O blog 2112 foi formado com intenção de divulgar as bandas clássicas de rock, prog, hard, jazz, punk, pop, heavy, reggae, eletrônico, country, folk, funk, blues, alternativo, ou seja o rock verdadeiro que embalou e ainda embala toda uma geração de aficcionados. Vários sons... uma só tribo!



domingo, 22 de março de 2020

Entrevista Johnny King


A cena blues brasileira tem apresentado 
diversas bandas e músicos que tem apre-
sentado execelentes trabalhos (inclusive 
com reconhecimento internacional!) 
onde destacamos Johnny King que tem
sempre a agenda cheia e vários shows 
pelos EUA. Quer saber mais? Leia a 
entrevista.   

2112. Diz uma das muitas lendas no Mississipi que não se cria um bluesman ele já nasce predestinado a andar neste caminho. Isso para você é real?

Johnny. Acredito sim nessa história, assim como acredito em pacto e encruzilhada, posso dizer que minha evolução ao blues foi selada na encruzilhada, existe bluesman que toca por tocar e outros são convidados e escolhidos para o Crossroads e pacto.

2112. Falando ainda sobre lendas... você acredita que Robert Johnson fez realmente um pacto com o cramunhão?

Johnny. Sim acredito, pois uma vez próximo onde moro tem uma encruzilhada com um cruzeiro onde achei um corpo da guitarra onde reformei e faço todos meus shows com ela, ela estava jogada lá ao meio de toda aquelas oferendas e quando entrei ali e peguei aquele corpo de guitarra selei um pacto, acredito porque minha evolução na guitarra foi incrível e em 4 anos Johnny King fez 600 shows além de tocar nos melhores festivais e casas do Brasil, ainda tem dúvida sobre o pacto de Robert Johnson?
2112. Você é músico autodidata?

Johnny. Sim tudo que aprendi até hoje foi sozinho, mas minha maior escola mesmo está no Crossroads.

2112. A cena blues brasileira cresceu bastante nestes últimos anos com o surgimento de grandes bandas, músicos, compositores, festivais e tudo isso meio na surdina. Qual a sua visão pessoal da cena?

Johnny. Acho a cena blues fraca ainda no Brasil, eu conheço muitos bluesmens pois sempre faço eventos e festivais e indico músicos para casas que jamais tocariam blues, acho que a união é fundamental na área mas hoje o blues no Brasil é coisa de ostentação e muita panela, nesse caso falo do blues tradicional pois já estou em outro nível para ficar só com som alegre e em 12 compassos, eu gosto de evolução e coisas novas como dizia Jimi Hendrix quero ver cores por isso migrei ao Blues Rock.

2112. Temos sidos testemunhas dessa evolução ao ver bandas e solistas excursionando com sucesso pelos EUA, Europa e Japão além de lançarem cds e dvds por grandes selos do estilo. Isso é uma grande vitória ainda que as mídias brasileiras não noticiem...

Johnny. Sempre é bom tocar lá fora e com os grandes, é um belo currículo para um músico. Eu mesmo tive um convite de um americano chamado Joseph que é filho de Muddy Water para tocar em sua banda Mojo Morganfield em Chicago além de proposta de conhecer e tocar com os grandes como Buddy Guy e Jeff Beck. Mas ainda não está na minha hora pois ainda estou a cultivar meu pacto e a cada dia fazendo minha evolução e na hora certa pode contar meu amigo que pegarei o avião e vou incendiar por onde passar. Eu não quero ir lá fora apenas ficar excursionando ou tocando em bares eu quero ir tacar fogo nas casas e selar meu nome na cabeça de todos lá fora que ouvir os solos da minha guitarra.
2112. ... esqueci que nossa pobre mídia só promove o que é pago para sair. Esse é o Brasil.

