O blog 2112 foi formado com intenção de divulgar as bandas clássicas de rock, prog, hard, jazz, punk, pop, heavy, reggae, eletrônico, country, folk, funk, blues, alternativo, ou seja o rock verdadeiro que embalou e ainda embala toda uma geração de aficcionados. Vários sons... uma só tribo!



quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Entrevista Sid Blues

2112. Explique como surgiu essa idéia de misturar elementos da música brasileira com o blues. Como isso se processa na sua cabeça?

Sid. Bom eu sempre escutei vários tipos de música, gostando de estilos variados e da forma que o Brasil miscigena os sons, o próprio blues caminha dessa forma. Se você pegar artistas do princípio e de hoje, é clara a transformação do estilo, acho que de tanto parar pra perceber coisas interessantes em outros estilos isso acabou se fundindo ao tipo de som que faço, de forma a aproveitar elementos.

2112. Fico imaginando o que os puristas do estilo devem pensar sobre isso. Isso de uma certa maneira te incomoda ou pouco importa para você?

Sid. A música de forma geral sempre foi mutável, acho que cada indivíduo tem suas concepções e respeito todos, quanto a esse purismo acho uma bobagem, principalmente que o blues não foi inventado no Brasil, e até mesmo os próprios bluesmans raízes foram modificando o estilo no decorrer do tempo, posso citar vários e alguns brasileiros também já fizeram isso, não é novidade, estou em paz com isso.

2112. ... a meu o "samba de raíz" é o nosso blues pois ambos vieram da mesma fonte. Imagine músicas do Cartola, Donga, Geraldo Pereira, Elton Medeiros, Carlos Cachaça etc em arranjos blues. Acho que ficaria bem interessante, não?

Sid. Sem sombra de dúvidas, a exemplo disso o Zé Pretinho fez esse tipo de fusão em "Asa Branca" de Luiz Gonzaga, o Renato Fernandes dos Bêbados Habilidosos fez uma versão de "Boemia" do Nelson Gonçalves, e acredito que farei alguma versão de algum clássico assim também rs, super funciona, isso responde também um pouco da pergunta anterior.

2112. Como você citou acima o bluesman Zé Pretinho (In memorian!) fazia umas releituras interessantes do nosso cancioneiro.

Sid. Zé pretinho era um autêntico Bluesman tupiniquim, sempre o admirei desde quando o conheci e ele assim como outros quebraram esses paradigmas quanto a se reinventar, de certa forma é o que em alguns aspectos estou levando sobre meu trabalho.

2112. Você nasceu numa família que respirava música e já com quatorze anos se decidiu pela guitarra. Como foram esses primeiros anos? O que você ouvia e o que mais o influenciou musicalmente?

Sid. Eu comecei a tocar guitarra influenciado por sons do final dos anos 80 e início dos anos 90, época que fui contemporâneo, sempre fui um grande admirador do punk e do grunge sendo esses estilos a base da minha formação como guitarrista, escutei diversas bandas desses estilos as quais foram as primeiras onde aprendi meus acordes iniciais, Nirvana por exemplo foi a banda que me fez ter vontade de ser guitarrista, e adorava tocar os punks clássicos.

2112. Por um período você tocou em bandas punk e grunge. Vocês faziam shows ou apenas tocavam por diversão?

Sid. Desde quando estive nesses projetos sempre fui de levar muito a sério, nunca toquei por brincadeira apesar de que fazer música é uma diversão, inclusive nessas bandas foram desde o início onde comecei a fazer música própria, e num país como o Brasil, música alternativa/underground sempre teve dificuldade de conseguir espaço pelo mainstrean, e eu sempre gostei de ler e estar informado, daí minha preocupação em procurar fazer shows e participar de festivais com responsabilidade.

2112. Existe gravações desse período?

Sid. Existem sim, em suma um material precário, as dificuldades de gravar eram evidentes pra época, e ainda estávamos por amadurecer em vários quesitos, então foi um material que não chegou a ser lançado em disco, só ficou na nuvem como demos alternativas.

2112. E como foi que o blues chegou até você?

Sid. Peguei a fase das fitas VHS, cds, cassete, etc tinha um colega que seu pai era um amante de blues, tinha cds de uma coleção, um pouco antes disso eu descobri Jimi Hendrix através de um documentário sobre guitarristas as cenas eram ele tocando no lendário Woodstock, no vídeo ele tocava PURPLE HAZE um de seus maiores clássicos, lembro como se fosse hoje o quanto fiquei impressionado com o som de sua guitarra, sua performance visceral as roupas todo o contexto, logo queria saber tudo sobre ele, e como todos os artistas que me fizeram gostar de suas músicas fui pesquisar de onde o Hendrix tinha bebido, aí veio nomes como B.B king, dentre vários outros aí entra a história desse colega.

