O blog 2112 foi formado com intenção de divulgar as bandas clássicas de rock, prog, hard, jazz, punk, pop, heavy, reggae, eletrônico, country, folk, funk, blues, alternativo, ou seja o rock verdadeiro que embalou e ainda embala toda uma geração de aficcionados. Vários sons... uma só tribo!



quinta-feira, 26 de março de 2020

Entrevista André Youssef


Conheci o grupo na Internet através de um vídeo em que eles descontruiram o mega hit Sultans Of Swing do Dire Straits e o transformaram num gostoso old blues. Fui atrás do André e o resultado do nosso bate papo você lê abaixo. Uma dica... anotem o nome da banda.  
2112. Como surgiu a idéia de transformar Sultans Of Swing num old blues? A música ganhou uma dimensão que com certeza deixaria Mark Knopfler orgulhoso se ele a ouvisse. Parabéns.
André: Fico muito feliz que você tenha gostado do meu trabalho. Eu sou um fã declarado do Dire Straits, em especial do Mark Knopfler. Ele está na minha lista top five dos guitarristas. As influências dele são as mesmas que as minhas: Country Music, Blues, Rock e Jazz. A versão de Sultans Of Swing surgiu de uma maneira bem natural, num primeiro momento a executei com uma levada blues, só que com um beat mais lento. Resolvi dar uma acelerada inspirado no Gipsy Jazz francês de Django Reinhardt e a cantora francesa Zaz. Acabou ficando um Gipsy Blues, se é que existe... rs. Além disso, gosto de cantar com uma interpretação minha. 
2112. A meu ver quando um artista pega uma composição alheia e a desconstrói como você fez ela quase se torna uma composição própria ou você não vê dessa maneira?
André: Eu também vejo dessa maneira. O mais interessante é quando o artista consegue ter uma “impressão digital”, a partir daí ele pode executar qualquer música, mesmo sendo de outros compositores, que acaba ficando com a sua cara. Eu adoro fazer isso, garimpar músicas que eu gosto, do meu universo musical, e tento tocá-las e cantá-las da minha maneira, mudando o arranjo, a tonalidade, a harmonia, o riff, o estilo, etc. Com isso acaba nascendo outra música. Uma curiosidade: Nos meus shows eu percebo as pessoas cantando e logo em seguida pesquisando no celular para saber qual música é. Ao mesmo tempo eu tenho o meu lado didático, sempre dou explicações entre as músicas.
2112. Apesar do Dire Straits ter ficado mundialmente conhecido pelo seu classic rock a música "Brothers In Arms" é um verdadeiro lamento blues... mas vejo que poucos fãs da banda perceberam isso.