Johnny. Não precisa estar na mídia para ser grande e ter o respeito, a mídia é podre o maior público está nas ruas, nas redes sociais e em shows. A mídia só serve para pegar seu dinheiro... você tendo talento ou não você chega lá. Já a vida que vivemos tem que ser na raça... e agradar a muitos hoje em dia é difícil, por isso às vezes gosto muito de tocar nas ruas pois ali você atinge todo tipo de público e também adoro tocar em lugares que jamais tocaria Blues Rock eu adoro desafios e fronteiras.

2112. Lembro de B.B. King não só elogiando o trabalho do Celso Blues Boy como também participando numa das faixas do seu álbum Marginal. Isso prova que nossos músicos são fodas, falta apenas o famoso "apoio".

Johnny. Celso Blues Boy era um grande músico e guitarrista e teve a honra de conhecer o B.B King e selar sua amizade. Ter esses tipos de elogios é incrível vindo de lendas, como tive elogios de Joseph filho do Muddy e Jeff Beck que eu seria a promessa da guitarra blues, eu vindo do Brasil e do interior para mim é como ganhar na loto. E hoje no Brasil existe os melhores guitarristas e músicos que já vi, eu mesmo rodo em muitos shows e faço muitas pesquisas de bandas além de ver muitas bandas de rua. A oportunidade é pouca mas nada é impossível nessa profissão só não pode parar ou desanimar tem que lutar sempre se realmente quer viver do que gosta.

2112. Quem você destacaria hoje com um trabalho bacana?

Johnny. Existe muitas bandas boas hoje no de cenário musical do Brasil, conheci grande nomes como Martini Blues de São Paulo que tem um timbre strato matador assim como a Banda Tublues de Lorena que tem o Cezar com uma pegada no baixo destruidora, além de muitas bandas que já vi tocar no Vale do Paraíba e São Paulo e Brasil.
2112. A internet tem ajudado bastante na divulgação de shows, lançamento de cds, nas muitas páginas dedicadas ao estilo o que já é um grande avanço, não é?

Johnny King. Sim, a internet é como uma crossroads, muda muito a vida das pessoas e ajuda muito com shows, agenda, marketing, fotos, vídeos, praticamente uma ferramenta do demônio mas ajuda muito sua carreira.

2112. ... sei que suas raízes são americanas e que isso nunca vai mudar. Mas já podemos dizer que já produzimos blues com algum sotaque brasileiro?

Johnny. Sim tenho muitas músicas em português como a música Ela é o Diabo e Mirella gosto de mesclar Brasil e American.

2112. O bluesman Zé Pretim toca blues com matizes da música caipira resultando num trabalho bem interessante e original. Você o conhece?

Johnny. Já ouvir falar mas não sigo ou escuto muito pois sou do lado sombrio do blues. Eu gosto de um blues mais sombrio e triste, não estou falando do caso do Zé mas existe muitos bluesmans que faz um blues alegre e fica pulando parecendo que está num circo onde o verdadeiro palhaço é ele com essa musicalidade que não entra na minha alma nem fodendo.
2112. Quais são seus bluesmans de cabeceira?

Johnny. Howlin' Wolf, Robert Johnson, Skip James, Muddy Waters, Stevie Ray Vaughan, Jimi Hendrix, Gary Moore...

2112. Entre os muitos álbuns que você já ouviu quais você considera essenciais na sua carreira e para quem está começando a trilhar essa estrada?

Johnny. Devil Got My Woman de 1968 De Skip James foi meu lançamento ao blues... quando ouvi Texas Flood de 1983 de Stevie Ray Vaughan mudei meu jeito de tocar guitarra para sempre.
2112. O que você ouve além do blues?

Johnny.  Escuto de tudo e pratico de tudo pois se quero ser um bom guitarrista tenho que ser versátil e não ter preconceito com música, tudo que é bem tocado e bem feito me agrada.

2112. Na minha opinião o blues foi feito para ser tocado ao vivo na cara do público e não registrado num estúdio refrigerado. Por isso tenho o vício de ouvir mais os bootlegs por manter toda a verdade do blues.