2112. Uma curiosidade: como você conheceu Jimi Hendrix o meu "guitar hero number one"?

Sid. Respondida acima, inclusive é meu preferido de todos, porém quando se fala de Blues, o meu preferido pra o estilo é o Freddie King.

2112. ... voltando a sua carreira fale um pouco sobre o B.R316 que inclusive gravou um álbum. Aqui você já tocava blues?

Sid. O B.R316 foi o primeiro trabalho relacionado ao blues, e nesse trabalho eu já vinha fazendo esse "fusion" experimentando ideias, e nessa época já vinha também estudando o estilo de muitos guitarristas de blues, foi o período que mais absorvi informações, hoje vem buscando criar uma sonoridade minha do que aprendi, mas eventualmente aprendendo coisas novas.

2112. O álbum trazia apenas material autoral ou era constituído apenas de releituras?

Sid. O álbum só teve composições autorais, na real nunca gravei alguma releitura, mas que bom que comentou sobre isso, acho que é algo que tenho que fazer em breve.

2112. Vocês faziam muitos shows?

Sid. Sim havia uma agenda legal pela cidade e interior do estado, inclusive fizemos vários shows fora do estado rodando o nordeste, participando de festivais, editais de arte, etc. Foi um período de muito aprendizado e memórias legais, saudades inclusive.

2112. A banda acabou ou apenas você se desligou dela?

Sid. Bom como fundei a banda, desliguei ela também com o fato de mudar de cidade, acabou que não havia sentido do projeto ter continuado visto eu ser fundador e principalmente compositor/produtor da banda, e os amigos que estiveram juntos seguiram seus projetos.

2112. No início de 2016 você se muda para São Paulo, cria o Projeto Aurodharma e grava o álbum "Cabeça do Tempo". Como é que funciona esse projeto? Os músicos são fixos ou você os contrata segunda as suas necessidades?

Sid. Antes do Aurodharma tive um projeto de blues rock também, que foi embrião do projeto Sid Blues, se chamava Uzina Elétrica, esse foi meu primeiro projeto aqui o qual já tinhamos praticamente um disco pronto, com o fim do mesmo conheci o Martin participando de seus projetos, até que chamei ele pra voltar essas raízes de coisas que tocava no início, e conhecemos o Marcelo e formamos o Aurodharma, então a banda é tipo uma família, fixa que passou por algumas modificações e agora está solidificada com a presença do baixista e brother Elidio.

2112. Você poderia falar um pouco sobre a concepção e gravação do Cabeça do Tempo?

Sid. Eu e o Martin passamos um ano, meio que secretamente produzindo as músicas, que são temáticas do introspecto humano, temas políticos específicos e sobre as relações humanas de forma geral. São nove faixas que compomos juntos e são basicamente influenciadas em sons dos anos 90, como Nirvana, Alice In Chains, Soundgarden e por aí vai, mas também trazendo o aspecto de brasilidade dando nossa cara ao trabalho. O disco é proeminente de 2018, a gravação aconteceu no estúdio Dual Noise sob supervisão e cuidados do brother Rogério Wecko, e neste momento estamos nos preparando pra gravar o segundo disco chamado Denso, vai vir mais intenso como o próprio nome instiga.

2112. Apesar do nome Sid Blues Trio sugerir uma banda trata-se de um trabalho solo. O que te levou a tomar a decisão de seguir carreira solo e como fica o Projeto Aurodharma?

Sid. Sim é um trabalho solo, essa banda é meio que mutável, mas tenho um time que me acompanha meio que fixo, inclusive o Russo no baixo é o cara que fundou comigo o Uzina Elétrica, e que gravou comigo o disco Sid Blues, também me acompanha nesse projeto, quanto o Aurodharma vai seguindo firme também e me desdobro nos dois trabalhos de forma que não se choquem marcando de forma organizada os compromissos, mas o que me levou a montar o Sid Blues foi o fato de o Aurodharma ter dado um stand by por conta da pandemia daí sentir a necessidade e também com tempo conseguir produzir o material do EP.