André: Essa música é linda! Ainda farei uma versão. Tem muitos elementos blues ali. Aliás esse álbum inteiro é primoroso.
2112. O que levou você a formar o André Youssef Trio após 27 anos acompanhando grandes nomes do pop rock e do blues? Você tinha necessidade de criar algo próprio para expressar suas ideias?
André: Desde pequeno o piano e o órgão sempre me encantaram. Comecei os meus estudos por eles aos 8 anos de idade. Aos 15 anos comecei a tocar com as primeiras bandas de garagem. Tecladista era uma figura rara, portanto eu acabei ficando requisitado. Eu toco violão e guitarra também, mas não tinha chance, era o teclado que as bandas precisavam. Eu já cantava desde essa idade, mas por ser muito tímido, não arriscava nos palcos, e as bandas já tinham vocalistas, impossível ter dois cantores... rs. Ou seja, meu sonho de cantar foi sempre postergado. Outro fator que pesou foi o lado músico profissional, acompanhar artistas maiores garantiam cachês maiores. Até que quando eu completei 40 anos disse pra mim mesmo, preciso pôr em prática esse meu lado cantor, não posso esperar mais. Comecei cantando algumas músicas na minha banda Tritono Blues. Aos poucos senti segurança para fazer shows solo, cantando o show inteiro, foi aí que nasceu o André Youssef Trio em 2015. Com esse projeto, consegui escolher meu repertório, escolher músicos para me acompanhar, montar o meu show, cuidar da agenda, falar com o público etc... Tudo isso me trouxe um novo prazer, uma adrenalina nova que estava faltando no meu trabalho de músico e na minha vida, resumindo, uma realização mais artística.
2112. O convívio com estilos variados cria respaldo para uma infinidade de combinações musicais. E você é bem eclético, não?
André: Sem dúvida. Sou bastante eclético. Além do blues, ouço muito jazz (preferência para os anos 30 a 50), amo country music, rock dos anos 50 e 60. Na música brasileira, gosto muito do samba tradicional e do baião. Luiz Gonzaga para mim é um blues man, por exemplo. Por outro lado considero Simonal, Benjor e Tim Maia caras que conseguiram trazer influências da música norte-americana para a brasileira.
2112. Jimmy Page e Jeff Beck são exemplos típicos de que a ousadia musical os conduziram para além do blues e do rock. Kashmir é um exemplo típico do que estamos falando. Ela soa como um mantra por seu toque oriental mas que tocado por uma banda que tem o blues e o rock'n'roll como base. Isso sim, é evolução...
André: Sem dúvida. Ótimo exemplo.
2112. No Brasil Nuno Mindelis e Zé Pretinho romperam com o tradicionalismo do blues ao misturar música caipira, eletrônica e étnica ao seu som com ótimos resultados. A essência do blues está lá mas sob uma nova perspectiva musical. Os puristas vão me crucificar mas sou totalmente a favor e você?
André: Sou totalmente a favor dessas fusões com outros estilos musicais. Se a coisa é feita com sinceridade, com honestidade, não tem como dar errado. Em contrapartida, quando alguém tenta fazer algo forçado, copiar algo que já foi feito, a coisa não se sustenta. Toquei algumas vezes com o Nuno, realmente ele criou uma identidade própria de tocar guitarra, e sempre está à procura de fusões.
2112. Um estilo musical precisa estar em constante ebulição para não se transformar numa lembrança longínqua de uma determinada época, não é?
André: Concordo em parte com a sua afirmação. Como eu disse anteriormente, é extremamente rico quando algum artista faz inovações, fusões com os estilos, acaba gerando coisas novas. Exemplo: O blues, que originou o R&B, que ao beber da fonte da música cubana evoluiu para o funk de James Brown, que influenciou o pop de Michael Jackson, que inspirou Bruno Mars, e por aí vai... Em contra partida existem alguns estilos como por exemplo o Traditional Jazz (ou Dixieland), que nasceu no início do século XX, com uma série de regras, instrumentos característicos, linhas melódicas, harmonias etc, que quando alguém começa fugir muito dessa estrutura, deixa de ser esse estilo musical. Ou seja, ele está “congelado”. Até hoje existem bandas com décadas de existência tocando exatamente da mesma forma que há 100 anos atrás, e na minha opinião, isso é fantástico, traz um respeito, uma reverência pela música que foi criada, e tem a missão de perpetuar determinado gênero.
2112. Correto. Em 2015 você iniciou sua carreira solo tocando blues, rock 50 & 60, country, folk e soul. O que você tinha propriamente em mente quando criou o seu trio?
André: Eu fui trazendo todas essas influências músicais para o meu repertório, e continuo fazendo isso. Escolhi o baixo acústico pois tenho uma grande afinidade com esse instrumento e a bateria dá a sustentação e o ritmo necessário para o show acontecer. Às vezes adiciono um gaitista ou um saxofonista a essa formação.
2112. Quais músicos ou bandas mais influenciou sua carreira?
André: Ray Charles, Chuck Berry, The Beatles, Fats Domino, Louis Armstrong, BB King, James Brown, Rolling Stones, Johnny Cash, Elton John, Eric Clapton, James Taylor, Willie Nelson, Mark Knoplfer etc
2112. Você tem algum disco de cabeceira?
André: Hmmm, muito difícil essa pergunta. Tem vários, mas vou citar um. Abbey Road é um álbum muito especial para mim.
2112. Apesar do André Youssef Trio ser relativamente novo no cenário vocês já estão compondo material próprio ou a início ficarão apenas fazendo releituras de clássicos?
André: Por enquanto não estou compondo. Mas as ideias vão sendo devidamente guardadas para serem usadas no futuro. Minha última experiência com músicas autorais foi o disco “Mojito do Bom” da banda Tritono Blues lançado em 2013, inteiramente com composições em português de nossa autoria. Vale a pena conferir.
2112. Ao contrário de outros estilos o blues não faz maiores alardes, mas é notório que o público no Brasil vem crescendo na calada da noite. O que você tem ouvido de interessante?
André: O blues demorou para aparecer aqui no Brasil. Nos anos 70 e 80 as pessoas conheciam somente as bandas de rock que tinham o blues como base, por exemplo: Doors, Led, Stones, Hendrix, Janis. Assim os nossos artistas beberam dessas fontes: Raul Seixas e Rita Lee por exemplo. Nos anos 80 começou a chegar discos de blues por aqui, foi assim que Blues Etílicos, André Christovam, Celso Blues Boy começaram as suas carreiras. Isso teve um ápice nos anos 90 com a vinda de grandes Festivais pra cá, trazendo artistas internacionais. Eu comecei a tocar blues nessa época, para ser mais preciso em 1995. Já nos anos 2000 deu uma caída. Hoje já tem uma cena mais consistente, principalmente em São Paulo, pode se ouvir blues ao vivo praticamente todos os dias da semana. E de 15 anos pra cá a quantidade de Festivais de Jazz e Blues que apareceram pelo Brasil a fora foi impressionante!! Isso é muito bom.
2112. Vejo o blues como um poderoso vírus que contamina a alma de tal maneira que passa a fazer parte do DNA de quem o ouve. É algo muito forte que não tem uma explicação plausível, não é?
André: Sem dúvida. Inexplicável...
2112. O trio tem se apresentado em importantes hotéis, bares e clubs. A reação do público varia de um local para o outro?
André: O público tem gostado muito do meu show. Mesmo quando toco em hotéis com poucas pessoas, sempre tem alguém curtindo que vem conversar conosco. Já nos bares o show é mais “quente”, as pessoas interagem mais. Nos clubes então as pessoas dançam, é muito bom! Nos teatros conseguimos fazer um show mais artístico onde as pessoas conseguem prestar atenção a todas as nuances do espetáculo. Já num Festival é o êxtase para o artista, reúne todos os ingredientes: é um show artístico, o público presta atenção, aplaude, dança, e ainda compra CD, pede autógrafo e tira foto. Para finalizar tem o evento (social ou corporativo), onde tem pessoas que nunca ouviram blues e tomam conhecimento ali e gostam. Essa oportunidade é muito importante.

