terça-feira, 24 de julho de 2018

Entrevista Stress


É incrível como as coisas acontecem na vida da gente de uma maneira inusitada... Confesso que quando eu criei o Blog 2112 tinha em mente apenas distribuir links de bootlegs... mas o mercado já estava saturado e aí então resolvi entrevistar as bandas que eu gosto e ouço. E é com muito orgulho que apresento esta super entrevista com a banda Stress que acompanho desde o primeiro vinil.

2112. O Stress é uma das poucas bandas de metal brasileira a atingir uma marca tão significativa, principalmente dentro do heavy metal, visto por muitos críticos como uma vertente do underground. Qual o segredo da longevidade?  

André Chamon. Em 2017, a Stress completou 40 anos. Contamos a partir do nosso primeiro show, que foi no dia 10/10/77. O segredo da longevidade é a amizade e o respeito entre os membros da banda, além do prazer em tocar heavy metal.
Roosevelt Bala. Toda vez que alguém me pede um conselho, uma sugestão de como formar uma banda, eu sempre digo pra juntar a amigos pessoais, amigos de verdade. Pois, discordâncias sempre haverá, algumas brigas, também (com o Stress foram raríssimas), e quando isso acontecer é a amizade que vai manter a banda íntegra, coesa, à prova de desavenças... Sou amigo dos caras dos Stress até hoje, mesmo dos que já não estão mais atuando conosco. Temos muito em comum, os gostos musicais são muito parecidos, das composições, também. Hoje em dia, já com os rumos pessoais definidos, a ordem é se divertir o máximo possível, criando novas obras e tocando para o maior número de pessoas que conseguirmos, especialmente para os que curtem nosso som.
2112. É verdade que, antes de se chamar Stress, a banda usava o nome Pinngo D'água por causa do bumbo da sua da bateria que era torto?

André Chamon. Sim, era uma bateria da marca Saema, que vinha de fábrica com um bumbo oval, que parecia um pingo deitado. E o "Pinngo" era escrito com dois "n" pra ficar diferente.

Roosevelt Bala. Sim, era isso mesmo. Havia uma série da bateria Saema (marca antiga), onde o Bumbo não era redondo, como os tradicionais de hoje, formato era de uma gota d’água deitada. Na falta de um nome, “Pingo D’água” foi o nome provisório. Depois foi Elektra (75), TNT (76) e finalmente Stress, em 77.
2112. Existe uma lenda que, quando a banda foi formada, ninguém sabia tocar nada e “democraticamente” cada um escolheu o instrumento que se identificava e começaram a treinar. Simples assim? 

Roosevelt Bala. Pode confirmar essa lenda! Os instrumentos foram escolhidos apenas pela afinidade teórica, gosto pessoal de cada um, todos aprendemos juntos, do zero, todo mundo cru... Isso foi mais um fator que nos uniu e que nos fez valorizar a banda, pois o custo dos instrumentos eram altíssimos na época, o investimento financeiro foi considerável... Mas, como garotos dedicados e com muita vontade, não demorou muito pra que começássemos a tocar algumas músicas, as mais fáceis, é claro.
André Chamon. A escolha se deu no primeiro ensaio, na casa do tecladista Leonardo Renda. Mas, confesso que sempre fui apaixonado pela bateria. Quando eu era criança, ganhei uma mini-bateria de presente. Nas "matinés" com música ao vivo, toda a minha atenção era voltada para o baterista. A minha escolha não foi nada difícil.
2112. E como vocês faziam para conseguir discos de heavy metal aí no Pará? Pergunto isso levando em conta que também moro no interior e no tempo do vinil era muito difícil conseguir discos de heavy metal para ouvir...      

André Chamon. Morávamos em Belém, capital do Pará. Havia poucos disco de rock pesado nas lojas. O Leonardo costumava viajar para o exterior e trazia os novos lançamentos. Assim, ouvíamos o que havia de mais pesado na época.
Roosevelt Bala. Tínhamos poucas lojas aqui em Belém, os discos chegavam com um certo atraso, e não vinham todos, apenas os que a loja achava que venderiam rapidamente. Entretanto, o nosso tecladista, Leonardo Renda, costumava fazer intercâmbio cultural, viajando para EUA e Europa. Ele trazia os principais lançamentos do “Rock Pauleira” (não havia o termo Heavy Metal ainda) pra gente conhecer e “sugar” tudo... Foi assim que conhecemos Iron Maiden e Judas, depois Saxon, bandas que norteariam nosso som mais pra frente.
2112. Qual baterista transformou a sua vida como músico e que bandas influenciam vocês?   
André Chamon. Bem no início, quando ainda tocávamos covers, o repertório tinha muitas músicas do Led Zeppelin e também do Deep Purple. Conseqüentemente, minhas primeiras influências foram John Bonhan e Ian Paice. Mas, o baterista que marcou a minha transformação do Rock Pesado dos anos 70 para a New Wave of British Heavy Metal dos anos 80 foi o Les Binks do Judas Priest.
2112. E você Roosevelt quais são as maiores referências musicais em sua vida?
Roosevelt Bala. Desde muito cedo a música fez parte da minha vida, eu era uma criança diferente das outras, eu brincava como todas, mas tinha umas horas em que eu parava pra ouvir músicas, no rádio, no gravador e na vitrola, isso desde os 4 anos... Comecei a comprar discos aos 9 anos, e não parei mais. Ouvi muita coisa, meus arquivos mentais são imensos, em vários estilos, isso me dá uma facilidade de compor, uma variação considerpável de boas melodias, que vieram do rock e de outros estilos... Minha influências principais foram: Creedence , The Sweet, Led Zeppelin, Judas e Saxon... Mas, ouvia de tudo, dentro do rock e suas ramificações.
2112. A princípio vocês faziam releituras nos shows, porque ainda não tinham material próprio. Que músicas não podiam faltar na set list?       

André Chamon. Os clássicos Rock'n'Roll do Led Zeppelin, Smoke on the Water do Deep Purple, Paranoid do Black Sabbath... O nome do nosso primeiro show (Escada para o Céu) e o do segundo (Paranóia) já davam uma dica do repertório.
Roosevelt Bala. Já achávamos que era impossível tocar os covers dos Rock que gostávamos, nem passava pela cabeça em compor, já era gratificante conseguir aquilo... No início eram as mais fáceis, como Beatles, Stones, Bad Company, The Sweet, Steve Miller... Depois, com a entrada do Pedro Valente, guitarrista fenomenal, nos aventuramos para sons mais trabalhados e pesados, como: Led, Black Sabbath, U.F.O, E.L.P, D. Purple, Pink, Kiss... Já era um grande feito tocar sons dessas bandas. 
2112. Uma curiosidade: soube de um guitarrista chamado Adonay, que foi proibido pelo pai de tocar na banda. Isso é verdade? O que ele alegou?

André Chamon. É verdade. Ele queria tocar na banda, mas, o pai não aceitava que ele fosse músico. Havia um certo preconceito, naquela época. Minha família também não gostava da idéia. Mas, eu era mais rebelde. Já o Bala, não teve muito problema com isso.

