Assim como os
Rolling Stones e o Made In Brazil o Véio Rock faz apenas rock'n'roll para
dançar, cantar, festejar a vida e se divertir. Quem já foi aos seus shows ou
conhece a sua música sabe perfeitamente o que eu quero dizer. "... I said
I know it's only rock'n'roll but I like it."
2112. Estado Metal seu novo trabalho
foi lançado durante uma live. Fale um pouco sobre esse projeto.
Vagner. Estado Mental foi lançada ao
vivo na Kiss FM no dia 02/03/2021, pouco antes da e ser decretada a pandemia no
Brasil e a música que dá nome a meu primeiro EP. A música tocou, juntamente com
Sem Rumo, por mais de 40 semanas consecutivas na programação da rádio em todas
as principais capitais e quase todo os estados brasileiros. É sem dúvida meu
maior sucesso.
2112. O título tem algo a ver com a
pandemia?
Vagner. Medo foi escrita, produzida
e lançada durante a pandemia. Nela eu tento mostrar a cultura do terror, onde
um sujeito tem medo até dele mesmo. É um alerta as pessoas, para que elas
encarem os seus demônios de frente.
2112. Estamos vivendo tempos
sinistros com a infectação de milhares de pessoas... sem contar as mortes de
amigos e entes queridos. O que isso afetou diretamente na concepção do álbum,
nas gravações etc.
Vagner. Medo é mesmo um desabafo e um
alerta as pessoas. Todos temos os nossos demônios e cabe a nós encará-los. Não
podemos viver escondidos em um quarto a vida toda. Em certo momento teremos que
sair de lá e encarar a vida de peito aberto.
2112. As gravações foram realizadas em
horários alternadas seguindo as regras da pandemia ou foi do modo tradicional?
Vagner. As gravações de Medo seguiram
todos os protocolos de segurança, com músicos gravando cada um em seu próprio
estúdio. Também a produção, mixagem e masterização foram feitas de modo remoto.
2112. Medo soa meio que um desabafo...
O que te levou a escrever a letra.
Vagner. Já estou trabalhando em novas
canções, mas devido à pandemia ainda não entrei em estúdio para produção. Mas
com toda certeza, assim que passarmos essa fase difícil vem coisa nova ai. Por
enquanto ainda sem data definida para lançamento.
2112. Achei muito interessante o
single O Vilão que fala sobre o lado obscuro da psique humana. O que mais te
atrai em temas como esses?
Vagner. O vilão é meu xodó. É foi a
música que me abriu as portas as grandes rádios e me fez acreditar no projeto.
Ela foi lançada na Transamérica FM e a partir dela a coisa tomou forma.
2112. É notório que os vilões atraem
multidões... a prova é o fascínio que Darth Vader desperta nos fãs de Guerra
nas Estrela. No seu ponto de vista o que atrai as pessoas a terem esse fascínio
pelo lado sombrio da vida?
Vagner. Os vilões são personagens
que criam um fascínio em todos os seres humanos. São muito retratados na telona
e pouco explorados na música, então busquei retratá-los em uma de minhas
músicas. Acho que o fascínio de um grande vilão gera nas multidões é que todos,
mesmo que de maneira inconsciente, temos um vilão dentro de nós.
2112. Vagner, você além de músico é
economista e empresário. A pandemia te afetou muito?
Vagner. Essa pandemia atrapalhou e muito
a todos nós. Somos hoje 19 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.
Infelizmente muitos brasileiros passando fome e até que haja a retomada dos
níveis de atividade econômica, muitos ainda padecerão, se não por essa maldita
doença, de fome.
2112. Acredito que para ser músico
no Brasil antes torna-se necessário ter um trampo fixo. Poucos vivem
&exclusivamente& de música a não ser que tentem o mercado externo como
fez o Sepultura, o Angra e o Viper, não é?
Vagner. Antes de qualquer coisa,
viver exclusivamente apenas de um negócio não é uma opção, nem no Brasil nem
fora dele. Os grandes empreendedores sabem do risco de se ter apenas uma fonte
de receitas. Na música não deve ser diferente e mesmo o Sepultura, Angra,
Vipers, os seus integrantes tem negócios paralelos. Para citar um exemplo, o
Kiko tem diversos cursos on line, inclusive de empreendedorismo. O Max, ex-Sepultura,
tornou sua marca de roupas (Cavalera) um negócio rentável, ainda que alavancado
pela marca Sepultura. O Barbosa tem cursos de guitarra nas plataformas de
cursos on line e ainda que sejam negócios relacionados a música, são atividades
paralelas e alavancadas ao principal negócio. Se olharmos para o mainstream da
música mundial, Dickinson dá palestras a grandes empreendedores pelo mundo
todo, Kiss produz desde bonecos, gibis e até desenhos animados. Por tanto,
mesmo que suas principais receitas venham de direitos autorais, vendas de shows
e mídias nas plataformas ou mesmo a venda de cds e dvds como eram a pouco tempo
atrás, ter apenas uma fonte de receitas não é prudente e nem sensato, mesmo aos
grandes músicos que já têm carreiras suas consolidadas.