2112.
Vocês pretendem lançar algum material ainda este ano como um single por exemplo?
André: Esse ano ainda estou trabalhando em cima dos vídeos em estúdio que gravei no ano passado, com 10 faixas. No ano que vem pretendo entrar novamente em estúdio, mas ainda não tenho detalhes.

2112. E quanto a sua carreira como músico em outras bandas você pretende continuar ou o seu grupo agora é prioridade?
André: As duas coisas. O meu trabalho solo é prioridade. Mas não recuso convites para tocar com outros artistas e bandas. Tenho feito alguns shows com o Nasi (IRA!) e com o Kiko Zambianchi.
2112. Qual o telefone/e-mail para contratar o show de vocês?

André: (11) 98658-0347 /
ayoussef@uol.com.br
2112. ... o microfone é seu!
André: Carlos, agradeço o contato e a oportunidade dessa entrevista.

domingo, 22 de março de 2020

Entrevista Johnny King


A cena blues brasileira tem apresentado 
diversas bandas e músicos que tem apre-
sentado execelentes trabalhos (inclusive 
com reconhecimento internacional!) 
onde destacamos Johnny King que tem
sempre a agenda cheia e vários shows 
pelos EUA. Quer saber mais? Leia a 
entrevista.   

2112. Diz uma das muitas lendas no Mississipi que não se cria um bluesman ele já nasce predestinado a andar neste caminho. Isso para você é real?

Johnny. Acredito sim nessa história, assim como acredito em pacto e encruzilhada, posso dizer que minha evolução ao blues foi selada na encruzilhada, existe bluesman que toca por tocar e outros são convidados e escolhidos para o Crossroads e pacto.