2112. Os primeiros shows da banda aconteceram em festinhas de adolescentes que curtiam “disco music” e com certeza não entendiam o som que vocês produziam. Qual era a reação deles?  

André Chamon. Não gostávamos de Discotèque e quem ouvia esse tipo de música também não gostava de Heavy. Mesmo assim, fizemos um show na casa do Raimundinho, que costumava fazer festinhas com Disco Music na casa dele. O pessoal estranhou, mas, não teve briga porque estávamos entre amigos. Foi uma exceção. Éramos radicais. Chamávamos os fãs da Donna Summer e Barry White de "cocoteiros" por causa das calças cocotas que usavam.
Roosevelt Bala. Todos tínhamos 15 anos, e nossos amigos estavam fazendo aniversários de 15. Fizemos alguns desses eventos, tocando rock. Apesar de ser alternativo pra eles, todos curtiam, sim, pois ver uma banda tocando rock era algo inusitado em Belém... A Disco Music ainda estava engatinhando, o que se ouvia nos boates, tertúlias e ‘pipocas’ era rock, dançávamos rock e baladas (agarradinho com as garotas). Portanto, não estávamos tão fora do contexto, éramos uma boa atração, era raro para adolescentes verem uma banda tocar ao vivo. 
2112. Em 1977, vocês passaram a se chamar Stress. O porquê da mudança do nome?   

André Chamon. O Pedro sugeriu o nome Stress e falou sobre o seu significado. O termo era desconhecido na época. Achamos que tinha tudo a ver com o estilo da banda. Além disso, a sonoridade da palavra é forte e causa impacto. 
Roosevelt Bala. Nenhum dos 3 nomes iniciais (Pingo D’água, Elektra, TNT) nos agradaram piamente. Em dezembro de 76, Pedro Valente entra na banda, a sugestão do nome STRESS foi dele. Era ainda uma ‘doença’ pouco conhecida, totalmente novidade. Achamos a sonoridade bacana e perguntamos como escrevia e o que significava...Pedro explicou tudo, achamos que tinha tudo a ver com uma banda de Rock Pauleira. A grafia é linda, a sonoridade é perfeita e o significado casou legal com nosso estilo... Considero esse um dos 4 melhores nomes de banda do mundo, da história, junto com Kiss, Yes, Queen, Rush... monossílabo com tonalidade forte, bela grafia e sonoridade... Ainda acho o nosso o melhor de todos! rsrsrs.
2112. A despeito das bandas da época que investiam no rock’n’roll, no progressivo, no hard rock e mesmo no punk rock, vocês buscavam por sons mais rápidos e pesados. Vocês sofreram algum tipo de retaliação por causa disso?

André Chamon. Éramos o que havia de mais underground no mundo rock. Existia um certo preconceito. Mas sempre tivemos um público fiel, que nos acompanhou durante toda a nossa carreira.

Roosevelt Bala. Ouvíamos tudo que havia de novidade na época, que o Leonardo trazia, digeríamos bastante, em casa, nas nossas festas, nos carros, onde desse... Iron, Judas, Saxon e Motorhead era o que havia de mais pesado naquele momento. Quando resolvemos partir para as composições próprias, tínhamos a seguinte diretriz em mente: “Temos de ser a banda mais rápida e pesada do mundo”. Aquilo era coisa de garoto, que quer dominar o mundo, ser mais que tudo e todos, rsrs. Mas, foi justamente esse pensamento que nos levou ao pioneirismo no Brasil. Não havia nenhuma retaliação, bem ao contrário, nossas composições foram muito bem recebidas pelos roqueiros de Belém, eram de alto nível, pau a pau com os nossos ídolos da Inglaterra, algo surpreendente para uma banda que só se reunia nos fins de semana, sem nenhum compromisso com a música a carreira musical, só por diversão, ainda. 
2112. Em 1978, vocês começam a compor o próprio material, sendo Stressencefalodrama a primeira delas. Como é o processo de composição na banda? Todo mundo colabora?   

André Chamon. Em regra, eu faço as letras e o Bala as músicas. Cerca de 80% das obras do Stress são fruto dessa parceria. Algumas vezes, a música surge primeiro. Outras, a letra. Somos detalhistas. As letras têm que transmitir mensagens relevantes e, ao mesmos tempo, acompanhar a melodia vocal, observando meticulosamente a métrica e a sonoridade das palavras, sílaba por sílaba.
Roosevelt Bala. Eu tomei a iniciativa de começar a compor, na época eu tocava um pouco de violão, que aprendi olhando o Pedro e ‘fussando’ sozinho em casa, tinha facilidade pra aprender. A primeira realmente foi Stressencefalodrama, é uma música muito bem trabalhada, cheia de levadas e partes diferentes, um pouco de Rock, Hard, Metal, Progressivo...em fim uma bela obra para nossa estréia no autoral. Todos deram sua colaboração para os arranjos finais.Mas, normalmente éramos eu e o André que nos reuníamos antes, para depois repassar aos outros, essa parceria acontece até hoje. Uma curiosidade é que as primeiras letras do Stress foram em Inglês, o Leonardo é quem fazia, por falar fluentemente, devido suas várias viagens ao exterior. “Mate o Réu” foi a segunda música, chamava-se “Go to Hell”... Entretanto, depois de um festival de música, no qual apresentamos essas duas canções pela primeira vez, as pessoas vieram elogias as composições - que estavam sendo muito aguardadas, havia um expectativa grande pra saber como seriam nossas músicas próprias, gostaram das músicas, mas não entenderam as letras, perguntaram do que elas tratavam... Foi nesse exato momento que resolvemos que mudaríamos para o português, pra que todos entendessem direto nossas mensagens. Assim, mudamos as letras das duas músicas e passamos a compor as outras em Português. Nossa prioridade é que o público brasileiro nos entenda, nossas músicas tem grande poder por ter sonoridade pesada e letras fortes, de alto nível, esse dueto é nossa marca.
2112. No período do militarismo, várias foram as bandas que sofreram com a censura relativa às suas letras. Vocês também tiveram problemas com O Lixo e O Oráculo de Judas que a início se chamava Corpus Christi. Como vocês driblavam a censura?  

André Chamon. Na época da Ditadura Militar, os discos só podiam ser lançados, se as letras das músicas fossem aprovadas antes pela Censura. Todas as minhas letras, a princípio, eram vetadas e eu tinha que fazer algumas modificações. O caso mais curioso foi o da letra de "Lixo Humano". O censor achou que ela denegria a imagem do ser humano. Então, tirei apenas uma silaba e ela virou "Lixo, mano". Ele nem percebeu que, mesmo mudando a escrita, a pronúncia continuava a mesma. E assim, foi aprovada. 

Roosevelt Bala. Quase todas as músicas do primeiro disco foram “vetadas” (esse era o carimbo)... Algumas tiveram seu conteúdo bastante alterado, outras somente algumas palavras “chaves”, que davam margem a um outro entendimento por parte do censor... “Chacina” era “Curra” ... “O Lixo” era “Lixo Humano”, “O oráculo de Judas” era “Corpus Christi” ... “Sodoma e Gomorra” era “Memórias de um ‘cabocão’, quando descobriu que tinha ido com um travesti pra cama”, era isso, mesmo, rsrs...E por aí foi... Jogo de cintura, gingado e muitas firulas, foram o que nos permitiram aprovar todas elas.
2112. Em 1981, vocês apresentaram o show Flor Atômica em dois grandes eventos. O primeiro no maior ginásio de esportes da cidade e o segundo ao ar livre na Avenida Doca de Souza Franco, uma das principais vias de Belém. Foi uma grande ousadia da parte de vocês não?
      