2112. O trio já está em estúdio preparando o seu debut. Você pode adiantar alguma coisa? O que os fãs de blues podem esperar? O material é todo autoral?

Sid. Na realidade já foi lançado o material em todos as plataformas e fiz uma edição limitada de CDs, pra comemorar isso e servir também de souvenir. Porém estou produzindo novos sons pra um segundo disco, só que esse terá novas curiosidades, quem sabe até uma releitura hein, no caso o primeiro trabalho é todo autoral.

2112. ... o lançamento será em cd, vinil ou apenas nas plataformas digitais?

Sid. Foi lançado em CD, e plataformas digitais.

2112. Qual o seu telefone/e-mail para contratar seus shows?

Sid. Você me encontra no Instagram @sid_blues Fone: 11970226879
contato-vitor@outlook.com

2112. ... o microfone é seu!

Sid. Bom queria em primeiro lugar agradecer a você Carlos e ao blog 2112 pelo fomento aos trabalhos artísticos musicais e o convite pra falar sobre essa história que venho caminhando a pouco mais de 20 anos, e deixar a mensagem pra que todos apoiem e incentivem artistas independentes, tem muita coisa legal acontecendo que o mundo precisa ver além.do mainstream.

Obs.: Todas as fotos foram retiradas do facebook do entrevistado. 

 

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Entrevista Mônica Paz

 

2112. Explique como uma técnica em enfermagem e farmácia entrou numa banda de metal?

Mônica. Lavando louça entre 9 a 11 anos de idade, não lembro a idade exata, queria escutar música para fazer essa obrigação. Encontrei ali na cozinha debaixo do armário uma caixa com uma fita 7 que estava escrito ...And Justice for All e do outro lado Slayer. Foi ali que tudo começou.

2112. O que isso mudou na sua vida?

Mônica. Mudou tudo em relação a música. Eu que só escutava Trem da Alegria, Xuxa, alguns boleros e Raul Seixas porque a minha mãe gostava. Tive uma alta sensibilidade para os rifs de guitarra, a verocidade de voz etc que me faziam transcender em curiosidades .. como é que eles fazem isso??? Quero saber!!!!! 

2112. ... você ouve outros tipos de som além do metal?

Mônica. Sim, gosto da musicalização antiga, desde ópera, bossa nova, clássica, blues, reggae, gosto de contexto e letras poéticas por isso me fascino por antiguidade musical.

2112. Você poderia falar sobre as bandas que participou na adolescência antes de entrar na Kranius?

Mônica. Tive bandas de garagem como que só tocavam em aniversários de amigos, reunião de adolescentes, apresentação em colégio e tudo mais desse gênero. Eu tocava guitarra e cantava também. Geralmente era Ramones músicas de 3 acordes pra conseguir cantar e tocar.. os nomes eram engraçados... porque era o povo de colégio e eu sempre era convidada pra somar na banda então não opinei nos nomes kkkk Narinas Dormentes e Dark Fears.

2112. Existe material gravado dessa época?

Mônica. Nessa época não existia celulares com tanta tecnologia como hoje. Se existir eu não tenho, talvez alguém dessa remota época tenha revelado e sabe Deus onde se encontram.

2112. Falando da Kranius e Solymon. Como essas bandas surgiram?

Mônica. A Kranius começou como brincadeira pra divertir e sair um pouco da rotina pra tocar clássicos de bandas de peso. Mas não sabíamos que ia ter uma repercussão boa... ou seja nada foi planejado, foi acontecendo e quando vimos surgiam muitos convites pra tocar. Já a Solymon foi pensanda com muito carinho por mim e o guitarrista Renato Brandão professor da UFAM a qual queríamos trazer a cultura da Amazônia e suas histórias pra lembrarmos o quanto nossa região é cheia de mistérios e historicamente falando muito pouco abordada pelo povo brasileiro. E muitas das letras a qual eu escrevo são viagens mediúnicas como se eu tivesse ali na hora vendo tudo que aconteceu. 

2112. A sua agenda é bem agitada... além do trabalho, você estuda, participa de duas bandas (isso inclui ensaios, shows e gravações), cuida de casa etc. Como você ministra tudo isso e ainda encontra tempo para você? 

Mônica. No momento estou mais em casa, porquw meu contrato acabou recentemente na empresa a qual prestava serviço, então estou mais em casa estudando pra faculdade de farmácia, para concursos, cuido dos meus filhos, os trabalhos domésticos e uma vez na semana ensaiamos com a Kranius e Solymon. O legal é que são os mesmos músicos para as duas bandas. Quanto a agenda de shows o próximo pro enquanto tá pra outubro no Festival Polirock, e pra final do ano com a 2 edição do Festival Brother's Of Metal.  