2112. Falando ainda sobre lendas... você acredita que Robert Johnson fez realmente um pacto com o cramunhão?

Johnny. Sim acredito, pois uma vez próximo onde moro tem uma encruzilhada com um cruzeiro onde achei um corpo da guitarra onde reformei e faço todos meus shows com ela, ela estava jogada lá ao meio de toda aquelas oferendas e quando entrei ali e peguei aquele corpo de guitarra selei um pacto, acredito porque minha evolução na guitarra foi incrível e em 4 anos Johnny King fez 600 shows além de tocar nos melhores festivais e casas do Brasil, ainda tem dúvida sobre o pacto de Robert Johnson?
2112. Você é músico autodidata?

Johnny. Sim tudo que aprendi até hoje foi sozinho, mas minha maior escola mesmo está no Crossroads.

2112. A cena blues brasileira cresceu bastante nestes últimos anos com o surgimento de grandes bandas, músicos, compositores, festivais e tudo isso meio na surdina. Qual a sua visão pessoal da cena?

Johnny. Acho a cena blues fraca ainda no Brasil, eu conheço muitos bluesmens pois sempre faço eventos e festivais e indico músicos para casas que jamais tocariam blues, acho que a união é fundamental na área mas hoje o blues no Brasil é coisa de ostentação e muita panela, nesse caso falo do blues tradicional pois já estou em outro nível para ficar só com som alegre e em 12 compassos, eu gosto de evolução e coisas novas como dizia Jimi Hendrix quero ver cores por isso migrei ao Blues Rock.

2112. Temos sidos testemunhas dessa evolução ao ver bandas e solistas excursionando com sucesso pelos EUA, Europa e Japão além de lançarem cds e dvds por grandes selos do estilo. Isso é uma grande vitória ainda que as mídias brasileiras não noticiem...

Johnny. Sempre é bom tocar lá fora e com os grandes, é um belo currículo para um músico. Eu mesmo tive um convite de um americano chamado Joseph que é filho de Muddy Water para tocar em sua banda Mojo Morganfield em Chicago além de proposta de conhecer e tocar com os grandes como Buddy Guy e Jeff Beck. Mas ainda não está na minha hora pois ainda estou a cultivar meu pacto e a cada dia fazendo minha evolução e na hora certa pode contar meu amigo que pegarei o avião e vou incendiar por onde passar. Eu não quero ir lá fora apenas ficar excursionando ou tocando em bares eu quero ir tacar fogo nas casas e selar meu nome na cabeça de todos lá fora que ouvir os solos da minha guitarra.
2112. ... esqueci que nossa pobre mídia só promove o que é pago para sair. Esse é o Brasil.

Johnny. Não precisa estar na mídia para ser grande e ter o respeito, a mídia é podre o maior público está nas ruas, nas redes sociais e em shows. A mídia só serve para pegar seu dinheiro... você tendo talento ou não você chega lá. Já a vida que vivemos tem que ser na raça... e agradar a muitos hoje em dia é difícil, por isso às vezes gosto muito de tocar nas ruas pois ali você atinge todo tipo de público e também adoro tocar em lugares que jamais tocaria Blues Rock eu adoro desafios e fronteiras.

2112. Lembro de B.B. King não só elogiando o trabalho do Celso Blues Boy como também participando numa das faixas do seu álbum Marginal. Isso prova que nossos músicos são fodas, falta apenas o famoso "apoio".

Johnny. Celso Blues Boy era um grande músico e guitarrista e teve a honra de conhecer o B.B King e selar sua amizade. Ter esses tipos de elogios é incrível vindo de lendas, como tive elogios de Joseph filho do Muddy e Jeff Beck que eu seria a promessa da guitarra blues, eu vindo do Brasil e do interior para mim é como ganhar na loto. E hoje no Brasil existe os melhores guitarristas e músicos que já vi, eu mesmo rodo em muitos shows e faço muitas pesquisas de bandas além de ver muitas bandas de rua. A oportunidade é pouca mas nada é impossível nessa profissão só não pode parar ou desanimar tem que lutar sempre se realmente quer viver do que gosta.

