O blog 2112 foi formado com intenção de divulgar as bandas clássicas de rock, prog, hard, jazz, punk, pop, heavy, reggae, eletrônico, country, folk, funk, blues, alternativo, ou seja o rock verdadeiro que embalou e ainda embala toda uma geração de aficcionados. Vários sons... uma só tribo!



sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Foggy Mountain Special - o Bardo e o Banjo (Earls Scruggs Cover)

O Bardo e o Banjo - Festa no Celeiro

O Bardo e o Banjo - Terra Natal

o Bardo e o Banjo - Lakeside

Entrevista Banda O Bardo e o Banjo


Uma das vantagens da música é que ela vive em constante mutação mas não esquece as suas raízes... esse é o seu segredo! E o que O que o Bardo e o Banjo faz é justamente isso, trazer de volta uma das muitas influências do rock: o bluegrass, um dos pais da country music. Leiam atentamente, compre os cds e vá aos shows. Tenho certeza que irão se divertir bastante!!  

2112. O cenário musical tem se renovado com uma série de bandas interessantes e ouvir o trabalho de vocês foi muito gratificante. Como surgiu a idéia de montar uma banda de bluegrass no país do samba?

Marcus Zambello. Realmente não foi algo intencional o Wagner Creoruska, banjoista e fundador da banda, tocou em umas bandas de rock e gostava de bandas como Lynyrdy Skynyrdy, Credence Cleawater Revival e outras que tinha influência da música country norte americana e até bandas como Hayseed Dixie que fazem covers versão bluegrass, foi ai que ele conheceu o estilo e se apaixonou pelo banjo, depois disso ele comprou um banjo e em 2012 ele resolveu experimentar tocar banjo nas ruas de São Paulo e foi um experiência tão promissora que mais tarde acabou virando um banda

2112. Qual é a primeira reação das pessoas quando vocês começam a tocar?

Marcus Zambello. São as mais variadas possíveis, tocamos em vários tipos de lugares, quando tocamos em lugares que não tem muitos fãs nossos é uma surpresa completa e as vezes você percebe que as pessoas demoram até pra entender o que está acontecendo hahaha mas pelo fato da música de ser tão animada as vezes a pessoas entram no clima de festa em poucos segundos, mesmo se tocamos para uma platéia que não conhece a gente

2112. A cena underground está bem mais forte e organizada com o advento da internet que gerou diversos veículos alternativos de divulgação o que deixa vocês “bandas” mais independentes e também mais próximas do seu público, não é?

Marcus Zambello. Sim a internet tem um lado bom é uma ferramenta que possibilita isso a democratização dos espaços, hoje você pode estar no meio do caminho entre uma banda "mainstream" e uma banda "independente desconhecida", você pode gerenciar a sua carreira e se livrar do monopólio que existia, no entretenimento hoje em dia você consegue ser um artista seguido por milhões de pessoas e ao mesmo tempo um completo desconhecido para as pessoas que não gostam daquilo, as coisas estão mais segmentadas.

2112. Outra coisa bacana na minha opinião é a diversidade de estilos. Afinal tem banda para todos os gostos e o que é melhor gravado em português...

Marcus Zambello. Sim isso é incrível na minha opinião também, acho que maior barreira para as bandas novas são os sentimentos nostálgicos que o próprio público alimenta, tem muita banda experimentando coisas novas. As bandas de rock clássicas experimentaram e misturavam muito, as novas bandas são as variações dessas misturas que aconteceram no passado, seria uma espécie de miscigenação da miscigenação hahaha uma que eu escutei recentemente e achei incrível é El Efecto. Isso que acontece é um fenômeno cultural que se renova e pelo fato das coisas estarem mais segmentadas só acha isso quem procura, mas ainda sim é melhor do que antigamente onde talvez nunca iríamos talvez ouvir de falar dessas bandas

2112. Essa valorização da língua portuguesa é muito importante pois torna os trabalhos bem mais acessível ao ouvinte, não é?

Marcus Zambello. Música tem haver com conexão uma letra pode mudar a vida de uma pessoa, quantas vezes já ouvimos alguém falar " nossa parece que essa música foi feita pra mim" " essa música representa minha vida" quando você canta em uma língua que não é nativa daquele povo isso já vira uma barreira, a pessoa às vezes não se sente tão bem representada ou a conexão não é tão efetiva. É tão louco isso que bandas que cantam em inglês e tem sotaque não tentam os mercados EUA logo de cara, as vezes adotam estratégias de tentar lugares que o inglês é segunda língua para ter uma melhor aceitação. Nos anos 70 80 e 90 o mercado era mais controlado por grandes gravadoras eles podiam enfiar goela abaixo bandas internacionais tocando e falando delas exaustivamente até a gente gostar e se conectar com aquilo, hoje em dia não é mais assim você ouve o que quer.

2112. O bluegrass é um dos ancestrais do country e consequentemente um dos padrinhos do rock’n’roll. Quais bandas mais influenciam o trabalho de vocês?

