio em Pelotas RS, o Load Studio e já trabalhou com a gente nos Garotos da Rua e temos nele um porto seguro, além de produtor ele coloca os pianos, Hammond's e tudo que envolve teclas no trabalho.

2112. O novo álbum já tem nome ou ainda é segredo?

Rodrigo. É provavel que se chame Vol 2... mas tudo pode mudar.

2112. O Stoned Water já tem no currículo de duas tours internacionais. Quais países vocês visitaram?

Rodrigo. Fizemos 2 tours na Argentina, a primeira 4 shows, na segunda 5 shows, devemos voltar com o novo CD na mochila pra lançar lá.

2112. A recepção/repercussão foi bacana? Muitas bandas brasileiras tem conseguido êxito em pequenas tours pelo mundo. Parece que o preconceito é só por aqui, não é?

Landy. A recepção e a repercussão foi maravilhosa... é por isso que fizemos duas turnês pela Argentina no mesmo ano uma no mês de maio e a outra foi no mês de setembro. Lá na Argentina sobretudo em Buenos Aires se valoriza muito as bandas com música autoral, não é como aqui no Brasil que se dá mais valor as bandas cover/tributo que as bandas de música autorais (pelo menos é o que eu vejo e também por minha experiência de trabalhar por muitos anos no Brasil com uma banda cover dos Beatles). Lá em Buenos Aires por exemplo você a qualquer pub ou bar de rock e a banda que vai estar tocando é de música autoral.  Em nossos shows em Buenos Aires sempre dividíamos as datas com outras bandas autorais e os shows eram bem curtos de 30 a 45 minutos no máximo bem diferente daqui que os shows são de 2:00hs/2:30hs aproximadamente.

2112. Existe material gravado desses shows?

Rodrigo. Existe um show completo que gravamos no Mitos Argentinos, uma das casas mais conceituadas do meio artístico, fica em San Telmo, o coração da Boemia de Buenos Aires. Em breve ele estará disponível no YouTube.

2112. Qual o telefone/e-mail para contratar o Stoned Water?

Landy. StonedWater@outlook.com, +55 49999082004, +55 49999701717 e +55 49998000978

2112. ... o microfone é de vocês!

Rodrigo. Primeiramente um agradecimento especial a você Carlos que mantém acesa a chama do Rock n Roll através do Fúria 2112, e dizer que é de valor imenso esse trabalho desenvolvido com tanto carinho e atenção por você. Gostamos muito das perguntas, de cara percebemos a qualidade e que você realmente conhece o meio. Um grande abraço e obrigado. 

Landy. Muito Obrigado meu amigo Carlos pela entrevista e pela oportunidade que você está nos dando. Não só a nos mas a todas as novas bandas difundindo o seus trabalhos e dando prioridade as músicas autorais. Grande abraço!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Entrevista Leandro Lejão


O Brasil tem revelado uma cena grandiosa, intensa e variada de tons e estilos. E entre os novos nomes Leandro Lejão vem se destacando com seu rock'n'roll com fortes influências setentista. E enquanto Clichê seu primeiro álbum está tocando em várias rádios do país ele já está em estúdio preparando o seu sucessor.

2112. Musicalmente tudo começou quando seu pai te apresentou Elvis e os Beatles. O que você sentiu naquele exato momento e o que mais te chamou a atenção?

Lejão. Pura magia, quanto mais eu ouvia mais eu queria ouvir. O que mais me chamou a atenção é saber que eu estava no túnel do tempo revivendo uma das épocas que eu mais admiro.

2112. Meu primeiro contato com o rock foi com um single dos Stones do meu tio e depois mais sério com o álbum Led Zeppelin II. São momentos que a gente não esquece jamais, não é?

Lejão. Com certeza, eu amei quando meu pai me apresentou aos 6 anos de idade as músicas do Elvis Presley e The Beatles, mas descobri o mundo do rock um pouco mais velho, aos 19 anos, quando meus amigos compartilhavam seus conhecimentos musicais, para mim era identidade imediata.
2112. Muitos anos se passaram desde este primeiro momento e eu te pergunto: o que isso mudou na sua vida e o que você ouve nos dias de hoje? Você é do tipo eclético ou ouve apenas um determinado tipo de som?

Lejão. Acho muito importante minha maturidade musical, me sinto mais experiente profissionalmente e muito feliz em mostrar minhas músicas autorais hoje em dia. Acredito que minha base foi muito importante e forte com a vontade do meu pai me mostrar coisas tão boas quanto Elvis e Beatles, me inspira e me motiva muito. Sou muito grato por isso e com o tempo a minha experiência só me ajudou. Ouço muito hoje em dia, músicas que me inspiram e servem de base para as minhas músicas autorais como country, blues e rock'n'roll.

2112. A sua carreira começou aos dezesseis anos quando você foi convidado para cantar na banda de uns amigos. Como surgiu o convite?