2112. Quem você destacaria hoje com um trabalho bacana?

Johnny. Existe muitas bandas boas hoje no de cenário musical do Brasil, conheci grande nomes como Martini Blues de São Paulo que tem um timbre strato matador assim como a Banda Tublues de Lorena que tem o Cezar com uma pegada no baixo destruidora, além de muitas bandas que já vi tocar no Vale do Paraíba e São Paulo e Brasil.
2112. A internet tem ajudado bastante na divulgação de shows, lançamento de cds, nas muitas páginas dedicadas ao estilo o que já é um grande avanço, não é?

Johnny King. Sim, a internet é como uma crossroads, muda muito a vida das pessoas e ajuda muito com shows, agenda, marketing, fotos, vídeos, praticamente uma ferramenta do demônio mas ajuda muito sua carreira.

2112. ... sei que suas raízes são americanas e que isso nunca vai mudar. Mas já podemos dizer que já produzimos blues com algum sotaque brasileiro?

Johnny. Sim tenho muitas músicas em português como a música Ela é o Diabo e Mirella gosto de mesclar Brasil e American.

2112. O bluesman Zé Pretim toca blues com matizes da música caipira resultando num trabalho bem interessante e original. Você o conhece?

Johnny. Já ouvir falar mas não sigo ou escuto muito pois sou do lado sombrio do blues. Eu gosto de um blues mais sombrio e triste, não estou falando do caso do Zé mas existe muitos bluesmans que faz um blues alegre e fica pulando parecendo que está num circo onde o verdadeiro palhaço é ele com essa musicalidade que não entra na minha alma nem fodendo.
2112. Quais são seus bluesmans de cabeceira?

Johnny. Howlin' Wolf, Robert Johnson, Skip James, Muddy Waters, Stevie Ray Vaughan, Jimi Hendrix, Gary Moore...

2112. Entre os muitos álbuns que você já ouviu quais você considera essenciais na sua carreira e para quem está começando a trilhar essa estrada?

Johnny. Devil Got My Woman de 1968 De Skip James foi meu lançamento ao blues... quando ouvi Texas Flood de 1983 de Stevie Ray Vaughan mudei meu jeito de tocar guitarra para sempre.
2112. O que você ouve além do blues?

Johnny.  Escuto de tudo e pratico de tudo pois se quero ser um bom guitarrista tenho que ser versátil e não ter preconceito com música, tudo que é bem tocado e bem feito me agrada.

2112. Na minha opinião o blues foi feito para ser tocado ao vivo na cara do público e não registrado num estúdio refrigerado. Por isso tenho o vício de ouvir mais os bootlegs por manter toda a verdade do blues.

Johnny. Blues ao vivo é coisa da alma por isso tem muito improvisos e feeling que sai do coração, não curto nada mecânico. Exemplo disso é o Chico Blues que lança muitos Artistas Mecânicos tudo bonitinho e arrumadinho em estúdio aí você vai ver ao vivo é uma porcaria. Isso para mim não é blues de alma. Nada contra quem lança cd ou faz trabalhos assim, mas esse tipo de blues cheio de ouros e ostentação é mecânico me lembra o Funk do Brasil.
2112. ... digo isso pois quem conhece os bootlegs do Eric Clapton, Steve Ray Vaughan, Jimi Hendrix, Muddy Walters, Johnny Winter, Buddy Guy... sabe do que eu estou falando. Fica faltando a parte humana que é a propria essência do blues.

Johnny. É o que falta para muitas bandas de blues no Brasil, muitas fazem aquele som mecânico. Hoje em dia os guitarristas   estudam muito e se preocupam mais em executar suas técnicas do que apresentar solos com a alma e feeling do coração. Realmente é muito triste ver isso, conheço muitos guitarrista aí que se acabam em estudo e técnicas assim como bandas sabem tocar tudo mas não tem sal ou temperos.

2112. Em estúdio acredito que funciona quando gravado num único take senão ele perde a emoção em favor da perfeição. É como repetir uma cena de choro várias e várias vezes num set de gravação de um filme... É a minha opinião.

Johnny.  Quando gravei The Devil Crossroads minha música autoral com meu gaitista foi tudo ao vivo em apenas 1 take, essa é emoção do blues de verdade.