2112. Sabemos o quanto o cenário do metal nacional é carente quanto a participação de mulheres cantoras/instrumentistas em bandas. A situação deu uma melhorada mais ainda tem muito a se fazer, não é?

Mônica. Sim, muito a se fazer pois as maioria das mulheres só se limitam aos que os outros querem, ao que se vende, ao que é o gosto do populacho. Umas tem um talento imenso mas se restringe ao que as gravadoras impõem. Já outras mesmo gostam do famoso rock confete (a mesmice). Enfim... É assunto que tem muita pauta pra falar rsrs.

2112. ... você já se sentiu diminuída em algum momento?

Mônica. Diminuída nunca! A palavra certa é decepcionada com atitudes que em pleno século 21 não deveria existir mais. Me sinto é desafiada a mostrar que mulher não se resume a rebolados e músicas chulas, mulher tem cérebro e atitude e se quiser botar tudo isso pra fora em forma de arte e pensamentos pode e deve.

2112. Achei muito interessante e ousado o trabalho que vocês desenvolvem com a Solymon utilizando as crenças, os rituais e o folclore amazônico. Vocês já gravaram algum material?

Mônica. Estamos produzindo e breve gravaremos um EP. Brevemente já estará tudo em mãos se Deus assim o permitir.

2112. O nome da banda foi uma sugestão de Renato Brandão, professor de música da universidade UFAM. Como aconteceu esse episódio?

Mônica. Sim o nome foi ele que deu. Diante de todo o contexto que envolve o estilo ao qual nós queríamos ter uma banda, mais explosão, som pesado e atitude mais brutal, ele foi buscar nas histórias que envolvem nosso Amazonas algo que pudesse traduzir essas qualidades. Lembrou da própria resolução nas crônicas dos primeiros viajantes pela região que contavam sobre um rio que era perigoso, seus habitantes humanos usavam um tipo de curar e veneno denominado sorimun. Mais tarde a palavra se moldando ao português, viria a ser o nome do rio dos venenos, Solimões. Para não ficar tão evidente, então ele pensou em Solymon, um nome curto e forte.

2112. Mônica, como é a cena metálica aí em Manaus? Tem muitos lugares para vocês tocarem? E o público agita bastante?

Mônica. Atualmente só o Condadobar e casas undergrounds que abrem espaço para este tipo de som mais evidente e pesado. Aqui em relação a outras cidades brasileiras como SP o público é não é muito extenso apesar de ter sim seus conhecedores e simpatizantes. Mas não supre a carência do Metal aqui. E sim, o público agita bastante quando são verdadeiros apreciadores da arte que estão escutando. Pois sempre há os curiosos de shows que vão e nem sabem o que tá acontecendo no palco ou o som proposto.

2112. Eu trabalho com o blog a sete anos e vejo que o brasileiro não valoriza como deveria a sua cultura. Qual a sua opinião acerca disso?

Mônica. O populacho brasileiro não dá valor só a sua cultura, mas a educação, aos valores e quase nada de outros assuntos de importância, para que nosso país saia do patamar de pais onde não há leis, não há regras e tudo se pode. Ou seja é uma bagunça. A solução é uma educação de excelência só assim teríamos noção de uma verdadeira cultura raciocinada.

2112. Tenho visto músicos vendendo seus próprios instrumentos de trabalho para sanar dívidas. Como é manter uma banda em meio a toda essa tempestade que é a falta de apoio dos órgãos públicos?

Mônica. Tem que gostar muito do que faz pra juntas seus couros de ratos e manter firme o seu propósito de levar teu recado ao mundo. A vida de quem vive de arte em todos os aspectos não é fácil justamente pela falta de interesse dos que poderiam ajudar.

2112. Tem previsão de algum álbum, single ou vídeos para os próximos meses?

Mônica. Nas próximas apresentações já iremos inserir uma música ou outra da Solymon pra gerar justamente mais material.

2112. Qual telefone/e-mail para contactar a Kranius e a Solymon?

Mônica. O meu WhatsApp é 92994094585, no Instagram ou diretamente nos chats: @kraniusrockband. @solymonband.

2112. Obrigado pela entrevista.

Obs.: Todas as fotos usada nessa postagem foram retiradas do perfil da banda Kranius e da própria Mônica Paz.