Johnny. Blues ao vivo é coisa da alma por isso tem muito improvisos e feeling que sai do coração, não curto nada mecânico. Exemplo disso é o Chico Blues que lança muitos Artistas Mecânicos tudo bonitinho e arrumadinho em estúdio aí você vai ver ao vivo é uma porcaria. Isso para mim não é blues de alma. Nada contra quem lança cd ou faz trabalhos assim, mas esse tipo de blues cheio de ouros e ostentação é mecânico me lembra o Funk do Brasil.
2112. ... digo isso pois quem conhece os bootlegs do Eric Clapton, Steve Ray Vaughan, Jimi Hendrix, Muddy Walters, Johnny Winter, Buddy Guy... sabe do que eu estou falando. Fica faltando a parte humana que é a propria essência do blues.

Johnny. É o que falta para muitas bandas de blues no Brasil, muitas fazem aquele som mecânico. Hoje em dia os guitarristas   estudam muito e se preocupam mais em executar suas técnicas do que apresentar solos com a alma e feeling do coração. Realmente é muito triste ver isso, conheço muitos guitarrista aí que se acabam em estudo e técnicas assim como bandas sabem tocar tudo mas não tem sal ou temperos.

2112. Em estúdio acredito que funciona quando gravado num único take senão ele perde a emoção em favor da perfeição. É como repetir uma cena de choro várias e várias vezes num set de gravação de um filme... É a minha opinião.

Johnny.  Quando gravei The Devil Crossroads minha música autoral com meu gaitista foi tudo ao vivo em apenas 1 take, essa é emoção do blues de verdade.

2112. Sua banda Johnny King & The Princes Blues Band criou uma ótima reputação no circuito de shows conquistando com isso muitos admiradores. Vejo que o blues tem mais apoio dos fãs que em qualquer outra vertente. Parece uma sociedade secreta onde tudo é feito na maior surdina... e funciona bem pra caralho. Aprecio muito isso...

Johnny. Não foi fácil não, tive que conquistar o público e o carisma de cidade a cidade, show a show com minha voz, minha e a banda fazendo um som de coração e alma. E u não ligava se o show ou festival tivesse 1 ou 1000 pessoas o show era o mesmo. Eu amo a música e o que faço e sempre me dedico de melhor forma para conquistar a todos, mas você sabe que não podemos agradar gregos e troianos pois nessa carreira tem muitos invejosos e gente idiota que querem seu mal mas nunca me importei para isso pois quanto mais a crítica mais eu fico bom. Essa é a lei da vida, os desafios sempre virão e com o tempo tudo que é de mal fica esquecido e não sai daquilo sem brilho e sem evolução. Mas só tenho a agradecer esse público lindo que sempre vai nos meus shows e me segue nas redes social. Um agradecimento especial aos fãs de Guarantiguentá e São Paulo Capital onde sempre faço shows onde pessoal vai a loucura e são fãs bem fieis.
2112. Você já foi destaque em vários jornais, revistas, programas de tv, firmou parcerias com a Quimera Tech do Brasil, a Native Instruments da Alemanha e a Caline Pedal do Chile. O que ainda falta alcançar?

Johnny. Tudo isso é só o começo de uma jornada longa e muito longa. Mas meu maior objetivo está me esperando nos Estados Unidos e estou ano estou me preparando para algo que vai mudar minha vida e meu sonho para sempre.

2112. Em 2019 você foi convidado por Joseph Morganfield, filho do lendário Muddy Walters para tocar no maior festival de blues do mundo o Chicago Blues Festival. Quais lembranças você guarda desse show?

