segunda-feira, 19 de junho de 2017

Entrevista Banda Dall

A Dall faz parte de uma nova geração de bandas que procura sair do esquema das grandes gravadoras cada vez mais perdidas frente as mídias digitais. A banda mistura com muita técnica e energia o reggae, o pop e o rock aliado a letras otimistas e inteligentes que grudam de primeira sem soarem patisches de outras banda. O cenário está mudando radicalmente e a Dall é uma dessas surpresas!

2112. A banda surgiu a início como um projeto solo de Rodolfo Deon e de repente vira uma banda com a entrada de Filipe Ghizi (baixo) e Rafael Martinenco (guitarra e teclado). Como aconteceu essa metamorfose?

Dall. Na verdade, o Rodolfo sempre quis uma banda, a questão é que não deu certo nas vezes em que tentou começar algo do zero junto com um grupo. Então, gravou algumas músicas e chamou o Filipe e o Rafael em seguida pra continuar o projeto em forma de banda, por mais que essas primeiras músicas sejam dele.

2112. Existiu uma necessidade em particular?

Dall. Muitas! Formar uma banda, como qualquer empreendimento, exige bastante energia, investimentos e mesmo conhecimento pra saber aplicar os recursos da melhor forma possível. Uma banda é uma linha tênue entre uma empresa e um empreendimento pessoal, no sentido de expressão ideológica sobre o que se acredita. Essa dinâmica é bastante complicada, pois de um lado o mercado exige uma mentalidade de empresa, de adequação aos formatos pop pra ter chance de lucro, e de outro lado existe a ideologia de todos os membros da banda, no desafio de expressar algo que todos estejam de acordo.

2112. A Dall mistura rock, reggae, funk e experimentalismo para criar a sonoridade da banda associada a letras filosóficas. Como vocês definem o som da banda?

Dall. Exatamente dessa forma! Hehehe

2112. Em que vocês se inspiram para criarem as letras? Vocês lêem muito?

Dall. Não tanto... A questão das letras filosóficas é mais no sentido de expressar algo mais profundo, o que não necessariamente exige muita erudição ou intelectualismo. As questões, diríamos, humanas fundamentais, como "quem somos nós?", "qual o sentido das coisas?", muitas vezes não vamos encontrar em livros, mas na própria experiência da vida.
2112. Que bandas são influências para vocês?

Dall. Clássicos do reggae e do funk, como o próprio Bob Marley, Peter Tosh, Funkadelic, Tim Maia, etc. E também algumas bandas mais modernas de rock como o Red Hot Chili Peppers e as brasileiras Forfun e BRAZA.

2112. Na hora de compor as músicas até onde vocês se deixam influenciar por essas bandas para que isso não afete o processo criativo final e não deixe a Dall com cara de banda cover? Como vocês separam o fã do músico?     

Dall. Legal essa pergunta! Diria que não é possível compor uma música do zero, no sentido de não haver uma música existente como inspiração. As características pessoais e subjetivas do compositor é que farão a composição diferente da canção que a inspirou, realçando uma marca específica que a faça não mais merecedora do rótulo de "cover". Assim, a separação do fã e do músico ocorre justamente quando essas características pessoais começam a moldar a música e a torná-la única. Entretanto, a "base" de uma música já existente parece ser sempre necessária.

2112. Quando surgiu a necessidade de registrarem em estúdio o material criado por vocês? Ficou 100% com a cara da banda?

Dall. Como foi colocado anteriormente, essas nossas primeiras canções são obra do Rodolfo, que as gravou sem pretensão, antes mesmo de formar a Dall. Esperamos que as próximas sejam uma composição mais conjunta, o que provavelmente mudará um pouco a sonoridade da banda.

2112. E os fãs como reagiram?   

Dall. Como somos uma banda nova ainda, diríamos que ainda estão reagindo hehe. Nosso EP sairá em breve, no próximo dia 12 de julho. Por enquanto lançamos dois singles apenas, e a repercussão deles foi boa considerando nossa realidade e a proposta da banda.

2112. O Blog está numa campanha em defesa do rock brazuca para que mais pessoas e os próprios fãs valorizem o material criado no país. O que vocês tem a dizer a respeito? Vocês acham que nossas bandas são menores que as gringas... ou tudo isso é mero preconceito?    

Dall. Acreditamos que existem artistas e bandas excelentes no Brasil, que não perdem em nada para os gringos! O que nos parece que ocorre, é que dificilmente essas bandas conseguem chegar ao mainstream. No exterior eventualmente artistas mais conceituais e verdadeiros - digamos assim -conseguem fazer algum sucesso com as massas que saia da mesmisse pop. 

2112. A tecnologia está derrubando as grandes gravadoras com bandas gravando em casa seus próprios discos, gerenciando suas carreiras sem a intervenção de empresários e mesmo vendendo seus cd’s sem atravessadores. O que isso traz de bom e de ruim para uma banda?

Dall. Acreditamos que essa é um cenário excelente! Até os anos 90, uma banda sem gravadora tinha pouca ou nenhuma chance no mercado autoral. O que vemos hoje é praticamente o contrário. No último Lollapalooza, metade dos artistas eram independentes. Nunca antes na história os artistas tiveram chance que seu trabalho tenha resultado e não seja sufocado por uma gravadora. Existem muitos mecanismos mercadológicos que podem promover uma banda independente sem a necessidade dos investimentos milionários das gravadoras. 

2112. O que vocês tem a dizer sobre a distribuição gratuita de músicas na internet? São contra ou a favor?

Dall. Contra. Música, como qualquer trabalho, tem que ser valorizado.

2112. Vocês acompanham a movimentação da cena musical em Porto Alegre? O que vocês indicariam como interessante?

Dall. Porto Alegre é uma cidade culturalmente interessante, pois existem inúmeras iniciativas nas mais variadas áreas e vertentes, dentro disso as musicais. Diríamos que a influência do rock gaúcho continua bastante forte, mas existe também uma cena forte no reggae, em outras vertentes do rock como as do Fellas Music Fest, e existem alguns resquícios do indie também. A música gaudéria e clássica também são fortes.
2112. Que recado vocês dariam para quem pensa em montar um banda?

Dall. Diria que o mais importante é manter a coesão interna da banda, alinhando as vontades de todos os membros e deixando-as claras, para então ter uma base pra agir externamente procurando shows, gravando, etc. A relação entre os membros é como um namoro e deve ser constantemente administrado.


comunicacao@dalloficial.com



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