André Chamon. Sempre fomos muito ousados. Não tínhamos limites. Éramos megalomaníacos, mesmo.

Roosevelt Bala. Fazíamos poucos shows por ano, 2 ou 3, mas sempre fomos ousados, meio megalomaníacos, queríamos tocar em grandes lugares e grandes eventos, nossos shows paravam a cidade, eram acontecimentos marcantes para a juventude local, especialmente os fãs de rock. Tocamos nos maiores ginásios da cidade, passamos a encher os locais de apresentação em pouco tempo de estrada. O show na avenida Doca de Souza Franco foi o primeiro show aberto, em rua, da história da cidade, um acontecimento que mobilizou toda a cidade, com a cobertura de jornais, rádio e televisão. Era o lançamento de uma Boutique Chique, de proprietários cheios da grana. O local escolhido foi bem na frente do Bar/Pub mais top de Belém - Gato & Sapato -, toda a High Society estava lá, convidados para a área vip (mesas reservadas), e por fora, mais afastados, ficaram os roqueiros tradicionais, o nosso público de verdade. Isso nos aborreceu, não sabíamos que seria assim. Resolvemos “agredir” um pouco os socialites, o apresentador do show tirou a calça e apresentou a banda só de cueca, foi um escândalo, metade dos Vips se levantaram e foram embora, rsrs... Ainda tocamos umas músicas com letras de sacanagem, que completaram a “rebeldia”... No dia seguinte, manchetes contaram (quase) tudo o que aconteceu lá, foi um bafafá do K7. Esse evento daria todo um capítulo em um livro, rsrs.
2112. Em 1982, mesmo com a saída do Wilson, a banda lançou seu primeiro álbum, que acabou sendo o primeiro disco de heavy metal gravado no Brasil. Você pode falar um pouco sobre as gravações?

André Chamon. Foi uma aventura. Viajamos mais de três dias de ônibus, de Belém para o Rio, para gravar. Disseram-nos que o estúdio era muito bom, mas, quando lá chegamos, tivemos uma grande decepção: encontramos uma pequena sala, com uma mesa de apenas 8 canais e uma bateria toda desmontada num canto. Tivemos que amarrá-la com fita crepe para que ficasse de pé. A guitarra seria gravada direto na mesa e o técnico nos disse que colocaria a distorção na hora da mixagem, o que não era possível naquela época. Por sorte, o Cícero (futuro guitarrista do Dr. Silvana e Cia) estava lá e nos emprestou um pedal de distorção.

Roosevelt Bala. Era infinitamente mais difícil se gravar um disco naquela época, os custos eram altíssimos, equivalente ao de um apartamento Kit Net. Não havia mais o que fazer, já tínhamos tocado nos melhores e mais conceituados teatros e ginásios da cidade, era preciso seguir à diante. Através de um amigo ( o Profeta), contactamos o estúdio Sonoviso, no Rio, que nos garantiu que saberia gravar o nosso rock, já tinham feito isso várias vezes e dispunham de todo equipamento necessário para a gravação. Juntamos dinheiro com shows, vendemos objetos, pedimos pros pais e pegamos um ônibus pra enfrentar três dias de estrada até o Rio. Ficamos numa modesta pensão no Catete, dividindo beliches num único quarto. Ao chegar no estúdio nos foi oferecida uma bateria toda fudida, quebrada e desmontada, jogada num canto de uma saleta. Usamos barbantes e fita adesiva pra deixá-la armada. Recebemos a informação de que todo o equipamento prometido (bateria, efeitos, pedais, instrumentos..) deveria ser alugado. Finalmente começamos a gravar, tínhamos de ser rápidos, a grana tava curta e a hora de estúdio era uma facada. Começamos a perceber que os caras não manjavam PN de gravação de rock pesado. Chegaram ao cúmulo de propor que tocássemos sem distorção, que eles dariam um jeito de colocá-la na mixagem. Tratamos de fazer nossa parte, tocamos como se estivéssemos num show, com toda fúria e crueldade que as músicas pediam, afinal, naquele momento estávamos registrando anos de trabalho e defendendo nossas idéias e pontos de vista não só sobre a música em si, mas, sobre o cenário social injusto para a maioria das pessoas. Gravamos tudo em 16 horas, foi meio “nas coxas”, mesmo, não tínhamos mais grana pra pagar outras horas de estúdio e ainda teria a mixagem. Quando tudo terminou tivemos a certeza de que os caras não estavam preparados pra gravar rock pesado. Ficamos extremamente decepcionados com o resultado, esperávamos algo compatível com o que estávamos acostumados a ouvir. Não havia mais nada a fazer, não tínhamos mais recurso pra refazer qualquer coisa, nem pra pagar as horas extras de mixagem. Esperamos o técnico de som ir no banheiro e fugimos com a fita mixada. Relutamos muito em prosseguir com a produção desse disco, tamanho nosso desapontamento. Resolvemos, então, fazer uma tiragem mínima de 1000 cópias, só pra termos um registro oficial das músicas e não jogar fora a grana já investida. Juntamos mais dinheiro e fizemos a prensagem. O show de lançamento aconteceu no estádio do Payssandu (Clube de futebol), no dia 13 de novembro de 1982,  para uma platéia estimada em 20.000 pessoas, um record absoluto que persiste até hoje para eventos musicais locais. 
2112. Vocês levaram apenas 16 horas para gravar o álbum, o que muito me fez lembrar das gravações do primeiro álbum do Led Zeppelin. Será que o produtor e os técnicos envolvidos tinham noção do momento histórico que estavam participando?  

André Chamon. Com certeza, não. Eles nem conheciam o estilo que estavam gravando.

Roosevelt Bala. Eles não tinham nem noção de como gravar rock pesado, imagina se tinham a perspectiva de que estavam diante de um momento histórico pro Rock Brazuca... Certamente que não! Na verdade, nem eles e nem nós, rsrs. Pensávamos que havia centenas de bandas pelo Brasil fazendo ‘Rock Pauleira’, nunca passou pela nossa cabeça que éramos os únicos, até então. A comunicação era bem precária, não havia intercâmbio nenhum, estávamos completamente isolados dos outros movimentos pelo país. Acho que estávamos mais sintonizados com os Ingleses da NWOBHM do que com os brasileiros.
2112. Me lembro de um amigo que me apresentou o álbum e uma coisa que muito me aguçou a atenção foi o uso “escancarado” de teclados, num fato raro dentro do estilo naquela época. Sei que o Black Sabbath fez uso do instrumento em várias álbuns... mas vocês mas vocês tiraram o instrumento do anonimato...     

André Chamon. Colocamos o pedal de distorção no teclado, também. Tudo para tentar colocar mais peso na gravação.