Johnny. Sim todo ano recebo o convite dele para tocar com sua banda e com os grande e apresenta a minha banda nesse festival que considero um dos maiores festival de blues do mundo. Mas ainda não fiz esse Crossroads e viagem pois quero está na melhor forma na guitarra e com minhas músicas autoral que tenho guardado para lançar na América. Estou a estudar, me dedicar muito para essa viagem mas ainda não está a hora diz o Guru do meu Crossroads. Na hora certa estarei lá pois a porta já está aberta, mas antes de chegar lá quero tocar em todas cidades do Brasil e em lugares que o blues ainda não chegou e conquistar muitos ainda no Brasil. Não quero ser igual a esses músicos que viajam para Argentina, América ou Europa e depois volta e fica a tocar em botecos e shows POBRES, para que vale essa turnê então.
2112. Existe cd ou dvd com registros dos seus shows?

Johnny. Existe diversos registros de shows e vídeos no YouTube e Facebook... sobre o cd o lado sombrio do blues já está pronto todo álbum mas na hora certa será lançado.

2112. Você também chegou a ser convidado para participar da banda Mojo Morganfield. O convite foi aceito? Quanto tempo você ficou em solo americano?

Johnny.  Sim o convite foi aceito e na hora certa vou fazer essa viagem. Quando o Crossroads estiver pronto meu pacto final estará selado com o Joseph.

2112. Além da Mojo Morganfield você tocou com outros músicos importantes como Mikkey Dee (ex Motörhead e atual Scorpions), Richie Kotzen (ex Poison e Mr. Big), Martini Blues, Sérgio Duarte etc. Quem você gostaria de tocar, formar uma banda ou mesmo gravar um álbum?

Johnny. Tive a honra de conhecer todas essas feras graça ao Manifesto Rock Bar onde promovia o Blues Night e o Festival de Blues que abriu a porta para muitos amigos do blues de São Paulo se apresentar. Fico feliz não só de levar o blues e oportunidades para essas casas como diversas em São Paulo, tenho vondade de gravar um álbum com Buddy Guy e tocar com feras como Eric Gales, Jeff Beck, Joe Bonamassa entre outros que admiro. Se fosse no Brasil o que mais me atrai a gravar algo seria com Martini Blues pois o som dele me encanta.
2112. O que te trouxe de volta ao Brasil?

Johnny. Eu sempre morei no Brasil, estive nos Estados Unidos em 2011 apenas para estudos fora a música. Mas tenho planos para morar definitivo por lá pois sou desentende de americanos.

2112. ... mas você tem projetos de um dia levar sua banda para uma tour em solo americano? Existe essa possibilidade?
Johnny. Sim por isso troco tanto de músicos. Se você ver meus shows, festivais e vídeos sempre vai ver um baixista e um batera diferente pois gosto de testar diversos músicos e na hora certa o que mais der conexão irar viajar comigo para uma turnê incrível. O pessoal fala que sou chato e perfeccionista mas a verdade é que gosto de tocar com caras que tocam com a alma por isso sempre faço muitos testes com diversos músicos de todos tipos pois só os melhores e bons continuam tocando comigo. Até hoje os fracos são descartados e ficarão para trás.

2112. Segundo Jeff Beck e o próprio Joseph Morganfield você tem apresentado uma nova maneira de tocar blues o que o torna uma das novas promessas do blues rock. Isso é um grande estímulo, não?

Johnny. Para mim é como ganhar na loto, mas a cada dia tento e pratico coisas novas jamais vistas, gosto de desafios e receber elogio dessas lendas é incrível.
2112. Você também criou os eventos Blues Night, no Manifesto Bar e o Festival do Blues do Sampa Jazz apoiando shows de bandas novas e clássicas. Parabéns pela iniciativa.

Johnny. Obrigado amigo, mas como já tinha falado antes, sempre é bom levar o blues para essas casas e dar oportunidades para amigos e bandas de blues que quase não faziam shows por São Paulo. É sempre bom essa parceria além de milhões que já fiz e graça a minha pessoa muitos estão com portas abertas aí. Mas muitos são mal agradecidos e vão pagar no inferno e os de bom coração vão sempre eternizar solos de guitarra comigo.