2112. Sua banda Johnny King & The Princes Blues Band criou uma ótima reputação no circuito de shows conquistando com isso muitos admiradores. Vejo que o blues tem mais apoio dos fãs que em qualquer outra vertente. Parece uma sociedade secreta onde tudo é feito na maior surdina... e funciona bem pra caralho. Aprecio muito isso...

Johnny. Não foi fácil não, tive que conquistar o público e o carisma de cidade a cidade, show a show com minha voz, minha e a banda fazendo um som de coração e alma. E u não ligava se o show ou festival tivesse 1 ou 1000 pessoas o show era o mesmo. Eu amo a música e o que faço e sempre me dedico de melhor forma para conquistar a todos, mas você sabe que não podemos agradar gregos e troianos pois nessa carreira tem muitos invejosos e gente idiota que querem seu mal mas nunca me importei para isso pois quanto mais a crítica mais eu fico bom. Essa é a lei da vida, os desafios sempre virão e com o tempo tudo que é de mal fica esquecido e não sai daquilo sem brilho e sem evolução. Mas só tenho a agradecer esse público lindo que sempre vai nos meus shows e me segue nas redes social. Um agradecimento especial aos fãs de Guarantiguentá e São Paulo Capital onde sempre faço shows onde pessoal vai a loucura e são fãs bem fieis.
2112. Você já foi destaque em vários jornais, revistas, programas de tv, firmou parcerias com a Quimera Tech do Brasil, a Native Instruments da Alemanha e a Caline Pedal do Chile. O que ainda falta alcançar?

Johnny. Tudo isso é só o começo de uma jornada longa e muito longa. Mas meu maior objetivo está me esperando nos Estados Unidos e estou ano estou me preparando para algo que vai mudar minha vida e meu sonho para sempre.

2112. Em 2019 você foi convidado por Joseph Morganfield, filho do lendário Muddy Walters para tocar no maior festival de blues do mundo o Chicago Blues Festival. Quais lembranças você guarda desse show?

Johnny. Sim todo ano recebo o convite dele para tocar com sua banda e com os grande e apresenta a minha banda nesse festival que considero um dos maiores festival de blues do mundo. Mas ainda não fiz esse Crossroads e viagem pois quero está na melhor forma na guitarra e com minhas músicas autoral que tenho guardado para lançar na América. Estou a estudar, me dedicar muito para essa viagem mas ainda não está a hora diz o Guru do meu Crossroads. Na hora certa estarei lá pois a porta já está aberta, mas antes de chegar lá quero tocar em todas cidades do Brasil e em lugares que o blues ainda não chegou e conquistar muitos ainda no Brasil. Não quero ser igual a esses músicos que viajam para Argentina, América ou Europa e depois volta e fica a tocar em botecos e shows POBRES, para que vale essa turnê então.
2112. Existe cd ou dvd com registros dos seus shows?

Johnny. Existe diversos registros de shows e vídeos no YouTube e Facebook... sobre o cd o lado sombrio do blues já está pronto todo álbum mas na hora certa será lançado.

2112. Você também chegou a ser convidado para participar da banda Mojo Morganfield. O convite foi aceito? Quanto tempo você ficou em solo americano?

Johnny.  Sim o convite foi aceito e na hora certa vou fazer essa viagem. Quando o Crossroads estiver pronto meu pacto final estará selado com o Joseph.

2112. Além da Mojo Morganfield você tocou com outros músicos importantes como Mikkey Dee (ex Motörhead e atual Scorpions), Richie Kotzen (ex Poison e Mr. Big), Martini Blues, Sérgio Duarte etc. Quem você gostaria de tocar, formar uma banda ou mesmo gravar um álbum?

Johnny. Tive a honra de conhecer todas essas feras graça ao Manifesto Rock Bar onde promovia o Blues Night e o Festival de Blues que abriu a porta para muitos amigos do blues de São Paulo se apresentar. Fico feliz não só de levar o blues e oportunidades para essas casas como diversas em São Paulo, tenho vondade de gravar um álbum com Buddy Guy e tocar com feras como Eric Gales, Jeff Beck, Joe Bonamassa entre outros que admiro. Se fosse no Brasil o que mais me atrai a gravar algo seria com Martini Blues pois o som dele me encanta.
2112. O que te trouxe de volta ao Brasil?