Lejão. Nós éramos amigos de futebol aos finais de semana e lógico depois do futebol nos reuníamos para conversar sobre rock’n’roll 'n' que todos gostavam. Dois amigos tiveram a idéia de montar uma banda e logo me convidaram para fazer parte desse grupo como cantor e eu aceitei de imediato. Foi um começo de muito aprendizado para todos e acredito que foi muito importante para mim, a base do meu trabalho hoje.
2112. Que tipo de música vocês tocavam? Era cover ou autoral?

Lejão. Era uma banda cover, nós tocávamos músicas do Engenheiro do Hawaí, Legião Urbana, Titãs e algumas internacionais como Guns n' Roses e Nirvana. Mas logo, por vontade própria apresentei ao grupo minhas músicas autorais e começamos a mesclar músicas cover e autorais.

2112. Uma mera curiosidade... Antes de participar de bandas você já fez muitos chuveiro sessions?

Lejão. Sim, quando criança cantava muito no chuveiro. Me lembro uma vez bem pequeno imitar Michael Jackson, foi onde despertou o interesse dos meus pais e primos.

2112. Depois de um tempo você migrou para a Kuca Mexida que chegou a participar de um festival com a música Vai ser agora, Doutor mas que logo encerrou carreira. Qual foi o motivo? 

Lejão. Infelizmente o motivo do fim da banda Kuca Mexida foi divergência de interesses, a maioria dos integrantes da banda queria investir em algo comercial como banda de baile, cover. Mas o meu interesse era de cantar minhas músicas autorais e ser uma banda independente.
2112. Após essas duas experiências você chegou a pensar em desistir da música e partir para outras atividades ou o seu destino já estava selado com a marca do rock’n’roll?

Lejão. Eu parei com as bandas durante 10 anos da minha vida, mas nunca deixei de compor durante esses anos.

2112. Um dos grandes problemas em se manter uma banda na ativa não é apenas a falta de grana ou de um empresário... mas o desejo de fazer sucesso rápido, de entrar em estúdio prematuramente, poucos ensaios etc. Atitudes dessas natureza minam a criatividade e o amadurecimento de qualquer músico ou banda. Acredito que isso seja falta maturidade, não é?

Lejão. Sim, é falta de maturidade, mas acredito que isso é uma das experiências mais maravilhosas que um cantor pode ter: entrar em um estúdio, mostrar a sua personalidade na música, conhecer pessoas experientes dentro deste mundo é algo maravilhoso, são experiências que ninguém tira de você e é algo que só te faz crescer.

2112. Em 2016 incentivado por um amigo você foi a procura de gravadoras para mostrar seu material. Você conseguiu alguma coisa de concreto nessa área? O que eles alegavam?

Lejão. Acredito que é muito difícil começar neste meio artístico. Tive vários "não" porém, o Netto Rockfeller foi uma das pessoas mais importantes e que mais me ajudou. Assim que mostrei meu trabalho, gravamos meu cd com músicas autorais. Essas pessoas que me falaram "não" diziam que eu não tinha dinheiro para continuar, mas isto só me impulsionou a acreditar mais no meu sonho.
2112. Isso de uma certa maneira foi um grande incentivo para lançar Clichê por conta própria, não é? O álbum dosa blues, country e spiritual na medida certa para apresentar um trabalho do mais puro rock’n’roll.
Lejão. É algo natural. Vem da base, vem das minhas emoções é o que eu amo é o que eu acredito passar para as pessoas. O álbum Clichê é minha experiência e gostaria que as pessoas me conhecessem através dele.

2112. Você quando entrou em estúdio já tinha o álbum definido na cabeça ou ele foi se formando a medida que os trabalhos aconteciam?

Lejão. Eu tenho várias músicas autorais e apresentei para o Netto Rockfeller. Com a sua experiência, ele me auxiliou na escolha das músicas do álbum Clichê. Acredito que com a experiência do Netto Rockfeller e a essência foi formando-se o álbum Clichê.

2112. O que te levou a batizar o nome do álbum de Clichê?

Lejão. "Clichê" significa uma fórmula que se repete, apesar, de nos dias atuais o rock'n'roll ser novidade para alguns, eu quero mostrar que meu trabalho se baseia naquelas músicas que eu tanto amo e que me inspiram, como as músicas que meu pai me apresentou aos 6 anos de idade. É como se eu tivesse naquela época e fizesse com que as pessoas, como eu, amasse e revivesse este estilo rock'n'roll.
2112. A parceria com Tiago Mineiro e Flávio Guimarães te aproximou mais ainda do blues e do rock. Como surgiu essas parcerias?

Lejão. Eu já gostava e conhecia o trabalho de Flavio Guimarães e coincidentemente ele e o Netto Rockfeller estavam lançando um outro trabalho juntos, para mim o convite de Netto Rockfeller para Flavio Guimarães a participar do meu álbum foi de imensa gratidão. Foi através do Netto Rockfeller que se deram essas parcerias.

2112. Você tem investido bastante na divulgação do álbum nas rádios tanto nas convencionais como nas webs. O resultado tem sido satisfatório?

Lejão. Sim, é de imensa satisfação escutar as minhas músicas autorais tando nas rádios web quanto nas rádios convencionais e fazer com que as pessoas conheçam um pouco do meu trabalho.