Roosevelt Bala. Havia a lenda de que o teclado tirava o peso das músicas, em muitos casos até era verdade. Éramos fãs do Deep Purple, uma super banda onde o teclado de Jon Lord qsomava muito, era astro, imprescindível, quebrando esse tabu. Foi buscando essa sonoridade ímpar do Orgão “Harmony”, do Lord, que a gente experimentou colocar um pedal “distorcedor” na saída do teclado do Leonardo Renda, na hora da gravação. O resultado não pareceu nada com o do D. Purple, mas ficou bem pesado, surpreendentemente bom, nos agradou bastante, rsrs. Foi uma “arriscada” que deu certo, a gravação acabou ficando mais “suja”, no bom sentido. Mas, foi quase que por acaso, uma luz que acendeu em cima da hora.
2112. O lançamento do disco ocorreu no Estádio da Curuzu, diante de um público record de 20.000 pessoas. Deve ter sido uma loucura a apresentação...
   
André Chamon. Foi mesmo. Ficamos tão empolgados, que esquecemos de controlar a venda de ingressos. Quando chegamos na bilheteria, o caixa tinha ido embora e o dinheiro havia sumido.

Roosevelt Bala. Não havia mais ginásios e teatros que não houvéssemos tocado, para o lançamento de nosso primeiro álbum a ousadia teria de ser maior. Nunca antes, e nunca depois, um artista local se aventurou a fazer show em um estádio de futebol, o era espaço é imenso, a produção enorme, a organização bastante complexa, não havia empresas especializadas em grandes eventos, na época, nós mesmos tivemos de cuidar de cada detalhe. A começar pelo palco, totalmente manufaturado, em madeira, não havia palcos desmontáveis, uma mão de obra enorme...O som, tivemos de juntar várias aparelhagens, amplificadores de pessoas diferentes... Convidamos alguns artistas locais para fazer a abertura, conseguimos mídia de televisão, Globo local, matérias em todos os jornais, foi uma divulgação pesada! ... Acabou que, todo mundo que resolveu sair de casa foi ao nosso show, rsrs. Foi histórico!
2112. Vocês gravaram o evento?

Roosevelt Bala. A tv Globo local gravou, fez uma ótima matéria no dia seguinte e nos deu a fita... Mas, perdemos pra um produtor de shows do Rio, anos depois. Uma perda inestimável. Só restaram algumas fotos, de um grande fotógrafo paraense.
2112. Logo depois, outra apresentação histórica, agora no Circo Voador, diante de centenas de fãs que se espremiam para ver o Stress. A Rádio Fluminense teve um grande papel ao divulgar as músicas da banda em sua programação, não é?       

Roosevelt Bala. Desde nossa primeira apresentação no circo, em abril de 83, A rádio Fluminense – A Maldita – teve um papel fundamental na divulgação do Stress. Fizeram um especial tocando todas as músicas do primeiro disco, na tarde que antecedeu ao show, fazendo comentárioas spbre cada faixa. Nos intervalos vinha a vinheta chamando para o show, que dizia : “Direto do inferno amazônico, o Judas Priest brasileiro, a banda mais pesada do Brasil... STRESS...”. Pow, um puta apoio, já chegamos no Circo, para nosso primeiro show no Rio, com uma moral do k7. Mesmo porque, a música “Oráculo de Judas” tocava na programação normal da rádio, direto, era hit e nós não sabíamos. Devemos muito da nossa popularidade no Rio à “Maldita”.
André Chamon. Quando chegamos no Circo Voador, fomos recebidos como astros. Não entendemos nada. Só depois, soubemos que a música "O Oráculo do Judas" havia entrado na programação da Rádio Fluminense, "A Maldita".


2112. Com a boa aceitação do álbum e com a abertura que o rock e o próprio heavy metal estavam tendo na mídia, vocês se mudam para o Rio de Janeiro e assinam contrato com a PolyGram para a gravação de Flor Atômica, o segundo álbum da banda. A coisa realmente cresceu, não?       

André Chamon. Quando o primeiro Rock in Rio anunciou bandas de heavy metal entre as atrações do festival, as gravadoras acharam que este estilo faria sucesso entre o grande público. Um dos produtores da Polygram perguntou à produtora do Circo Voador qual a melhor banda heavy brasileira e ela indicou a Stress. 

Roosevelt Bala. Esse disco tem história: No final de 84, com a freqüência dos shows no Rio, tivemos de tomar uma atitude arrojada e de grande impacto pras nossas famílias e pra banda. Resolvemos nos mudar de Belém para o Rio, não dava pra ficar indo e vindo constantemente. Larguei meu emprego (concursado) na Petrobrás (a grana era preta, véio) e o André (batera), recém formado em direito com emprego na mão, embarcou nessa comigo. O Leonardo (teclado) não encarou, tinha cursos de pós-graduação – robótica era um deles - pra fazer em vários países diferentes (o cara é meio gênio, aliás, só pra ilustrar, os caras da banda eram – são- pessoas extremamente inteligentes e criativas, beirando a genialidade, por isso, quase esquisitos, eu diria, rsrs). O Pedro (guitarra) já tinha se mudado pra França, pra estudar ciências políticas, estávamos contando com Paulo Gui (atual guitarrista) para fazer os shows no Rio. Mas, ele também não pôde nos acompanhar nessa “aventura suicida”, era quem sustentava a família. Contatamos um dos membros da banda Metal Pesado de Niterói, que tinha feito a abertura de um show nosso no Circo, a qual nos agradou bastante. Alex Magnum assumiu a guitarra e pediu que aceitássemos o Bosco no baixo, fiquei, então, só como vocalista e não teríamos mais teclado. Tudo isso aconteceu no início de 85, dali a pouco aconteceria a primeira edição do Rock ‘in’ Rio. Com a vinda de várias bandas consagradas de heavy metal para o festival, criou-se a expectativa de que o mercado fonográfico para esse tipo de produto seria aquecido. No entanto, a gravadora Polygram foi a única das grandes que resolveu “investir” (já explico). O produtor João Augusto, hoje presidente da Warner, através de sua produtora – Deck Produções – entrou numa parceria com a Polygram para a produção do disco. Antes, porém, ele fez uma minuciosa pesquisa com produtores de shows e eventos pra obter à indicação unânime de que o Stress seria “a banda” para o seu projeto. Um pouco antes de recebermos a confirmação da Polygram fomos convidados pra compor a coletânea SP Metal, mesmo não sendo paulistas. Mas, tudo se confirmou e teríamos um disco só nosso, com o apoio de uma multinacional, isso era fantástico, estávamos a menos de um mês morando no Rio e já tínhamos conseguido tal proeza. O ritmo de composições acelerou bastante, precisávamos de 10 músicas pra compor o disco, a gravação tinha data certa pra começar. Resolvemos incluir as músicas Mate o Réu e Sodoma e Gomorra do primeiro disco, pois além de serem cultuadas pelos roqueiros, tínhamos em mente que poucos no Brasil conheciam-nas, pelo fato de termos feito 1000 cópias daquele disco e boa parte delas foram consumidas em Belém. A gravação foi corrida, não havia muita verba praquele projeto. Tivemos a infelicidade de nos deparar com um problema técnico durante a gravação das guitarras, os auto-falantes do amplificador de guitarra estavam estourados e não seguravam a potência necessária pra dar aquela distorção “disgracenta” que precisávamos pra dar peso às músicas. Conseguimos apenas uma modesta saturação, o que foi uma pena, pois fico imaginando, aquelas músicas tocadas com uma distorção de verdade. Não tinha como trocar a caixa, era madrugada e o estúdio era lá na Barra, perderíamos horas preciosas de gravação, já que naquele dia estávamos preparados e programados somente pra gravar as guitarras, nada podia ser adiado. Ainda tivemos outro problema, que só foi percebido quando pusemos o disco pra tocar, a faixa Forças do Mal veio sem o vocal, o técnico de edição selecionou o BG, a versão sem voz que se costumava ter não sei exatamente o porquê, talvez pra fazer colocando a voz em programas de tv ou coisa parecida. Como a música tem uma base fantástica, toda trabalhada, passou como música instrumental, quase ninguém sabe disso (há dois anos botei voz nela e virá assim no relançamento do Flor Atômica). Contratempos à parte, era grande a expectativa em torno desse lançamento, afinal, seria o primeiro (e único) disco de heavy brasileiro lançado por uma gravadora multinacional. As revistas, jornais e rádios deram um bom apoio promocional e teceram críticas elogiosas ao disco e à banda. Fizemos até apresentações em alguns programas de tv, inclusive o da Xuxa, quando era na tv Manchete. Porém toda a publicidade conseguida foi aquela em que não se gasta nada, sabemos que os programas de ponta nas principais redes de tv do país carecem de um investimento financeiro (o famoso Jabá), que hoje e sempre fez parte dos custos de divulgação de qualquer artista. A Polygram não reservou nenhuma verba de divulgação para o Flor Atômica, se hoje ele é conhecido por uma boa parte dos roqueiros brasileiros, deve-se ao interesse e o apoio que as revistas especializadas e os fanzines (com seu trabalho heróico) deram à essa obra.
2112. Vocês tiveram mais tempo em estúdio para experimentar?   