Marcus Zambello. Nossa a gente ouve Bluegrass raiz como Bill Monroe, Earl Scruggs ... Bluegrass moderno como Punch Brothers, Greensky Bluegrass ... Country Outlaw como Hank Willians ... os clássicos do rock que é nossa formação musical da nossa adolescência Lynyrdy Skynydy, Allman Brothers ... Folk Moderno como Mumford and Sons ... e claro as bandas dos nossos amigos que tem haver com a gente como Hillbilly Hawhide, Terra Celta ...

2112. Esse estilo musical se utiliza basicamente de instrumentos acústicos como o banjo, guitarra acústica, violão, baixo acústico, dobro e violino com os músicos se revezando entre solos e improvisos e os demais fazendo o acompanhamento. Vocês mesmo fazem os arranjos?

Marcus Zambello. Sim, o processo de composição é sempre alguém fazer a letra e/ou a música e depois nos reunimos para criar os arranjos juntos e vamos opinando e lapidando até chegamos em um ponto que ficamos felizes com o que ouvimos

2112. A banda já lançou quatro álbuns sendo dois de releituras e dois autorais além de dois EP’s. Como é o processo de composição de vocês?

Marcus Zambello. Os covers normalmente são música que gostamos ou que achamos que vais ser legal no show. O processo de composição do CD Homepath foi o Wagner Creoruska Jr. (banjo, percussão e voz) que veio praticamente com todas as ideias de músicas e letras e a gente fazia os arranjos das músicas em conjunto. Já esse nosso novo CD O Tempo e a Memória a banda toda compôs para o CD a maioria das músicas ainda são do Wagner mas tem partes de letras que eu compus, refrões que o Maurício escreveu ... então foi mais participativo e tem um pouco mais da característica de cada músico.

2112. O novo álbum “O Tempo e a Memória” foi todo gravado em português num fato inédito dentro do estilo. O que levou vocês a tomarem essa decisão?

Marcus Zambello. Uma parcela dos nossos fãs pediam isso fazia um bom tempo, nós achávamos uma boa idéia, mas tínhamos a ressalva de não saber se ia dar certo se íamos realmente gostar e o desafio de fazer algo novo, sem muitas referências da onde íamos chegar, mas no final adoramos o resultado

2112. O álbum está tendo uma boa aceitação?

Marcus Zambello. Sim está sim, agora tem muita mais gente cantando nossas músicas nos shows hahahah

2112. Vocês também fazem o circuito sertanejo de shows como rodeios, vaquejadas...

Marcus Zambello. Isso é muito louco, nosso maior público é a galera que gosta de rock e tem um pessoal que gosta de sertanejo também que gosta da gente, mas hoje em dia o sertanejo que está em alta não é o sertanejo raiz ou o sertanejo romântico do Xitãozinho e Xororó que tinha como grande influência muita coisa da música country, talvez seja por isso que não estamos nesse mercado, mas seria legal ver O Bardo e o Banjo nesse circuito eu acho que tem haver principalmente com o sertanejo raiz.

2112. Como já mencionei acima a banda tem dois álbuns de releituras de rock. Qual foi o critério utilizado por vocês na hora da escolha das músicas?

Marcus Zambello. O critério era a gente gostar, depois pensávamos " se a gente tocar de outro jeito será que fica legal? " então experimentamos algumas coisas, pra ver se funcionava.

2112. Vocês seguiram os arranjos originais ou incluíram algumas mudanças nos andamentos?

Marcus Zambello. Depende da música tem músicas que simplesmente era só a gente tocar do jeito que ela era apenas transpondo para os nossos instrumentos e pronto, mas tem algumas que precisam de muitas adaptações. Os andamentos normalmente mudam pra mais rápido hahaha

2112. Em 2015 a banda teve a música “You Need Some Hope” do álbum Homepath foi incluída na novela I Love Paraisópolis. A participação na trilha sonora de uma certa maneira abriu portas para a banda?

Marcus Zambello. Sim, no final tudo que você faz movimenta de alguma maneira, aparecer na novela em si não mudou muita coisa, no final acaba sendo muito mais do trabalho que você desenvolve como todo e das pessoas que se identificam com você, mas a novela ajudou naquele momento.

2112. O trabalho musical de vocês é bem criativo ao misturar o bluegrass ao rock, música brasileira, música irlandesa, blues... tirando o ritmo de sua área segura para se jogar num terreno de experimentações constantes. Os puristas não reclamam?

Marcus Zambello. Acho que se fosse em outra época sim, mas eu sempre me surpreendo com a aceitação do nosso público, às vezes eu particularmente tenho uns receios nesse sentido e no final eu penso " a música está boa?" "eu estou sendo verdadeiro comigo mesmo " " eu acredito nisso que eu faço " e quando as respostas para essas perguntas são "sim" assustadoramente o público adora. No final parece que quando você é verdadeiro com você mesmo a coisa flui melhor. Sempre tem um chato, mas na maioria das vezes esse comentário não existe ou não chega até a gente.