2112. Quais as músicas mais tocadas?

Lejão. De um forma proposital, produzi meu álbum diversificando os ritmos, letras e fazendo com que as pessoas se identificassem imediatamente às músicas. Propositalmente são feitas de uma forma que as pessoas se identifiquem, algo que já viveram, situações que já tem experiência. É isto que tem acontecido nas rádios, algumas só tocam o meu rock 'n' roll, outras só tocam e se identificam com o meu country, e outras tocam a maioria. É difícil dizer a mais tocada, mas graças aos pedidos dos ouvintes e apoio dos radialistas que minhas músicas estão sendo aceitas na maior parte do Brasil.
2112. O album tem rockões com características bem anos 70, a bela balada Chuvas e trovoadas e o blues Deja Vu. Você já pensou em compor hard blues, rock com sotaques psicodélicos, rocks com influências prog etc?

Lejão. A minha essência é totalmente direcionada ao rock, ao blues raiz, na minha opinião o músico pode conhecer de tudo mas dom e talento são bem diferentes. Eu prefiro trabalhar dentro da minha essência, do que eu amo, do que eu aprendi e do que me inspirou quando conheci o rock 'n' roll aos 6 anos de idade.

2112. Você é do tipo de músico que compõem muito?

Lejão. Sou um compositor do tipo que necessito de inspiração e sentimento para escrever algo, observar, me atentar as histórias, o que acontece ao meu redor, analisar a vida e os acontecimentos das pessoas, isso me inspira ao compor uma música. Então sou um tipo de músico que preciso dos meus momentos para compor, não componho toda hora.

2112. E em relação aos shows você tem projeto de contratar músicos para montar uma banda para sair em turnê?

Lejão. Claro, inclusive já estamos em negociação deste projeto. Acho incrível e é uma experiência maravilhosa.

2112. Em conversa você mencionou que já está preparando o sucessor de Clichê.

Lejão. Serão 10 ou 9 faixas e o título não será mais Segredo como eu havia dito pois a música não foi aprovada.
2112. A sua parceria com Netto Rockfeller continua?

Lejão. Sim, a parceria do meu primeiro CD deu certo e assim daremos continuidade no meu segundo álbum.

2112. Quem irá produzir as gravações? O álbum trará alguma participação especial? 

Lejão. Quem irá produzir será também o Netto Rockfeller. Estamos em reunião para o fechamento da contratação de uma artista argentina para a participação especial no álbum.

2112. Além do tradicional rock'n'roll e do blues você mencionou que talvez inclua uma música com tempero latino algo bem próximo do funk rock.

Lejão. A música latina no meu novo cd chama-se Mercador de Sonhos composta por Pablo Mendoza. A outra canção no ritmo funk rock lembrará a banda Rare Earthe.

2112. A música Bonnie e Clyde segue o mesmo padrão de Chuvas e Trovoadas. Acho muito interessante esse resgate que você está fazendo de incluir baladas em meio aos rocks. Atualmente poucas são as bandas que transitam nesse terreno... 

Lejão. Para mim foi algo natural incluir no meu CD baladas, rock, country, por que esta é minha essência é o que eu amo.
2112. Nos anos 60/70/80 todas as bandas de rock tinham esse costume pois além de atrair ouvintes tocava bastante nas rádios e garantia a vendagem dos álbuns. Pena que isso caiu em desuso...

Lejão. Para mim é algo natural eu amo rock, gosto de baladas, me identifico com o country e quando componho uma música logo já nasce o ritmo da composição. Espero que as pessoas gostem.

2112. O que as pessoas que conheceram Clichê podem esperar do novo álbum?

Lejão. As pessoas podem esperar além de muito rock 'n' roll, novidades com ritmos novos como funk rock e mistura latina. Nas letras de algumas músicas mais agressividade, algumas falando de política, outras falando de coisas corriqueiras do nosso dia a dia. Será um álbum tão trabalhado como o primeiro álbum Clichê porém mais provocativo nas letras das músicas.
2112. Você tem projeto de lançar algum single nas plataformas digitais antes do álbum? Quais são os seus projetos nesse sentido?

Lejão. Já lançamos um EP em agosto deste ano com duas músicas inéditas que campus há 20 anos atrás: Vai Ser Agora Doutor e Do Outro Lado. Nosso projeto agora, está totalmente voltado para a gravação do segundo álbum.

2112. O álbum terá lançado em 2020.

Lejão. Com certeza será lançando no primeiro semestre de 2020.
2112. Qual o e-mail/telefone para comprar o cds ou mesmo para contratar para shows?

Lejão.
leandrosampaio334@gmail.com - (11) 9 8790-0584 - (16) 9 9756-8074

2112. ... o microfone é seu!

Lejão. Eu quero imensamente agradecer a você meu amigo Carlos Antônio do Blog Fúria 2112 a oportunidade de poder divulgar um pouco da minha história, quero agradecer a todos os radialistas que confiaram no meu trabalho e divulgaram a minha música e agradecer a todo Brasil. Deus abençoe a todos e um grande abraço.