André Chamon. Apesar de estarmos numa grande gravadora, não tivemos muito tempo de estúdio. Ainda bem que estávamos bem ensaiados. Vou lhe contar uma curiosidade sobre este lançamento. Era costume se gravar duas versões de cada música: uma com voz e outra só com os instrumentos, para fazer o "playback" nos programas de tv. A música Forças do Mal ficou com um grito no início das duas e o técnico entregou a versão errada para fazer a prensagem. Falamos com o produtor, mas, ele disse que a verba tinha acabado e lançou o álbum assim mesmo, com uma das músicas sem o vocal. 

Roosevelt Bala. O tempo foi bem melhor que o primeiro, mas foi exato, não sobrou nada, senão teríamos gravado as guitarras como pede um disco de metal pesado. Obviamente, que foi bem mais tranquilo que a gravação do primeiro, não podemos reclamar dessa questão, tivemos todas as condições para produzir essa obra.
2112. Flor Atômica é perfeito em todos os aspectos: capa, repertório, produção, gravação e a banda estava afiadíssima. Realmente um grande álbum!

André Chamon. Obrigado.

Roosevelt Bala. Valeu, Carlos...Gosto muito desse álbum, estávamos mais maduros musicalmente, na flor da idade, com muita vontade de trabalhar. As composições são ótimas, os arranjos também. A qualidade de gravação foi digna de um estúdio de ponta, Polygram. Não temos nada a reclamar do produtor, nos deu liberdade e recursos pra realizar uma grande obra, ele vestiu a camisa conosco. João Augusto, hoje presidente da Warner, contratou grandes profissionais de estúdio e designer, o conjunto da obra é excelente. Concordo contigo, rsrs.
2112. O álbum teve uma boa vendagem?

André Chamon. Não. A divulgação foi mal direcionada. Fizemos um programa da Xuxa na Tv Manchete, no início da carreira dela; demos uma entrevista na revista Amiga, que fazia matérias sobre celebridades, mas, não fomos divulgados na mídia especializada em rock. 

Roosevelt Bala. Não sabemos os números oficiais, mas acreditamos que o investimento da gravadora foi recompensado. Não recebemos nada, mas tivemos uma ótima distribuição nacional, o que divulgou muito a banda nos 4 cantos do país.

2112. Em pouco tempo, vocês foram convidados pela Rede Globo para participar do Festival dos Festivais defendendo a música Os Jovens Não Devem Morrer. É verdade que o César Camargo Mariano, arranjador oficial do festival, gostou tanto do som da banda que deu carta branca para que vocês mesmo fizessem o próprio arranjo? Como foi esta história?

André Chamon. A música era fraca. Tivemos que fazer um arranjo totalmente diferente para que ficasse boa. O César Camargo Mariano aprovou o nosso arranjo. Estávamos entre os intérpretes mais cotados para vencer o festival. Mas, o autor da música achou o arranjo muito pesado e queria participar da apresentação. Resultado: não defendemos a música e ela foi desclassificada.

Roosevelt Bala. Quando recebemos o convite pra defender essa música - o que foi uma grande surpresa, achamos que era trote, rsrs -, tratei de bolar um novo arranjo, pois o original era muito ruim. Chegando em Recife, nos ensaios tocamos para os produtores ouvires. César Camargo analizou o que ouviu e disse que não precisava mudar nada, que estava perfeita, bem dentro do estilo da banda...Seríamos os únicos artistas que usariam os 3 palcos, devido á incrível performance de palco que a banda tinha, muitos apostavam nos bastidores que a classificação para a final era certo! ... Ocorre que, no dia da apresentação, na passagem de som, o autor da música, que era de Recife, foi no ginásio, local do evento, e ‘peitou’ a produção, dizendo que ele e sua turma fariam “cagada” durante o festival se ele mesmo não defendesse sua música... Depois de muita conversa, a produção pediu que incluíssemos a versão dele no meio da nossa. Até ensaiamos, mas a música ficou enorme, um Frankstein. Pensamos: Vamos classificar essa música, assim mesmo, pois nosso arranjo e apresentação estavam porrada...Mas, vamos ficar conhecidos, na nossa primeira aparição nacional na Globo pra todo o Brasil, como Stress & Das Trevas (o nome dele), para todo o sempre! Isso definitivamente não seria bom. Decidimos abrir mão de tocar, a Globo abriu as pernas pra ele, ficou com medo de uma cagada ao vivo... O cara foi lá e defendeu com a banda dele. Foi desclassificado!... E nós perdemos a chance de ficar conhecidos nacionalmente, nunca saberemos se foi a atitude certa.
2112. Ainda neste ano, a TVE do Rio de Janeiro produz o primeiro vídeo clipe de vocês, com a música Flor Atômica, a ser veiculado no programa Fantasia...   

André Chamon. Para aquela época, o nosso vídeo clip foi uma grande produção.