2112. Fale um pouco sobre o começo
da sua carreira na música. Você participou de muitas bandas?
Vagner. Eu comecei na música as 16 anos,
como vocalista de pequenas bandas em Curitiba. Passei por diversas delas e
devido às dificuldades encontradas naquela época tive um hiato aproximadamente
19 anos longe da música. As dificuldades de se gravar naquela época. Era tudo
muito caro e difícil de encontrar bons produtores e equipamentos. Também um
nódulo nas cordas vocais me obrigou a me ausentar da música. A princípio seria
apenas uma pausa para o tratamento, mas ai veio faculdade, casamento, filho,
responsabilidades (hehe) e claro, certa desilusão a música que me tiraram dela
por quase 20 anos.
2112. O que levou a carreira solo?
Vagner. O que me levou a carreira
solo foi a falta de comprometimento dos músicos que eu encontrei durante meu
período com bandas. Nem todos os mesmos objetivos de vida. Muitos estavam atrás
de um instrumento apenas por amor a música e simples diversão, enquanto eu
queria voar.
2112. Entre bandas e músicos que
você curte quais foram influências diretas na sua vida como músico e letrista?
Vagner. Eu cresci ouvindo Led
Zeppelin, AC/DC, Iron Maiden, Judas, Sabbath, Raul, Engenheiros, Titãs, Barão,
Legião, dentre tantos outros nos anos 80. Foi uma época maravilhosa pro rock
nacional e internacional e é até uma injustiça não citar todos aqui, mas passaríamos
o dia aqui.
2112. Me diga como foi participar do Make Music Day, evento que celebrou
a música em mais de 120 países e 1000 cidades. A repercussão foi boa?
Vagner. Receber o convite do coordenador regional para participar do maior
evento musical do planeta foi maravilhoso e uma grata surpresa pra mim. O Make
Music Day foi disparado o maior evento que participei. Minha live obteve mais
de 15 mil visualizações simultâneas e alavancou muito minha carreira,
principalmente no que diz respeito a redes sociais.
2112. Tem outros projetos nesse formato e quais são as suas expectativas
em relação a cena, apoio cultural, shows etc.
Vagner. Eu produzi algumas lives em minhas redes, inclusive para a Tendência
Rock, que é um movimento de apoio as bandas independentes. Participei de outros
festivais on line, como para o Pedrada Rock, idealizei e produzi o Live Crash TV
com a Cacá no início da pandemia. Quanto ao apoio cultural que tanto
precisamos, principalmente de nosso governo foi muito pequeno e irrelevante.
Essa lei Adir Blanc não favoreceu os pequenos músicos e a Lei Rouanet, todos
sabem que também só favorece os grandes músicos e produtores. Pelo que tenho
observado todo o apoio a cena tem partido de pequenas iniciativas individuais,
infelizmente. Já os shows estão parados e sem data prévia de retorno e enquanto
essa situação não se resolver acredito que não voltaremos. Aliás, acho que esse
ano será praticamente impossível retomarmos de onde paramos.
2112. Por último... porque de Véio Rock?
Vagner. Veio é um apelido que trago de minha adolescência. Na ocasião de meu
retorno a música, que foi um convite que recebi de um moto clube para fazer um
show me deparei com a necessidade de ter um nome artístico. Assim, só juntei
meu apelido a minha ideologia de vida. Kkkk
2112. Qual o tel./e-mail para aquisição de material de merchandising e shows
pós-pandemia?
Vagner. Eu estou presente em todas as redes sociais. Os fãs, produtores e
contratantes podem encontrar meus trabalhos no meu site, Facebook, Instagran e
também em todas as plataformas de streaming
www.veiorock.com.br
https://open.spotify.com/track/2EJvKhKJjhCefAebbCL1SX?si=SR8SCZHdTiS5S4xbMQfONQ]
http://instagram.co,/veiorockoficial
https://www.facebook.com/vagnerveiorock/
https://youtu.be/1cZ9uaCljq8
2112. ... o microfone é seu!
Vagner. Gostaria de agradecer primeiramente ao espaço que o seu blog 2112
dá a todos nós da cena independente. É esse espaço que une e aproxima nós
artistas de nossos fãs e é importantíssimo para o fortalecimento e crescimento
da cena. Em segundo lugar, agradecer a todos que de alguma forma contribuíram e
participaram das produções. A WWA Music Maneger, a WTF Records e a Roadie Metal
que acreditaram em meu trabalho e todos os fãs que curtiram, comentaram e
compartilharam em suas redes as músicas do Véio Rock. Acho que eles são o
motivo de estarmos trabalhando tanto pela música. Sem eles nada disso seria
possível. Meu muitíssimo obrigado a todos e aguardem que em breve vem músicas
novas por ai... Fiquem ligados.
Obs.:
As fotos foram todas solenemente roubadas
do Facebook do cantor. Identifiquei apenas o nome do FernandoBFotografia. Se alguém souber o nome dos demais fotógrafos favor enviar para o meu e-mail: furia2112@gmail.com para que eu possa fazer as devidas correções.