2112. Na maioria das entrevistas que eu já fiz com bandas ou músicos de blues faço sempre a mesma pergunta. Será que um dia terei o prazer de ouvir as músicas do sambista Cartola vertidas para o blues?  Suas letras tem um lirismo e uma profundidade que o aproxima muito do estilo. Acredito que ficaria muito foda...

Johnny. Tudo é possível... mas o som que você ouviu até agora é o meu lado lado sombrio do blues com slide e estilos Lap Still. A minha verdadeira forma de tocar guitarra você vai ouvir quando eu lançar meu álbum entre o céu e o inferno de Blues Rock.
2112. Discussões à parte... mas vejo o samba de raiz (e não o pagode) como irmão próximo do blues. O que você acha?

Johnny.  Gosto, nada contra, tudo que é bom e bem feito eu gosto. Até de música caipira de viola eu gosto.

2112. Seus shows duram em média de duas a três horas. Além das habituais releituras que não pode faltar em qualquer show de blues você inclui material autoral?

Johnny. Sim, toco faixa de 12 músicas autoral nos shows e mais de 30 covers dos grandes mestres do blues rock. O meu show dura até ninguém mais aguentar pular e gritar. Os donos de bares e festivais me conhecem. Sou incansável e sem frescuras.
2112. Quais são os projetos para esse ano?

Johnny. Esse ano de 2020 ficarei mais escondido em estudos e desenvolvimento na guitarra para minha grande viagem. Ainda farei shows e videos etc mas será mais curto do que em 2019 pois esse ano quero representar bem às marcas e empresas de música que estão a trabalhar como comigo como a Endorse.

2112. Qual o seu e-mail/telefone para contratar seus shows?

Johnny. - Cel e zap (12) 98280-6976 para falar com minha empresária Mirela West e se quer falar comigo direto pode manda emal para Johnnywest.band@gmail.com.

2112. ... o microfone é seu, meu camarada!

Johnny. Agradeço pela entrevista e em breve nos encontraremos em algum show ou no inferno, mas de começo te encontro no Crossroads. Muito obrigado.

terça-feira, 17 de março de 2020

Entrevista Marcelo Gross



Gross é um daqueles músicos que depois que você ouve fica viciado de primeira. E tudo isso acontece porque a sua música é simples, é crua com letras que se ajustam perfeitamente ao nosso cotidiano. O segredo é que ele escreve as nossas memórias como se fossem suas. Coisas de mestres...

2112. Sinto nos trabalhos da Gross uma verdade nula em muitas bandas que hoje se preocupam mais com o visual e os trejeitos de bad boys do que com a sua própria música. Muito bacana isso da sua parte, parabéns meu camarada.

Marcelo. Muito obrigado. A música cura e salva. O resto é ornamento. 

2112. Use o assento para flutuar (2013) e Chumbo, Pluma (2017) é rock clássico, básico, simples... mas que tem profundidade e personalidade de quem conhece o seu ofício. O que você ouve no seu dia a dia?

Marcelo. Muito obrigado. O primeiro disco foi gravado num porão com a banda tocando ao vivo e mandando ver, num clima mais despretensioso, isso passou pro clima do disco. O segundo já trabalhamos mais nos overdubs e buscamos uma sonoridade diferente. E eu continuo ouvindo o que eu ouvia com meus 13, 14 anos: Beatles, Dylan, Kinks ... dos artistas novos eu destaco o Michael Kiwanuka, The Black Pumas, The True Loves... gosto bastante do duo francês Ratatat. Mas nas ocasiões especiais acaba sempre rolando o bom e velho Álbum Branco.. 

2112. A sua coleção de discos aborda vários estilos de música ou você ouve mais rock? 

Marcelo. Predominantemente rock’n’roll, mas também aborda bastante música brasileira, blues, jazz... Mas sim: tem mais Beatles e derivados do que qualquer outra coisa, sou estudioso do assunto. 

2112. Ambos os álbuns foram lançados quando você ainda fazia parte do Cachorro Grande. Como você fazia para cumprir duas agendas de shows?