Roosevelt Bala. A nossa produtora, Deck Produções, da esposa do João Augusto, agendou alguns programas de tv, como forma de divulgação. A grande maioria, a totalidade, eram grátis, ninguém pagava ninguém. Era bom pra divulgar o álbum, mas não rendia nada, rsrs... Esse foi nosso primeiro Clipe, tem até no Youtube, com umas imagens tiradas do VHS bem toscas. Era esquisito fazer play back, às vezes eu esquecia de manter o microfone na boca, rsrs...Depois de muitos desses eu peguei amanhã.
2112. O álbum, de uma certa maneira, contribuiu para que novas bandas saíssem de suas garagens, como foi o caso do próprio Sepultura, que abriu para vocês no extinto Caverna. Soube que vocês davam muita chance para as bandas iniciantes...  

André Chamon. Queríamos que o movimento heavy crescesse no Rio. Quanto mais bandas tocassem conosco no Caverna, melhor. Eram muito divertidas essas reuniões.

Roosevelt Bala. Já ouvi muitos relatos de bandas que começaram, incentivadas pelas audições dos nossos álbuns. Sepultura se inpirou no primeiro e Krisuin no Flor Atômica... Uma vez estávamos num hotel em Fortaleza, para tocar no Forcaos, quando bate na porta do AP o batera do Krisiun, dizendo que queria nos conhecer pessoalmente, que era nosso fã... Depois descemos e fomos almoçar juntos, e tomar umas cervejas, as duas bandas. Eles nos contaram como resolveram formar a banda quando ouviram centenas de vezes o nosso segundo álbum. Resolveram ficar mais um dia na cidade pra ver o nosso show, já que eles tocariam na sexta e nós no sábado... São muitas histórias semelhantes à dessas duas grandes bandas que tomaram o Stress como referência no início de carreira... Nunca foi problema pra nós dividir o palco com qualquer banda, iniciante ou consagrada. Tocamos muitas vezes com Legião, Barão, Lulu, RPM, Ultraje, Kid abelha, Paralamas, Lobão ... todas do Rock Brasil 80’, e muitas outras do HM Brasil... Acho que somos uma banda que se dá bem com todos, somos bem simpáticos até, rsrs.
2112. Isso é uma atitude muito nobre, que poucas bandas fazem... dividir palco com bandas iniciantes, pelo simples motivo de ajudar e motivar. Isso é motivo de orgulho...  

André Chamon. Se podemos dar uma força, por que não?

Roosevelt Bala. Não podemos esquecer que um dia fomos iniciantes, que todos os consagrados já passaram pelo marco zero. Não há motivo para discriminação, cada um tem seu valor, tem algo a acrescentar ao evento, ao público que respeitosamente pagou ingresso para ver todos do cast, não só os headliners. Já promovemos alguns festivais brindando outras bandas, oferecendo boa estrutura e bom público a eles. E isso não é fazer favor, é dar a oportunidade para mostrarem seu talento. Não custa nada!
2112. Apesar de revistas como Rock Brigade, Roll, Metal e vários zines darem apoio ao movimento, os espaços para shows eram poucos. Ocorreu que muitas bandas optaram por cantar em inglês para tentar o mercado internacional... mas vocês resolveram continuar cantando em português. Porque?   

André Chamon. Uma mudança como essa, descaracterizaria a banda. A Stress tem orgulho de ser 100% nacional. É uma escolha antiga. Decidimos cantar em português em 1980, quando alguns fãs nos procuraram depois de um show em Belém, dizendo que gostariam de entender o significado das letras em inglês.

Roosevelt Bala. Como mencionei mais acima as primeiras músicas do Stress foram escritas em Inglês (ano de 78). Quando tocamos Go to Hell (Mate o Réu) pela primeira vez ao vivo a galera adorou a música, que é cultuada até hoje, mas, muitos vieram me perguntar do falava a letra. Ainda bem que percebemos a tempo o erro que iríamos cometer se continuássemos a compor em Inglês. Tínhamos composições ótimas, que seriam eternizadas no nosso primeiro disco anos depois, mas, achávamos que podíamos torná-las memoráveis (sonhávamos sempre alto) se aliássemos àquele som pesado e rápido letras que tivessem uma mensagem importante, que refletissem os ideais de milhares de fãs que já tínhamos conquistado e que esperavam da gente mais do que uma banda tocando rock pesado, eles queriam poder cantar as músicas conosco com a convicção de que era naquilo que eles também acreditavam. Ao percebermos tudo isso a tempo, resolvemos que nossas letras seriam todas em Português. Refizemos as letras já prontas e começamos a compor as demais músicas Português a partir de então. Foi uma decisão bastante acertada. Embora soubéssemos que teríamos de caprichar muito mais no conteúdo das letras (não tem como falar abobrinhas em Português e passar batido) e na sonoridade (teríamos de expressar nossas idéias sem usar palavras que poderiam soar rebuscadas demais), esse desafio só nos deu mais inspiração para compor em cima de temas do cotidiano das pessoas comuns, das injustiças sociais e da despersonalização do indivíduo pelo meio. Hoje somos respeitados não só por termos começado o metal no nosso país, mas, também por termos feito tudo isso, priorizando o público brasileiro, que nem sempre (são raros) tem acesso a um curso de Inglês e certamente teria dificuldade para entender nossas mensagens.  Acho um absurdo que exista tal preconceito, quero crer que seja uma minoria de radicais (que sempre vão existir, infelizmente) e que em breve vão cair na real e perceber em que país estão vivendo e qual língua eles usam quando vão comprar pão ou um cd de metal. Esse tabu de heavy ter de ser em Inglês já foi quebrado há muito tempo, algumas das melhores bandas de metal do país usaram e ainda usam nossa língua e são respeitados por isso, também. Tem uma porrada de mega-banda estrangeira que só fala besteira em suas letras e muitos, inclusive eu, aceitam na boa porque soa bonito nas vozes dos caras. Nós não podemos nos dar esse “luxo”, temos de caprichar no som e nas letras. Por outro lado, o trabalho é recompensado quando num show tu ouves a galera cantando com convicção, acreditando nas palavras que saem de seus lábios aos brados e a plenos pulmões, sem erro de pronúncia ou ignorância de significado. Já experimentei muitas vezes essa sensação e lhes digo que o prazer e a emoção são ... “insuportáveis”. Portanto, compreendo perfeitamente os que fizeram a opção pelo Inglês, pois, muitos sonham com o sucesso mundial e para isso sabemos que a língua facilita. O que não consigo assimilar é que aqui no Brasil existam pessoas que reneguem uma banda porque está entendendo o que o que o cara canta. Mesmo que a letra não seja uma obra literária, ainda tem o instrumental que pode compensar, como acontece com 90% das músicas dos nossos ídolos intocáveis. O público brasileiro, que fala o português, será sempre nossa prioridade.
2112. Em 1986, Alex e Bosco deixam a banda, que contrata Christian para a guitarra e Rick para o baixo. Rick sai pouco tempo depois de uma briga com Christian, o que levou Roosevelt a reassumir o baixo. E foi com esta formação que vocês gravam uma demo em São Paulo, certo?  
      
André Chamon. Sim, foi no estúdio do Carlinhos, ex-guitarrista do Ultraje a Rigor.