Johnny. Eu sempre morei no Brasil, estive nos Estados Unidos em 2011 apenas para estudos fora a música. Mas tenho planos para morar definitivo por lá pois sou desentende de americanos.

2112. ... mas você tem projetos de um dia levar sua banda para uma tour em solo americano? Existe essa possibilidade?
Johnny. Sim por isso troco tanto de músicos. Se você ver meus shows, festivais e vídeos sempre vai ver um baixista e um batera diferente pois gosto de testar diversos músicos e na hora certa o que mais der conexão irar viajar comigo para uma turnê incrível. O pessoal fala que sou chato e perfeccionista mas a verdade é que gosto de tocar com caras que tocam com a alma por isso sempre faço muitos testes com diversos músicos de todos tipos pois só os melhores e bons continuam tocando comigo. Até hoje os fracos são descartados e ficarão para trás.

2112. Segundo Jeff Beck e o próprio Joseph Morganfield você tem apresentado uma nova maneira de tocar blues o que o torna uma das novas promessas do blues rock. Isso é um grande estímulo, não?

Johnny. Para mim é como ganhar na loto, mas a cada dia tento e pratico coisas novas jamais vistas, gosto de desafios e receber elogio dessas lendas é incrível.
2112. Você também criou os eventos Blues Night, no Manifesto Bar e o Festival do Blues do Sampa Jazz apoiando shows de bandas novas e clássicas. Parabéns pela iniciativa.

Johnny. Obrigado amigo, mas como já tinha falado antes, sempre é bom levar o blues para essas casas e dar oportunidades para amigos e bandas de blues que quase não faziam shows por São Paulo. É sempre bom essa parceria além de milhões que já fiz e graça a minha pessoa muitos estão com portas abertas aí. Mas muitos são mal agradecidos e vão pagar no inferno e os de bom coração vão sempre eternizar solos de guitarra comigo.

2112. Na maioria das entrevistas que eu já fiz com bandas ou músicos de blues faço sempre a mesma pergunta. Será que um dia terei o prazer de ouvir as músicas do sambista Cartola vertidas para o blues?  Suas letras tem um lirismo e uma profundidade que o aproxima muito do estilo. Acredito que ficaria muito foda...

Johnny. Tudo é possível... mas o som que você ouviu até agora é o meu lado lado sombrio do blues com slide e estilos Lap Still. A minha verdadeira forma de tocar guitarra você vai ouvir quando eu lançar meu álbum entre o céu e o inferno de Blues Rock.
2112. Discussões à parte... mas vejo o samba de raiz (e não o pagode) como irmão próximo do blues. O que você acha?

Johnny.  Gosto, nada contra, tudo que é bom e bem feito eu gosto. Até de música caipira de viola eu gosto.

2112. Seus shows duram em média de duas a três horas. Além das habituais releituras que não pode faltar em qualquer show de blues você inclui material autoral?

Johnny. Sim, toco faixa de 12 músicas autoral nos shows e mais de 30 covers dos grandes mestres do blues rock. O meu show dura até ninguém mais aguentar pular e gritar. Os donos de bares e festivais me conhecem. Sou incansável e sem frescuras.
2112. Quais são os projetos para esse ano?

Johnny. Esse ano de 2020 ficarei mais escondido em estudos e desenvolvimento na guitarra para minha grande viagem. Ainda farei shows e videos etc mas será mais curto do que em 2019 pois esse ano quero representar bem às marcas e empresas de música que estão a trabalhar como comigo como a Endorse.

2112. Qual o seu e-mail/telefone para contratar seus shows?

Johnny. - Cel e zap (12) 98280-6976 para falar com minha empresária Mirela West e se quer falar comigo direto pode manda emal para Johnnywest.band@gmail.com.

2112. ... o microfone é seu, meu camarada!

Johnny. Agradeço pela entrevista e em breve nos encontraremos em algum show ou no inferno, mas de começo te encontro no Crossroads. Muito obrigado.