2112. Esse fato me lembrou da gravação de Like a Rolling Stone do Bob Dylan que ao misturar folk com rock foi vaiado e xingado em vários shows. Vocês já passaram por uma situação semelhante?

Marcus Zambello. A música mais ousada na minha opinião é " Moda de Banjo " mistura Bluegrass, Moda de Violão, Baião, Xote ... e no final ela á a música mais escutada no nosso Spotify eu acho maravilhoso isso, acho que vivemos em outra época realmente as pessoas que gostam de música estão com a cabeça mais aberta, com certeza tem pessoas de mente fechada, mas acho que esse número reduziu e como tudo está mais segmentado talvez as pessoas que não gostariam do nosso som simplesmente não chegam a nos conhecer.

2112. Recentemente entrevistei a banda Vlad V de Santa Catarina que incluiu num álbum de releituras a gravação de Child In Time do Deep Purple com um belo solo de flauta. Acredito que sem ousadia na gravação ela deixa de ser uma releitura para ser apenas uma mera cover. Além do mais o artista tem o direito de se expressar como quiser não é?

Marcus Zambello. Os caras do Vlad V são incríveis já fizemos um show com eles em Santa Catarina muito tempo atrás, realmente arte não tem limite ela existe para nos expressarmos e acho que impor muitos limites e regras para isso você perde oportunidade de ser único.

2112. Além dos shows de divulgação do novo álbum vocês tem novos projetos na pauta?

Marcus Zambello. Estamos tentando gravar vídeos clipes para divulgar esse nosso álbum, mas a vida de banda independente sem investidores tem algumas limitações hahaha estamos fazendo shows de divulgação viajando o Brasil e estamos estruturamos novos planos, temos alguns, mas um passo de cada vez estamos nos organizando para novos voos

2112. Qual o balanço que você faria após seis anos de existência da banda?

Marcus Zambello. Seria o aprendizado que tivemos como banda, como amigos trabalhando juntos e entendendo sobre o mercado musical e batalhar pelo sonho de falar com as pessoas através da música, tudo isso cansa quem tem banda sabe, mas é algo realmente gratificante trabalhar com música

2112. Além de vocês existem outras banda de bluegrass no Brasil?

Marcus Zambello. Existem, tem o Conjunto Bluegrass Portoalegrensse, Cartas na Rua, Gigito ... muitas vezes não considero a gente como uma banda de Bluegrass porque a gente mistura tanta coisa com Bluegrass que fica difícil dizer que somos uma banda de Bluegrass, as vezes falo que a gente é uma banda de Folk Rock, mas as vezes falo Bluegrass porque algumas pessoas acham nosso som tão diferente que elas querem ouvir uma palavra diferente para definir nosso som hahaha.

2112. Confesso que foi um grande prazer entrevistar a banda e saber um pouco mais sobre a sua história. O microfone é de vocês...

Marcus Zambello. O prazer é todo nosso, obrigado pela oportunidade. Eu quero convidar a todos para ouvir nosso novo CD O Tempo e a Memória que está em todos os streamings de música e principalmente para irem nos nossos shows é a melhor maneira de incentivar a música que você gosta.

O Bardo e o Banjo:

Wagner Creoruska – Banjo
Marcus Zambello -  Bandolim
Maurício Pilcsuk – Baixo Acústico
Peter Harris -  Violino


Próxima Entrevista

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

22º Festival Cultural do Pirão


O PIRÃO AM volta à Zona Leste de Manaus com mais um festival cultural aberto ao público, dessa vez na praça bem ao lado do Campo do Bahia, no bairro São José 3.
O Festival é itinerante, os locais escolhidos são sempre espaços públicos que se encontram ociosos. Uma das circunstâncias que favorecem a realização dos eventos é o desconhecimento da arte produzida no Amazonas, assim, poderemos criar uma mentalidade mais original, com o propósito de termos uma cultura cada vez mais reconhecida e prestigiada.

Atrações:
- Gil Valente & Carolina Bertolini
- Orquestra Puxirum
- República Regional
- Banda La Responsa
- Adriana Melo e Banda

Apresentação:
- Gelson Guma, o anão das multidões!



Sobre o Festival

O Pirão-AM é um movimento cultural independente, lançado em fevereiro de 2014, formado inicialmente por artistas do segmento musical local visando à democratização da música autoral independente produzida no Amazonas, possibilitando ao público apresentações de shows de artistas e bandas locais que já desenvolvem trabalhos autorais dos mais diferentes estilos musicais.
Desde a sua criação já foram realizadas 21 edições em diferentes comunidades de Manaus, contemplando a zona rural e urbana, reunindo um público médio de duas mil pessoas em cada festival fomentando o cenário e movimentando a cadeia produtiva da música independente no Estado.

Informações:
- Denis Thaumaturgo, no Fone/WhatsApp (92) 99104-5555

Obs.: Texto enviado pela própria produção do evento.