Roosevelt Bala. Essa formação com Chris e Rick foi uma das melhores que tivemos, a performance de palco era fantástica. Além de serem grandes músicos eles tinham um visual com nível de Bon Jovi/Europe, o que ajudava a colocar mais garotas na platéia, rsrs. Éramos todos jovens e bonitos, rsrs. Estávamos com 4 músicas prontas pra gravar uma Demo, quando o Rick saiu. Tive de assumir o baixo nessa gravação. Ela aconteceu no estúdio do Carlinhos, do Ultrage a Rigor, em São Paulo. Ele tinha um estúdio poderoso, muito bem equipado, e era amigo pessoal do Chris... Christian era muito carismático, todo mundo queria ser amigo dele. Foi uma das nossas melhores gravações, conseguimos aquele som de guitarra que não tivemos no Flor Atômica, havia uma parede de amplificadores Marshall à disposição nos estúdio do Carlinhos. Foi o som mais alto e pesado de guitarra que já ouvi pessoalmente, o cabelo voava, com o deslocamento dos auto-falantes dos amps, como se tivessem ventiladores ligados, rsrs. As músicas ficaram excelentes, mas nunca foram lançadas oficialmente.
2112. Este material foi aproveitado posteriormente? 

André Chamon. Entrou como faixa bônus no álbum Live'n'Memory, lançado na Europa.

Roosevelt Bala. Somente em 2009 essas 4 faixas fora publicadas , como faixas bônus, no álbum “Live ‘n’ Memory”, lançado pela Metal Soldiers, de Portugal. Foi o primeiro lançamento deste selo, que hoje cresceu e já conta com mais de 40 lançamentos. Esse disco continha um 10 faixas ao vivo, de um show realizado em 5 de maio de 2005, somadas às 4 músicas da Demo 86. Por isso esse nome, ao vivo e em memória, homenageando o Christian, que faleceu nos EUA, em 92.
2112. Pouco tempo depois, é Christian que resolve voltar para aos EUA. A sua atitude levou você e Roosevelt a darem um tempo na banda. Era o fim de um ciclo?

André Chamon. Depois que o Christian saiu, ainda fizemos alguns shows com o guitarrista Alex Schio e o baixista Alex Bressan, mas, eles ficaram pouco tempo na banda. Podemos considerar que foi o fim de um ciclo. Naquela época, havia dois tipos de bandas no Brasil. As que tocavam heavy cantavam em inglês e as que cantavam em português tocavam new wave. Não éramos uma coisa nem outra. Isso somado à dificuldade de encontrar um novo guitarrista nos fez dar uma trégua em 1987 e esperar dias melhores para retornar.

Roosevelt Bala. A mudança do Christian foi um baque para a banda, ficamos com poucas opções. Nos juntamos a dois músicos de uma banda de Juiz de Fora, chamada Albatroz: Alex Bressand (baixo) e Alex Schio (guitarra). Chegamos a gravar uma Demo (Novos sonhos) e fazer alguns shows. Mas, no início de 87 as coisas ficaram difíceis, os shows mais escassos, pois só as bandas Pop Rock tinham vez. Nosso produtor, João Augusto, pediu para aliviarmos no som da banda, fazer algo mais comercial. Até tentamos com a Demo de 86, mas ele achou as músicas muito pesadas ainda. Não era possível ficarmos mais leves que aquilo, não seria Stress. Acabamos perdendo o contrato para o terceiro álbum. Com a dificuldade de nos mantermos morando no Rio, com poucos rendimentos, resolvemos dar um Break e esperar o cenário melhorar para o HM nacional, o que não aconteceu para a quase totalidade das bandas.
2112. Após sete anos de longa espera, os fãs da banda e do heavy metal assistiram o retorno triunfal da banda e o lançamento de mais um grande trabalho: Stress III. O que mais motivou vocês a voltarem?

Roosevelt Bala. Ficamos parados de 87 a 95, cada um fazendo suas atividades paralelas. André ficou morando no rio, seguindo a carreira de Oficial de justiça e eu voltei para Belém pra finalizar a faculdade de Informática, cheguei a trabalhar na área. Foi quando, em julho de 95, André veio a Belém passar um mês de férias. Reunimo-nos no nosso antigo estudio, na casa do tio dele, pra fazer um som, só tocar, mesmo. Chamamos o guitarrista Paulo Gui, que fez parte da formação de 83, que tocou no circo Voador. Resolvi partir para algumas composições, e em duas semanas já tínhamos mais de 10. Achamos que deveríamos registrá-las numa Demo. Só que, as fitas K7 estavam saindo de linha, já era a era do CD. Assim, o que seria uma simples demo tornou-se o Stress III.
André Chamon. Em meados dos anos 90, surgiu um novo movimento de rock nacional. Achamos que seria um bom momento para voltar e, em 1995 começamos a compor as músicas do CD Stress III, que foi lançado em 1996.

2112. Você pode falar um pouco sobre o disco? De um certa maneira ele foi gravado quase que na calada da noite, não é?

André Chamon. A princípio, a gravação serviria como uma "demo tape", uma pré-produção. Foi feita num estúdio caseiro, mas, o resultado foi tão bom que resolvemos aproveitá-la para o CD.

Roosevelt Bala. O processo de composição e gravação foi muito rápido, durou um mês, tudo. O estúdio era caseiro, literalmente, dentro do quarto de um amigo, músico de uma banda local. A gravação já foi digital, o cara era um ótimo técnico. O resultado foi até bem razoável, para o que seria apenas uma demo tape. Dali saíram algumas composições excelentes, não tão pesadas quanto os dois primeiros, mas com harmonias, melodias e rítmos bem interessante. Diria que um tanto mais Hard Rock que os outros, porém sem perder o bom nível musical.
2112. Como foram os shows de retorno da banda? 

André Chamon. A partir do lançamento do "Stress III", voltamos a nos apresentar em público. Em 2005, gravamos um show no teatro "Estação Gasômetro" em Belém e lançamos o DVD "Stress ao Vivo", marcando oficialmente o retorno da banda.

Roosevelt Bala. A volta foi nos palcos de Belém, em um show com Dorsal Atlântica. Arrebentamos! Depois fizemos dois shows no Rio, um deles na praia do arpoador, sempre com grandes performances, o formação em Trio estava funcionando muito bem... Em seguida passamos a fazer shows em são Paulo, Brasília, Fortaleza... Não eram muitos, mas já dava pra ter um bom gostinho da diversão, rsrs.

2112. Stress III virou rapidamente uma raridade, devido à sua pequena prensagem de apenas quinhentas cópias. Deve ter sido um caos total com várias pessoas querendo os discos, não é?      

André Chamon. Esta primeira prensagem teve sua venda esgotada e tornou-se uma raridade.

Roosevelt Bala. Sem dúvida!... Fizemos apenas 500 cópias desse disco, que acabaram rapidamente. Resovemos deixá-lo como raridade por muitos anos. Entretanto, um relançamento está previsto para esse ano, pela Metal Soldiers, em breve ele estará disponível.
2112. Após anos e anos de lutas, a banda colheu seus frutos quando, em julho de 2009, a Metal Soldiers lançou o álbum Live‘n’Memory com distribuição mundial e, em janeiro de 2010, relançou o primeiro álbum com o título “Amazon, First Metal Attack”. Vocês chegaram a fazer algum show no exterior?   