Marcelo. Eu dava prioridade pra agenda da Cachorro Grande, sempre rolavam umas brechas e eu tocava nessas brechas. Foi só quando sai em 2018 que pude me dedicar 100%. 

2112. Quando George Harrison foi indagado em uma entrevista sobre All Things Must Pass ser um álbum triplo ele alegou que suas músicas não eram aproveitadas nos Beatles. Com você também ocorreu algo parecido?

Marcelo. Sim, esse é um dos motivos pelos quais meus dois álbuns são duplos. Eu tinha muito material que eu gostava pra soltar e a partir de um momento eu não conseguia mais expressar o que eu gostaria na banda. Esses dois discos foram uma espécie de libertação pra continuar fazendo o que eu havia começado no início da Cachorro Grande, quando eu escrevia e produzia uma parte significativa do material que era gravado. 

2112. Todo artista é crítico e na maioria das vezes se sente insatisfeito... Você tem essa sensação quando ouve seus álbuns ou eles cumprem ao que vieram?

Marcelo. Os meus dois discos cumpriram o objetivo e me deixaram plenamente satisfeito com o resultado. O C&P foi um projeto ambicioso, com vinte e poucas músicas em dois estilos diferentes. Gosto muito da parte “Pluma” por ter me tirado da zona de conforto e ser diferente de tudo o que eu havia feito até então, e eu acabei buscando uma sonoridade bem soft.

2112. Vejo que muitos músicos não sabe distinguir o que é ser influenciado e o que é usar idéias alheias. Como você trabalha isso na hora de compor suas músicas? 

Marcelo. O que a gente acaba fazendo sempre vem de algum lugar, assim como o que nossos ídolos fazem também. As coisas não surgem do nada, a gente sempre acaba pegando algum norte de alguma forma pra se inspirar e dar aquela fagulha inicial pra compor uma canção. Também tenho a teoria que me ajuda muito de que é só ir atrás do John Lennon que tudo vai dar certo, há,há.

2112. O blog trabalha no sentido de divulgar a música autoral. Pessoalmente você é contra ou a favor de bandas covers? 

Marcelo. Nem contra, nem a favor... lógico que tem um segmento de mercado do rock no qual tocam apenas bandas covers, e isso pode ser visto como algo que deixa o rock estagnado parecendo coisa de tiozinho. Mas tem espaço e público pra tudo, então cabe cada segmento achar o seu campo de atuação e o público decide se quer algo original ou a cópia chinesa. 

2112. No meu ponto de vista elas tomam o lugar que de direito pertencem a vocês músicos autorais. Acredito que a sensação de ouvir uma banda cover é a mesma de quem bebe whisky paraguaio achando que é escocês...

Marcelo. Não vejo dessa forma, lógico que fazer acontecer um som autoral é mais difícil, porém quando rola é mais gratificante, ver a galera cantando e curtindo um som que o cara fez no quarto na madrugada... por outro lado, bandas para animar baile sempre existiram e sempre vão existir. 

2112. Chumbo, Pluma tem um título bem sugestivo e bem ousado por se tratar de um álbum duplo coisa rara em tempos bicudos como os que estamos vivendo. Qual o conceito por traz do álbum? 

Marcelo - O conceito é de os opostos convivendo em harmonia: luz e sombra, yin & yang, Chumbo e Pluma... a dualidade tão natural e tão estranha à condição humana. E também quis separar um disco de rock (Chumbo) do outro de baladas acústicas (Pluma) e o conceito acabou se encaixando meio que por osmose com as canções que eu tinha. Ozzy Osmose, há,há! 

2112. Você é do tipo que compõem muito?

Marcelo. Sim. Já fui mais, ultimamente ando meio vagabundo... Mas está saindo um disco novo, então é provável que depois que eu desovar esse material eu me empolgue para querer dizer mais coisas e escrever mais canções. 

2112. A temática de suas letras é próxima da realidade de quem compra os seus cds e vai aos shows. Não gosto de letras fantasiosas com historinhas de cavaleiros medievais, dragões, mortos vivos etc. Prefiro uma letra de cunho mais realista... 