André Chamon. Não. Este é um sonho antigo, que pretendemos realizar em breve.

Roosevelt Bala. A Metal Soldiers está relançando toda a nossa obra, para Europa e para o mundo. A qualidade de sua produção é excelente, sempre com um encarte bem trabalhado, cheio de informações e fotos raras, além das diversas faixas bônus, de gravações ao vivo, de ensaios, programas de TV e etc... Isso é muito importante, pois já não seremos totalmente desconhecidos quando resolvermos tocar por lá, ainda não fizemos nenhum show fora do país.
2112. Conte um pouco sobre o álbum Stress Tribute. Vejo isso como um puta reconhecimento da importância do trabalho da banda. Vocês participaram do projeto? 

André Chamon. Ficamos honrados com esta homenagem em vida. Não participamos do projeto. O álbum foi gravado por 14 bandas, cada uma tocando um clássico da Stress.

Roosevelt Bala. Quando uma banda é homenageada com um álbum tributo, acredito que algo de importante ela produziu. Um tributo é o reconhecimento do legado que um artista deixou por suas obras.Confesso que fiquei emocionado quando ouvi as faixas, interpretadas por grandes bandas, que inclusive poderias ser tributadas, ícones do HM Brasileiro, como: Metalmorphose, Salário Mínimo, Azul Limão... e tantas outras, da nova geração, inclusive. Todos se entregaram ao projeto, dando o melhor de si, nas releituras de clássicos do Stress. Fiquei imensamente grato a todos esses colegas, amigos e parceiros de tantas batalhas nessa trilha árdua do metal... Sem mais palavras... Foda!
2112. A Metal Soldiers também lançará um box com toda a obra de vocês, incluindo vários “presentinhos” como bônus tracks, pôster, bottons, chaveiros, patches etc. Os fãs devem estar...   

André Chamon. Este projeto será uma edição especial, dedicada aos fãs colecionadores. Aqueles que costumam guardar tudo o que se relaciona com a Stress.

Roosevelt Bala. Na verdade ainda não lançou, está nos planos do Fernando Roberto, dono do selo. Falta relançar o Stress III e quem sabe o IV também não entra no pacote, já que está quase a ser lançado... Certamente será um Box para colecionadores, uma material raro e de primeira qualidade.
2112. E o show no Canecão, tradicional reduto da MPB... a sensação de tocar lá e mesmo de quebrar um tabu de anos... É a mesma sensação em desvirginar uma donzela?    

André Chamon. Sempre tivemos vontade de tocar no Canecão. Em 2009, após uma longa batalha judicial, ele foi fechado. Em 2010, havia sido reaberto por força de uma liminar. Aproveitamos a oportunidade para realizar o sonho de ver o nome Stress no famoso letreiro daquela casa. Depois disso, o prédio foi reintegrado à UFRJ, chegou a ser invadido por militantes políticos e, atualmente, encontra-se abandonado.

Roosevelt Bala. Diria que é a sensação de perder a virgindade com a garota dos sonhos, rsrsrs... Lembro de quando pisei no palco sagrado da música, uma grande emoção, um sonho realizado. Quantos grandes artistas passaram por lá?... e muitos outros não. Toda a estrutura da casa era maravilhosa, cada detalhe, do palco aos camarins, equipamentos de som e luz, tudo prefeito! Eu costumava passar pela frente quase todos os dias, quando morava no Rio, olhava para o painel externo e via os nomes das atrações, pensando se um dia o nosso nome poderia estar lá... E esteve, eu toquei no Canecão!
2112. Em 2007, vocês lançaram o DVD Stress - Ao Vivo! e uma das coisas que muito me chamou a atenção foi saber que a gravação não sofreu nenhum tipo de overdubs. Atitudes corajosas como essa só são encontradas em bootlegs que preservam possíveis erros dos músicos e a própria essência dos shows. O que os levou a agirem dessa maneira?     

Roosevelt Bala. Somos da época em que as gravações ao vivo eram de verdade, acostumados a ver vídeos dos grandes shows da história: Woodstock (69), California Jam (74), Judas Screaming Tour (82) e tantos outros. Não acho legal quando o áudio é refeito em estúdio, mas é o que acontece geral agora. Optamos por usar o áudio original, somente mixado em estúdio, com erros e acertos que acontecem em um show, o Stress é exatamente aquilo que se vê naquele DVD.
André Chamon. Queríamos registrar aquele momento com fidelidade, pois, se tratava do primeiro show gravado depois do nosso retorno aos palcos.

2112. Em janeiro de 2012 foi lançado o single “Heavy Metal é a Lei”, que virou hino entre os headbangers brasileiros. O que os fãs podem esperar para este ano?

Roosevelt Bala. Gravamos pouco nos últimos anos, apenas 3 singles: “Coração de Metal” (2005); “Brasil Heavy Metal” (2009) e “Heavy Metal é a lei”.Todas se tornaram hinos, é impressionante a identificação dos Headbanger com as nossas músicas e letras. Atribuo isso ao fato de que, antes de sermos músicos, somos “roqueiros” (termo inicial) desde crianças, vivemos e sentimos essa música como qualquer outro Headbanger, tocamos e cantamos aquilo que gostaríamos de ouvir, somos verdadeiros com a nossa música, e isso transparece para os fãs, eles sabem que não estamos fingindo, que não estamos fazendo música para a mídia e sim para nós mesmos e para eles... Essa música em questão – Heavy Metal é a lei - fala do sentimento que tomou conta de cada um de nós, quando tivemos o primeiro contato com o som pesado, pra nós era “Pauleira”, pra nova geração é o Metal, e de como ele mudou pra sempre nossas vidas. Essa mensagem, cantada em Português, chega e atinge direto o coração do Headbanger, por isso já é hino... Estamos em estúdio, terminando a gravação do novo álbum, que deve ser lançado em outubro deste ano. Adianto que o disco vem pesado e melódico, com grandes letras e mensagens importantes, como é característica da banda, acredito que será nossa melhor obra.
André Chamon. Em 2018, a Stress lançará o seu quarto álbum, "Devastação", com o novo guitarrista Emerson Lopes. O CD terá nove faixas: seis músicas inéditas e os singles Coração de Metal, Brasil Heavy Metal e Heavy Metal é a Lei, que não foram incluídos nos álbuns de estúdio anteriores. Já estamos na fase final das gravações.
 

2112. Quero terminar a entrevista agradecendo a disponibilidade de vocês em responderem as perguntas e também pelo envio do vasto material que ilustra esta entrevista. O microfone é de vocês...

André Chamon. Nós da Stress é que agrademos ao Blog 2112, pela oportunidade de divulgar o nosso trabalho. Vida longa ao Metal do Brasil !!!

Roosevelt Bala. Devemos tudo que somos hoje ao inestimável apoio do Fazines 80’s, e agora dos blogs e sites especializados que sempre abriram as portas pro Stress, desde os primórdios, e também ao nosso público na nova e da antiga geração, vocês são a razão da banda não desistir nunca!... Valeu, Carlos, tu e o Fúria 2112 agora também fazem parte dessa equipe de apoio... Isso é fundaMETAL!

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