Marcelo. É, tem coisas que a gente vive que invariavelmente acaba indo para canções. Esse disco novo que vou lançar tem um cunho mais autobiográfico, falando de um período tempestuoso pelo qual passei de um tempo pra cá e da minha recuperação/reinvenção. Portanto tem uma conotação bastante verdadeira a temática das letras e estou muito feliz com o conjunto da obra que está a caminho de poder ter retratado as coisas pelas quais passei e dividir isso com o público que me acompanha. 

2112. ...a realidade as vezes é dura mas precisa ser encarada de frente, não é?

Marcelo. A gente transforma em arte e poesia os momentos difíceis, em acalanto para o coração e a alma, um lamento em forma de melodia. Mas tem os momentos bons, de amor e elevação espiritual, que invariavelmente também se transformam em música e que também são muito bons de dividir. 

2112. Você é do tipo que acompanha toda a movimentação da cena frequentando shows, comprando cds, ouvindo  rádios... ou não liga muito para isso?

Marcelo. Sim, estou sempre curioso sobre o que de bom está rolando tanto aqui quanto lá fora também. 

2112. Não canso de falar sobre a grande admiração que eu tenho pela cena do Sul. Ela destoa das demais capitais... ainda que soe como uma meia irmã de São Paulo: grandes bandas, grandes compositores e múltiplos estilos. Já entrevistei várias bandas e músicos daí e tenho um puta orgulho disso. 

Marcelo. É, deve ser alguma coisa na água do Rio Guaíba, todo mundo meio doido né... Tem uma coisa muito rock inglês no sul que eu gosto bastante. E a velha síndrome de ser “Longe demais das capitais”, que faz com que a galera toque um foda-se com mais convicção e vontade. 

2112. Você hoje mora em São Paulo mas me diz uma coisa: o que o Sul tem que falta em Sampa e vice versa?

Marcelo - O sul é um bom celeiro e um bom berço pra se começar; São Paulo é o Brasil, o mundo, a pluralidade com seus prós e contras, o bom caos, movimentação, high voltage, megalópole. Amo os dois. Odeio os dois. Não vivo sem nenhum. 

2112. Olhando hoje o episódio envolvendo a sua "saída" da Cachorro Grande ainda rola algum tipo de mágoa?

Marcelo. Não rola mágoa, aquilo foi o fim da parada, do sonho, demorou um pouco, mas todos entenderam isso e a banda se separou logo em seguida. Agora está tudo bem, cada um fazendo seu trabalho sem um encher o saco do outro. 

2112. Robert Plant depois que o Led Zeppelin acabou evitou por muitos anos tocar músicas da sua ex-banda. Com você foi assim também ou encara tudo numa boa? 

Marcelo.  Escrevi muitas das canções da Cachorro Grande sozinho, canções as quais me orgulho de ter feito como “Lunático”, “Dia perfeito”, “Sinceramente”, “Bom Brasileiro”, “Que loucura “... que fizeram parte da vida das pessoas e da minha, portanto não tenho problema algum de cantar elas nos meus shows. Mas também claro que não acabamos a banda pra ficar tocando canções antigas, então sempre toco também o material mais recente para o público sacar onde nos situamos no momento e muitas vezes dou prioridade para isso, para se movimentar e ir adiante.

2112. Quais são os seus projetos para este ano?

Marcelo. 2020 trará muitas novidades: disco e tour novos já a caminho, aguardem, a partir de março começamos os novos lançamentos dos singles e clips novos antes de soltar o disco. 
2112. Qual o telefone/e-mail para contratar a Gross e adquirir os cds?

Marcelo. www.selo180.com para adquirir os CD’s e Vinis , e www.marcelogross.mus.com para shows 

2112. ... o microfone é seu!

Marcelo - Hello, Goodbye ((•J•))

Crédito fotos: Facebook Marcelo Gross